LUA Superlua: hoje, a lua esteve no ponto mais próximo da Terra em 2019

Por: Patrícia Monteiro

Publicado em: 19/02/2019 21:16 Atualizado em: 19/02/2019 21:38

No Observatório da Sé, pessoas puderam visualizar o fenômeno em telescópios. Foto: Bruna Costa / Esp.DP
No Observatório da Sé, pessoas puderam visualizar o fenômeno em telescópios. Foto: Bruna Costa / Esp.DP

Quem olhou para o céu na noite desta quinta, deparou-se não com a lua de todos os dias, mas com um verdadeiro fenômeno, conhecido popularmente como Superlua. Hoje, o astro alcançou o ponto mais próximo da Terra em 2019, aparecendo maior e mais brilhante. Quem esteve em pontos como o Marco Zero, no Bairro do Recife, ou no Observatório da Sé, em Olinda, teve vislumbres privilegiados. Neste último, foram disponibilizados três telescópios de 150, 250 e 253 mm de diâmetro, para quem quisesse desfrutar de melhor observação.

Na astronomia, existem os termos de perigeu (maior aproximação) e apogeu (maior afastamento) da lua em relação ao centro da Terra. No primeiro, ela alcança o ápice desta proximidade a cada 14 meses lunares (o ciclo lunar é diferente do gregoriano, baseado no qual temos o nosso calendário. Um mês lunar tem cerca de 27 dias. Então, 14 meses lunares configuram cerca de 413 dias). Hoje, a lua esteve a 356.761 quilômetros do nosso planeta, a menor distância a ser atingida em 2019, por volta das 6h02h, antes mesmo de se tornar visível no Recife. À noite, entretanto, seu brilho e tamanho estavam diferenciados. "O aumento é de cerca de 14% no diâmetro e 30% no brilho em relação ao momento em que a lua está no ponto mais distante do planeta, o apogeu", explica Cleiton Batista, coordenador do Observatório da Sé, também biólogo e astrônomo amador. A comparação se faz em relação ao apogeu e não aos períodos “rotineiros” da lua porque não há como calcular as distâncias ditas regulares. “O apogeu tem uma média de distância que nunca ultrapassa este valor, é constante. No dia a dia, entretanto, isto pode alterar bastante”, explica Cleiton. 

Várias pessoas observaram a Superlua do ponto estratégico do Alto da Sé. Algumas só souberam do fenômeno ao chegar ao local enquanto outras foram especialmente para observá-lo. Os amigos José Itamar, 53, e Jerôme Joly, 46, são visitantes frequentes do local. “Sou fotógrafo e estou por aqui aproximadamente três vezes por semana porque gosto de fazer registros daqui e hoje, esta lua está simplesmente magnífica”, afirma José Itamar. Já o taxista francês Jerôme tem um motivo bastante especial para admirar o astro frequentemente. “Tenho um filho de 22 anos que mora na França e combinamos de sempre observarmos o céu ao mesmo tempo, cada um em seu país, quando é lua cheia. Hoje, certamente, estamos juntos de alguma forma novamente”, relata.

Já a turista Carolina Gama, 39, moradora de Campinas (SP) e de férias em Recife, visitava o Observatório junto com uma amiga canadense. Ela conta que sempre teve a impressão de que a lua era vista de perspectiva diferente, como se estivesse de ponta cabeça, no Canadá. “É minha segunda vez na capital pernambucana e ainda não tinha vindo ao Observatório. Sorte a minha que ainda foi em dia de Superlua”, conta. Cleiton justifica a impressão sobre o posicionamento da lua apontado por Carolina. “Isto acontece porque há o movimento de rotação, do deslocamento destes astros e objetos, e também devido ao fuso horário”, explica.

Presentes também no Alto da Sé estavam Ester Rosal, 16, estudante e seu pai, o engenheiro Anderson Rosal, 51. “Minha filha fotografa. Então, viemos aqui especialmente para ver este fenômeno que superou nossas expectativas. Além da beleza da lua, em si, foi maravilhoso também devido à oportunidade de observar tudo com tranquilidade”, afirma.
 
 O Observatório da Sé, que fica no Alto da Sé, Centro Histórico de Olinda, é gerido pelo Espaço Ciência -  Museu Interativo de Ciência - vinculado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado. Funciona de terça a domingo, das 16h às 20h. Recebe, em média, cerca de 300 pessoas durante a semana e 500 ao final dela. 

Visualização dos Planetas 

Anualmente, é possível visualizar cinco planetas no Observatório. Em março, Marte, embora de forma menos explícita, visto que o planeta não reage tão positivamente à luz do sol, por ser composto por óxido de ferro. No final de abril, é a vez de Júpiter, enquanto Saturno, com seus anéis, passa a ser melhor visualizado no fim de maio. Nos meses de setembro e outubro, até meados de novembro, todos podem ser vistos ao mesmo tempo. 

Curiosidades 

A distância mais curta entre a lua e a Terra, do século XXI, foi observada em 14 de novembro de 2016: 356.509 km. A menor distância entre os astros acontecerá, novamente, em 25 de janeiro de 2034. Mais próximo dos dias atuais, a próxima lua cheia mais próxima da Terra irá ocorrer no dia 8 de abril de 2020. Em 14 de setembro, haverá a Lua Cheia de Apogeu, ou seja, o satélite atingirá o ponto mais distante do planeta. As superluas (termo criado em 1979) são antecedidas e sucedidas por uma “quase superlua”, que é quando este satélite alcança uma distância de cerca de 90% do ponto mais próximo à Terra. 


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