Olinda Noite dos Tambores Silenciosos pede proteção para o carnaval

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 25/02/2019 21:45 Atualizado em:

Foto: Roberto Ramos/DP.
Foto: Roberto Ramos/DP.
Faltando cinco dias para o carnaval, as ruas de Olinda receberam a 18ª edição da Noite de Tambores Silenciosos, onde foi pedida a proteção dos orixás para os festejos de Momo. Dez nações de maracatu de baque virado se reuniram, na noite desta segunda-feira (25), nas ladeiras do Sítio Histórico. O evento começou por volta das 20h, na Rua Prudente de Morais, nos Quatro Cantos, quando o Maracatu Leão Coroado, o mais antigo entre as nações de baque virado, saiu em cortejo pela Rua do Amparo até a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no Bonsucesso, em frente à sede do Homem da Meia Noite.

A cerimônia cultural-religiosa acontece sempre na segunda que antecede o Sábado de Zé Pereira. No catolicismo, as segundas-feiras são o dia das almas. Já nas religiões afros, é o dia dos eguns. "A Noite dos Tambores Silenciosos rompe com o silêncio normativo sobre a violência praticada pelo racismo. Revivemos as lutas daqueles que nos permitiram estar aqui e evocamos nossos ancestrais para proteger a todos durante o carnaval", explica o sacerdote da Jurema e fundador do Quilombo Cultural Malunguinho, Alexandre L’Omi L’Odò.

Em 2019, o evento presta homenagem ao Mestre Afonso Gomes, falecido em abril do ano passado. Nove grupos de Maracatus de Olinda participam da solenidade: Nação Camaleão, Nação Badia, Nação de Luanda, Nação Maracambuco, Leão Coroado, Nação Estrela de Olinda, Nação Sol Brilhante e Tigre. O Noite conta ainda com a participação do Maracatu Raízes de Pai Adão, do Recife, convidado pelos organizadores.

Cada nação desfila até a Igreja do Rosário dos Homens Pretos, onde canta duas loas e aguarda a cerimônia. O ponto alto da cerimônia acontece à 0h, quando os batuques dos tambores e os cânticos que reverenciam as entidades e os ancestrais são silenciados numa adoração aos orixás e à Nossa Senhora do Rosário. Quem conduz a cerimônia é o babalorixá Santo Amaro Rodrigues, do Ilê São João Batista. O ritual da meia-noite tem duração de 30 minutos. A frente da igreja é banhada de perfume e, em seguida, há um rufar de tambores e a tradicional queima de fogos. 


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