Tecnologias Atividades agrícolas e industriais contaminam solos pernambucanos com metais pesados

Publicado em: 07/02/2019 17:25 Atualizado em:

Devido a sua relação direta com a saúde humana, a contaminação de solos é, atualmente, uma das maiores preocupações ambientais. Embasada na questão e objetivando conhecer o impacto ambiental dos contaminantes no solo em Pernambuco, especificamente os metais pesados, a doutora em Dosimetria e Instrumentação Nuclear Zahily Herrero Fernández elaborou um mapa que aponta a distribuição espacial desses elementos no Estado. A tese "Análise de metais pesados em solos de Pernambuco com diferentes atividades antrópicas” foi defendida em 2017 no Programa de Pós-Graduação em Tecnologias Energéticas e Nucleares da UFPE.

Para a pesquisa, foram coletadas 316 amostras em 92 pontos e os resultados apontam que o solo pernambucano contém silício, alumínio, ferro, potássio, titânio, magnésio, cálcio, manganês, estrôncio, zinco, chumbo e níquel, numa ordem decrescente quanto ao teor encontrado. “Estes resultados são similares aos de outros países; no entanto, quando comparados os valores obtidos com os critérios estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), os solos foram classificados como Classe 2, uma vez que as concentrações de Ni, Pb e Zn foram maiores do que os Valores de Referência de Qualidade (VQR) e menores que os Valores de Prevenção (VP)”, analisa a autora. A classificação, que vai até o nível 4, sobe de número em função da qualidade dos solos, segundo a concentração de substâncias químicas.

No estudo da comparação dos níveis de metais pesados e do uso de cobertura do solo, as maiores concentrações de alumínio, nitrato, chumbo e zinco foram registradas em solos usados para o cultivo de cana-de-açúcar na Zona da Mata; já a presença de cálcio, ferro, potássio e titânio foi maior em solos destinados a outras culturas. “Os solos urbanos apresentaram maiores concentrações para manganês, silício e estrôncio, e a partir dos resultados obtidos, foram elaborados mapas de distribuição espacial, representando os componentes principais, relacionando os elementos com fontes naturais e antropogênicas”, afirma Zahily.

A tese, orientada pelo professor José Araújo dos Santos Júnior, da área de Dosimetria e Instrumentação Nuclear do Departamento de Energia Nuclear da UFPE, e coorientada pela professora Edvane Borges da Silva, do Centro Acadêmico de Vitória (CAV) da UFPE, ainda apontou os níveis de poluição dos metais nos solos de Pernambuco, fornecendo evidências quantitativas e demonstrando a necessidade de melhorar a regulamentação das atividades agrícolas e industriais, promover condições favoráveis para recuperação de áreas contaminadas e degradadas, assim como contribuir para outros estudos ambientais na região. 

CAUSAS - Segundo o estudo, os fertilizantes, pesticidas, usinas de energia, queima de combustíveis por automóveis e indústria metalúrgica são algumas das principais fontes de contaminação dos solos com metais pesados, além de causarem impacto de forma negativa ao desenvolvimento de atividades humanas voltadas ao consumo de água e alimentos e, consequentemente, na saúde das populações. “A contaminação por metais pesados geralmente é uma bomba química que age com o tempo, por ser incolor e inodora e, portanto, difícil de ser notada”, destaca Zahily, e acrescenta: “Quando excede a tolerância ambiental, ou quando as condições ambientais são alteradas, os metais pesados no solo podem causar graves danos ecológicos.” Por essa razão, estes elementos representam um dos grupos de poluentes ambientais sujeitos a grande investigação e preocupação, principalmente devido à sua mobilidade e aos níveis de concentrações em que eles começam a manifestar seus efeitos tóxicos.

A tese alerta que, nos solos urbanos, os metais pesados podem entrar no corpo humano através da absorção pela pele e inalação de poeira, causando danos, especialmente à saúde das crianças. Além de afetar também a qualidade do ambiente urbano e proporcionar danos para a saúde humana de forma indireta, através da poluição da água, da comida e da atmosfera. Dentre os efeitos diretos causados pela poluição por metais nos solos estão a redução do rendimento das colheitas e mudanças na composição dos produtos, com riscos para a saúde dos consumidores, pela incorporação de alguns metais na cadeia alimentar; e a diminuição qualitativa do crescimento das populações de microrganismos da fauna do solo ou alteração da sua diversidade, o que aumenta a fragilidade do sistema. “A intenção do estudo é, justamente, subsidiar políticas públicas de prevenção e mitigação dos efeitos negativos à qualidade de vida da população e dos seres vivos, em Pernambuco”, defende a pesquisadora.


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