Urbanismo Circuito da Poesia do Recife passará por reparos após o carnaval Ao todo, 17 estátuas representando artistas de diversas áreas formam o roteiro

Por: Anamaria Nascimento

Publicado em: 07/02/2019 07:30 Atualizado em: 07/02/2019 07:58

Esculturas são acompanhadas de placas com biografia e trechos de obras dos artistas representados. Foto: Bruna Costa/Esp. DP.
Esculturas são acompanhadas de placas com biografia e trechos de obras dos artistas representados. Foto: Bruna Costa/Esp. DP.
O Circuito da Poesia do Recife, formado por 17 esculturas de artistas pernambucanos ou que viveram no estado, vai passar por manutenção após o carnaval. A Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb), responsável pela manutenção das estátuas, informou que um levantamento será feito nas obras após o período carnavalesco para programar o serviço de restauro. O artista plástico Demétrio Albuquerque, que assina as esculturas, pretende ainda "interiorizar" o projeto para os bairros de outras regiões do Recife além da área central, onde estão concentradas mais de 90% das obras. Apenas de estátua de Celina de Holanda, inaugurada em 2017, está fora do Centro e foi instalada na Torre.

Demétrio pretende levar para bairros como Casa Amarela, na Zona Norte do Recife, o projeto já consolidado na região central. "A ideia é representar figuras importantes para os bairros e aproximar o circuito da população de outras áreas", pontua. Além de ter esculpido as 17 figuras representadas no Circuito da Poesia, o artista plástico é responsável também pela obra que retrata Mestre Vitalino e está instalada em Caruaru, no Agreste do estado.

Entre 2005 e 2007, ele criou e instalou 12 estátuas. Nessa primeira etapa, foram representados Manoel Bandeira (Rua da Aurora); João Cabral de Melo Neto (Rua da Aurora); Capiba (Rua do Sol); Carlos Pena Filho (Praça da Independência); Clarice Lispector (Praça Maciel Pinheiro); Antônio Maria (Rua do Bom Jesus); Ascenso Ferreira (Cais da Alfândega); Chico Science (Rua da Moeda); Solano Trindade (Pátio de São Pedro); Luiz Gonzaga (Praça Mauá); Mário Mota (Pátio do Sebo); Joaquim Cardozo (Ponte Maurício de Nassau).

Uma década depois, em 2017, o circuito ganhou outras cinco estátuas: Ariano Suassuna (Rua da Aurora); Alberto da Cunha Melo (Parque 13 de Maio), Celina de Holanda (Avenida Beira Rio); Liêdo Maranhão (Praça Dom Vital) e Naná Vasconcelos (Marco Zero). Esta última, a mais recente, foi a primeira a ser instalada com um QR Code na placa para que o público tenha acesso a mais informações sobre o artista e sua obra. 

Todas as esculturas foram instaladas em locais que se relacionam à história ou ao trabalho do artista representado. "Clarice está na Praça Maciel Pinheiro, perto da casa onde morou na infância. Mauro Mota fica na Praça do Sebo, que acabou ganhando uma nova vida após a instalação da escultura. João Cabral de Melo Neto olha para o Rio Capibaribe, que escreveu em O cão sem plumas e Morte vida Severina", explicou Demétrio.

O Diario fez o roteiro e visitou as 17 estátuas. A maioria está bem conservada, mas algumas apresentam rachaduras, como a de Carlos Pena Filho, João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira. Outras têm situação mais grave, como a de Ascenso Ferreira, no Cais da Alfândega. Além de estar com o revestimento desgastado, fezes humanas no ponto de luz da obra afastavam os visitantes. Em outros casos, como na de Capiba e na Manuel Bandeira, a placa com informações sobre o artista e sua obra estava pichaada ou ilegível.  

Sobre a manutenção das obras, a Emlurb informou que ela "é feita após a constatação de dano causado aos monumentos, geralmente por atos de vandalismo. Nossa equipe realiza rondas periódicas e também recebemos demandas através da central 156. Até o momento, não temos programada a inclusão de uma nova obra no circuito".

A Emlurb lamentou ainda que atos de vandalismo danifiquem as obras de arte espalhadas pela cidade. "Os atos de vandalismo causam prejuízos milionários à administração municipal. Somente para recuperar monumentos, pontes e edificações públicas que sofreram ações  de  pichação e  vandalismo, por exemplo, a Prefeitura do Recife chega a gastar aproximadamente R$ 2 milhões por ano", pontuou o órgão.

Demétrio ressaltou que, apesar dos casos de vandalismo, as obras são mais apreciadas do que destruídas pela população. "Professores de literatura de várias região do estado vêm ao Recife para dar aula sobre esses artistas e relacionar as esculturas com a história da cidade; roteiros turísticos foram criados para que as pessoas conheçam os pontos onde elas estão instaladas. Isso mostra que o balanço, no fim das contas, é positivo", afirma. 

Veja onde estão as estátuas do Circuito da Poesia e conheça os artistas representados: 

 



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