CARNAVAL Blocalhau mistura baile e bloco de rua em seus 16 anos

Publicado em: 06/03/2019 15:40 Atualizado em: 06/03/2019 16:20

Agremiação deve reunir mais de 500 pessoas. Foto: Peu Ricardo
Agremiação deve reunir mais de 500 pessoas. Foto: Peu Ricardo

Há 16 anos, a quarta-feira não é mais tão ingrata e nem de cinzas para as pessoas que acompanham uma mistura de baile e bloco já tradicional no Bairro do Recife: O Blocalhau. Neste ano, a agremiação homenageou outra referência do carnaval pernambucano ao adotar como tema As Virgens do Bairro Novo. Com público estimado em mais de 500 pessoas, após o baile realizado em uma casa de festas na rua do Apolo, Recife Antigo, o bloco toma as ruas do Recife Antigo no fim da tarde quando faz uma queima de fogos.

Kelly Rosa e Getúlio Cavalcanti animaram os foliões. Foto: Patrícia Monteiro / Esp. Diario
Kelly Rosa e Getúlio Cavalcanti animaram os foliões. Foto: Patrícia Monteiro / Esp. Diario

Na concentração, o baile foi animado pela orquestra do Maestro Bozó (a mesma do bloco da Saudade) com participações especiais como as dos cantores Getúlio Cavalcanti e Kelly Rosa. Getúlio, aliás, está em clima de despedida após anunciar sua saída do Bloco da Saudade, onde atuou por 33 anos ininterruptos dos 55 carnavais que já vivenciou. “Agora, vou cuidar da minha carreira profissional com mais critério, já que sempre fui considerado amador. No Blocalhau, já vim em 12 destes 16 anos e fico muito feliz com o reconhecimento deste trabalho que faço com tanto carinho e responsabilidade”, afirma. A cantora Edilza também demonstrou alegria em participar do evento. “O Blocalhau agrega todos os estilos, do maracatu ao frevo, privilegiando os artistas locais”, revela.

O cantor Rogério Rangel apresentou ao público trechos de canções do seu recém-lançado álbum Além da Quarta. “O material foi apresentado ao público há cerca de 15 dias e vou mostrá-lo aqui, onde já venho há tanto tempo que sou freguês”, conta. Belo Xis, homenageado do carnaval recifense, foi outro artista que marcou presença. “É um prazer imenso ver esta homenagem ao samba pelo qual luto há 44 anos. Tenho, então, que agradecer a Deus por ter atingido este objetivo agora”, afirmou. A programação contou ainda com nomes como Nádia Maia, Cristina Amaral, Maestro Forró, Veio Mangaba, Cinderela, Irah Caldeira, Ed Carlos, Beto Hortiz, Cylene Araújo, Xinelo Rasgado, Cassius Cavalcanti, Dudu do Acordeom, Adriana B, Bráulio de Castro, Lourdinha Oliveira e Guerreiros do Passo.

Belo Xis prestigiou o evento como atração musical. Foto: Patrícia Monteiro / Esp. Diario
Belo Xis prestigiou o evento como atração musical. Foto: Patrícia Monteiro / Esp. Diario

As homenagens foram direcionadas à banda Som da Terra, ao músico e carnavalesco Zuza Miranda em sua esposa Thais, à cantora Edilza Aires, ao radialista Erilson Gouveia, ao apresentador Ciro Guimarães, ao Maestro Edson Rodrigues, e aos Bloco Lírico Artesãos de Pernambuco e Bloco Carnavalesco Misto Lira do Carpina. Houve, ainda, uma homenagem póstuma a apresentadora Graça Araújo.  Mesmo acordados desde às 4h para servir seus dois mil litros de munguzá na Ladeira da Sé, em Olinda, Zuza Miranda e Thaís não dispensaram a festa. “Hoje ainda participaremos do encerramento do Carnaval em Olinda, mas não poderíamos deixar de vir de forma alguma. Afinal, carnaval para a gente é pura emoção, é paixão”, afirmou Zuza. 

O sentimento de Zuza é compartilhado pelos muitos foliões, boa parte deles idosos, presentes na festa. “Faço parte do Bloco dos Artesãos e brinquei carnaval no domingo, segunda e terça. Hoje estou aqui novamente comemorando a minha saúde, já que no ano passado operei o menisco. Aqui é o máximo, fantástico. Temos comida, música boa e muita alegria”, afirma a psicóloga Valéria Nóbrega, 62. A resistência física de Valéria encontra eco em outra ilustre representante do carnaval pernambucano: a veterana Léa Lucas. “Fui homenageada no Galo da Madrugada, no Bloco das Ilusões e sou carnavalesca há mais de 30 anos. Com 90, me sinto aos 15, então, aproveito até o último momento”, descreve. 

A carnavalesca Léa Lucas confere o evento após ser homenageada pelo Galo da Madrugada. Foto: Peu Ricardo.
A carnavalesca Léa Lucas confere o evento após ser homenageada pelo Galo da Madrugada. Foto: Peu Ricardo.

Às 17h, quando sai às ruas, o Blocalhau troca de orquestra. Sai a do Maestro Bozó e entra a do Maestro Carlos Rodrigues (do Homem da Meia Noite). Segundo o presidente da agremiação, Ney Carvalho, um momento de comemoração. “Teremos um grupo de frevo com passistas e muita alegria. Tudo para celebrar esta festa que teve início ao degustarmos uma feijoada pela celebração do aniversário do querido compositor Romero Amorim, na Rua da Guia, em 2003. A partir daí, pensamos na criação do bloco e em trocar a iguaria pelo já tradicional bacalhau da quarta-feira de cinzas. Foi assim, reunindo cerca de 50 pessoas, que teve início o Blocalhau. Hoje, somos bem mais de 500”, conta. Em 2020, o bloco já tem tema escolhido: os bonecos gigantes de Olinda.
 
Ney Araújo, presidente e fundador do bloco. Foto: Peu Ricardo
Ney Araújo, presidente e fundador do bloco. Foto: Peu Ricardo



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