Estudo Pesquisa da UFPE confirma que carnaval de Olinda é marcado pela espontaneidade

Publicado em: 13/02/2019 14:29 Atualizado em: 13/02/2019 14:40

Foto: Ricardo Fernandes/DP.
Foto: Ricardo Fernandes/DP.
Famosa pelas ladeiras e pelos memoráveis bonecos gigantes, Olinda é reconhecida também por ter um dos maiores carnavais do mundo. Todos os anos, milhares de foliões brincam o carnaval na cidade. O engajamento dos foliões de Olinda não se resume apenas a curtir a festa. Existe também um viés gerencial do evento olindense, revelando uma intrincada relação de poder entre as diversas esferas decisórias, sejam institucionais ou espontâneas.

Essa foi a principal conclusão da pesquisadora Suélen Matozo Franco, doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal de Pernambuco (Propad/UFPE). Ela analisou, na tese No reinado de Momo, quem governa Olinda? - Governo, corpos e tecnologias políticas na organização do Carnaval de Olinda, as relações de poder envolvidas no evento. O trabaho foi orientado pelo professor André Luiz Maranhão de Souza Leão.

Em relação à segurança, a pesquisadora concluiu que o Estado mobiliza tecnologias de poder com vistas a aumentar os ganhos obtidos durante a realização do festejo. A pesquisa indica, ainda, uma centralidade da administração pública no que diz respeito à provisão de recursos para que o festejo aconteça por parte da população. "Esse aspecto revela a relação entre a disponibilidade de recursos e as demandas do festejo e aponta para aspectos como eficiência, pontos críticos e contingências", afirma.

Já quanto às relações de mercado, a autora entende que são elas tidas como um importante marcador que orienta a administração pública. "O retorno sobre os investimentos termina por delinear uma relação que se mostra de mão dupla entre governo e iniciativa privada, tendo como principal objetivo a perspectiva de ganho mútuo." 

Prêmio

A pesquisadora entende que as conclusões do estudo apontam para a complexidade organizacional do festejo,. "São reveladas práticas de governo tanto da gestão pública quanto dos grupos de interesses diversos que integram o folguedo e novas racionalidades de governo ao longo das décadas", explica.

Ela usou uma abordagem qualitativa e parcialmente indutiva, baseada na teoria do filósofo francês Michel Foucault sobre o poder como lente para observação de um fenômeno. "Queríamos investigar como a organização do carnaval olindense era perpassada pelas relações de poder. Assim, foi necessário um recorte temporal que permitisse apreender as transformações. Por isso, investigamos quatro carnavais que distavam uma década entre si: 1986, 1996, 2006 e 2016", detalha.

O trabalho também usou dados da cobertura jornalística de jornais do estado, como o Diario de Pernambuco. As informações coletadas foram submetidas à Análise de Discurso Foucaultiana (ADF), por meio de um protocolo de análise sistematizado pelo orientador da pesquisa, que utilizou como base a obra Arqueologia do Saber, de Foucault.

O estudo, que recebeu o apoio da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Facepe), foi eleito pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) como uma das 49 melhores teses defendidas em 2017, ficando como primeira colocada na área de concentração de administração pública e de empresas, ciências contábeis e turismo. O prêmio foi entregue no dia 13 de dezembro de 2018, em Brasília.



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