insalubridade Funcionários do Expresso Cidadão do Cordeiro trabalham sem ar-condicionado, em meio a ratos, goteiras e infiltrações

Por: Bettina Novaes Ferraz

Publicado em: 20/02/2019 14:59 Atualizado em: 20/02/2019 17:52

Em dias de chuva, o ambiente fica completamente cheio de água - Foto: WhatsApp/Cortesia
Em dias de chuva, o ambiente fica completamente cheio de água - Foto: WhatsApp/Cortesia
Funcionários do Expresso Cidadão do bairro do Cordeiro paralisaram as atividades, na tarde dessa terça-feira (19), em protesto às condições insalubres em que estão trabalhando há aproxidamente um ano. Segundo uma servidora que não quis se identificar, a situação já foi relatada à SAD (Secretaria de Administração do Governo do Estado de Pernambuco) diversas vezes dentro desse período. 

Desde fevereiro do ano passado, o local está parcialmente interditado para uma reforma orçada em mais de R$ 180 mil. A obra deveria ter sido finalizada um mês depois, mas, até agora, os funcionários exercem suas atividades em um local improvisado, com diversos problemas estruturais.

Sem ar-condicionado, os servidores trabalham sob um teto de zinco, que potencializa o calor de um ambiente fechado e sem refrigeração. A falta de climatização adequada é tamanha, que os trabalhadores chegam a passar mal, além de causar problemas de pele nesta mesma funcionária que denunciou a situação ao Diario de Pernambuco, devido ao suor. 
Sem ar-condicionado, os servidores trabalham sob um teto de zinco, que potencializa o calor de um ambiente fechado e sem refrigeração - Fotos: WhatsApp/Cortesia
Sem ar-condicionado, os servidores trabalham sob um teto de zinco, que potencializa o calor de um ambiente fechado e sem refrigeração - Fotos: WhatsApp/Cortesia

O telhado de zinco cobre apenas algumas partes do teto do local. Em dias de chuva, o ambiente fica completamente cheio de água, atrapalhando o atendimento à população que busca prestação de serviços como emissão de documentos. 

Durante à noite, ainda de acordo com relato desta funcionária, os servidores são obrigados a conviver com ratos e baratas que passeiam livremente, além de deixarem fezes pelo local, o que pode transmitir doenças.

Os trabalhadores também reclamam da precariedade dos baheiros do local. Muitos se encontram interditados com fitas, além da ausência de portas nos boxes, paredes quebradas e vazamentos. 
Os banheiros do local estão interditados e os que funcionam estão sem portas - Foto: WhatsApp/Cortesia
Os banheiros do local estão interditados e os que funcionam estão sem portas - Foto: WhatsApp/Cortesia

Devido às más condições de trabalho, os funcionários do Expresso Cidadão do Cordeiro estão trabalhando em horário reduzido. De segunda à sexta-feira, os atendientos são realizados das 7h30 às 10h30 e das 16h às 19h. Aos sábados, das 7h30 às 11h. 

Ministério Público do Trabalho
Uma equipe do Ministério Público do Trabalho, composta por engenheiro e técnica em segurança do trabalho, esteve no local e apresentou laudo atestando as más condições a que os funcionários do Expresso Cidadão do Cordeiro estão submetidos.

Em três trechos do relatório de análise pericial, o procurador Gustavo Luís Teixeira das Chagas, comprova que o local está em inconformidade com Normas Regulamentadoras (NR) do Ministério do Trabalho e Emprego: 

"Existência de infiltrações, goteiras e mofo, provocando incômodo às vias aéreas, podendo comprometer a saúde dos
trabalhadores, estando em desacordo com as disposições do item 9.3.5.1 da NR-09 c/c os itens 1.1 e 1.2 da NR-01".

"Ambientes com aberturas no teto, podendo prejudicar a segurança dos trabalhadores que transitem sob o local, estando em desacordo com as disposições do item 8.4.1 da NR-08 e 1.2 da NR-01 c/c o item 7.1 da ABNT NBR 15575-2 de 2013, bem como Fiações elétricas expostas, fora das eletrocalhas, podendo provocar choque elétrico em caso de contato acidental, estando em desacordo com os itens 10.4.4 e 10.10.1 da NR-10 e com a NBR 5410 c/c o item 1.2 da NR-01".

"Constatação de que os ambientes de trabalho estão em condições adversas de calor, com ventiladores em diversos postos de trabalho, em desacordo com as disposições da alínea “b” do item 17.5.2 da NR-17".

Uma ação civil pública foi aberta pelo Ministério Público do Trabalho contra o Governo do Estado de Pernambuco.

Até o fechamento desta reportagem, não houve resposta da Secretaria de Administração do Governo do Estado de Pernambuco. 


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