Carnaval Bloco Nem com uma flor vai às ruas combater a violência contra a mulher

Publicado em: 27/02/2019 21:20 Atualizado em: 27/02/2019 21:25

Crédito: Maria Eduarda Bione/Esp.DP/D.A P
Crédito: Maria Eduarda Bione/Esp.DP/D.A P

No primeiro carnaval com a Lei 13.718 que tipifica o crime de assédio, o Bloco Nem com Uma Flor vai levanta seu estandarte com ainda mais alegria. O fim da violência contra a mulher é a grande pauta da agremiação, organizada pela Secretaria da Mulher do Recife, que vai às ruas do Recife Antigo na próxima quinta-feira (28), a partir das 15h. As atrações do bloco são Joana Flor, Orquestra 100% Mulher e Maracatu Baque Mulher. A concentração está marcada para as 15h, na Praça do Arsenal.

Este ano, as homenageadas são a educadora Luci Machado e a carnavalesca Agricélia Agripino. As camisas do Nem com uma Flor fazem parte da campanha "Nem mais, nem menos, Iguais", foram pensadas para promover a igualdade de gênero entre homens e mulheres e trocadas por kits de higiene que serão doados para as detentas da Colônia Penal Feminina do Recife. Não haverá distribuição de camisa no dia do evento.

HOMENAGEADAS

Luci Machado

A professora Luci Machado, 78 anos, fez da defesa do meio ambiente a sua profissão de vida. Nascida no Recife, em Boa Viagem, mudou-se aos 10 anos para o Barro, na Zona Oeste, onde há quase 40 anos luta para evitar que um pequeno fragmento de mata atlântica de 171 hectares, localizado no Engenho Uchoa, seja desmatado.

Luci iniciou sua militância política na Juventude Estudantil Católica (JEC), grupo fundado pelo arcebispo dom Hélder Câmara, onde discutia, à luz do Evangelho, os problemas da família, escola e sociedade. “Essas reuniões me fizeram crescer como pessoa e me deixaram mais consciente na hora de eleger nossos governantes.”

Luci coordena um movimento de moradores de 11 bairros que fiscaliza áreas verdes, denuncia queimadas, desmatamento e construções irregulares. O grupo já conseguiu barrar a construção de um privê de luxo e evitar que uma usina de tratamento de lixo se instalasse na mata.

Entre os cuidados com o meio ambiente e as aulas de francês que passou a ministrar em casa depois da aposentadoria, ela ainda arruma tempo para curtir o Carnaval. Na semana pré, estará desfilando na troça Arrebenta Sapucaia, nome de uma árvore nativa da Mata Atlântica. De passo em passo e de galho em galho, Luci não abre mão de suas paixões.

Agricélia Genuíno

Nascida no Recife, a gestora de recursos humanos Agricélia Genuíno empunha o estandarte do bloco Nem com uma flor desde que a agremiação veio ao mundo, em 2002, com a missão de prevenir e denunciar a violência sofrida pelas mulheres. Desde então, foram dezoito desfiles sem interrupção.

“O bloco veio para dar visibilidade à violência de gênero, mas faz isso de uma forma lúdica”, explica a porta estandarte, que trabalhava na Secretaria de Saúde do Recife quando o bloco foi gestado em parceria com a Coordenadoria da Mulher.

Agricélia tem a virtude de estar no lugar certo na hora certa, em se tratando da pauta das mulheres. Foi pioneira no bloco e também no Conselho da Mulher do Recife, do qual participou logo na primeira gestão.

Feminista, já integrou o Fórum de Mulheres de Pernambuco e hoje é filiada à Associação Brasileira de Mulheres (UBM). Também fundou um bloco que unia sua paixão pelo Carnaval com a causa que defende: o Sou Solteirinha, de Dois Unidos. Depois de quatro anos de desfiles, o bloco não resistiu à saída de Agricélia do bairro. Mas ela continua, firme e forte, levando o estandarte do Nem com uma flor em defesa das mulheres.


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