Opinião Artigo: O carnaval de todo mundo Geraldo Julio, Prefeito do Recife

Publicado em: 23/02/2019 07:15 Atualizado em: 24/02/2019 11:16

Foto: Teresa Maia/DP
Foto: Teresa Maia/DP
 “Não se pode fazer ideia do que era o povo do Recife, solto nas ruas do Recife, após a declaração irreversível do Carnaval”. A frase é do escritor e multiartista pernambucano Antônio Maria, proferida há mais de meio século, porém mais atual do que nunca. E, no Recife, Capital do Nordeste e da Criatividade, já é Carnaval não só nas mentes e nos corações de foliões, brincantes e turistas, mas efetivamente nas ruas.

Desde janeiro, a cidade fervilha com dezenas de atrações e eventos que preservam o que há de mais tradicional e genuíno na folia momesca, quando tudo se torna alegria e a cidade se manifesta em suas mais sagradas e profanas tradições carnavalescas. São ensaios e encontros de blocos, de maracatus, de acertos de marchas, de concursos de Rei, Rainha, Passistas, porta-flabelistas, porta-estandartes, mestre sala e porta-bandeira. Todos os eventos são gratuitos e abertos à população, num nítido e vívido esforço de apoio e incentivo às agremiações e profissionais que fazem cotidianamente a beleza do verdadeiro e maior Carnaval de Rua do Brasil.

A preocupação acerca da inclusão e acolhimento da gestão se faz presente também na folia. Pela primeira vez, a prefeitura produz a concepção de sua decoração carnavalesca e centrou todas as atenções na população. É a irreverência do folião e os trabalhadores da festa que estarão estampados nas cores e ilustrações que vão vestir a cidade: nas personagens há representatividade e protagonismo de todos, sejam homens, mulheres, crianças e idosos de todas as etnias, compleições físicas, com e sem deficiência. Afinal de contas, a mais democrática das festas da capital saúda e reverencia a verdadeira majestade do Carnaval: o povo. Sejam foliões e trabalhadores locais ou turistas.

A inclusão se mostra presente também no espetáculo de abertura da festa, intitulado ‘Carnaval de Todo Mundo’. Aqui, um corpo de mais de 100 bailarinos irá subir ao palco do Marco Zero e protagonizar um espetáculo que contempla as diversas sonoridades que fazem desse caldeirão cultural recifense um mar de criatividade e orgulho. Assim como a cidade - insurreta e questionadora, mas em cuja alma cabem todas as nuances e tipos - o Carnaval de Todo Mundo trará não só o frevo, mas o samba, maracatu, o brega e até mesmo o eletrônico. No corpo de baile também teremos presentes dançarinos com deficiência e alunos do Centro Comunitário da Paz (Compaz), responsável por projetar MC Bruninho, ele próprio uma das atrações da abertura da festa.

Não podemos nos esquecer ainda do esforço de todos os carnavalescos que, nesse momento, estão empenhados dentro de seus barracões para colocar nas Avenidas Nossa Senhora da Conceição e do Forte os desfiles de suas agremiações, que irão participar de disputas memoráveis feitos à custa de muito suor, dedicação e amor. Porque o Carnaval do Recife pode até fomentar a economia e gerar postos de trabalho, mas é o amor do seu povo pelo brinquedo da folia que faz desta a mais bela, irreverente e inesquecível festa brasileira. Evoé! 


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.