Monitoramento Governo descarta risco de rompimento de barragens em Pernambuco Corpo técnico irá monitorar as principais barragens do estado e planejar manutenção

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 31/01/2019 12:15 Atualizado em: 31/01/2019 14:01

Grupo irá monitorar as barragens pernambucanas até o próximo mês de junho.
Foto: Léo Malafaia/Esp.DP Foto. (Grupo irá monitorar as barragens pernambucanas até o próximo mês de junho.
Foto: Léo Malafaia/Esp.DP Foto.)
Grupo irá monitorar as barragens pernambucanas até o próximo mês de junho. Foto: Léo Malafaia/Esp.DP Foto.

Até o próximo mês de junho o governo estadual irá monitorar todas as barragens localizadas em território pernambucano. Um grupo de trabalho foi formado por 29 profissionais das áreas de engenharia e geologia. O objetivo é realizar diagnósticos, atualização cadastral, produzir relatórios técnicos e criar planos de manutenção para os reservatórios. O monitoramento inicia pela Região Metropolitana do Recife e Mata Sul, que possuem maior concentração pluviométrica. O grupo de trabalho será formado pela Secretaria de Infraestrutura e Recursos Hídricos e de Infraestrutura, Compesa, Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), Secretarias de Meio Ambiente, Sustentabilidade, Desenvolvimento Agrário, Urbano e Habitação.

A formação do grupo foi divulgada após o Conselho Ministerial de Supervisão de Respostas a Desastre do Governo Federal publicar resolução determinando a fiscalização imediata de barramentos de diferentes finalidades que estejam enquadrados como Categoria de Risco alto ou com Dano Potencial Associado alto. A resolução foi publicada no último dia 29 e faz referência ao Relatório de Segurança de Barragens (RSB). Um total de 3.387 barramentos deverão ser vistoriados no país todo por seus respectivos órgãos fiscalizadores, de ordem federal e estadual.

Entre os reservatórios que aparecem com "alto dano potencial associado" no relatório da Agência Nacional de Águas (ANA) estão Jucazinho, que fica no município de Surubim, Tapacurá, em São Lourenço da Mata, Pirapama, no Cabo de Santo Agostinho e Serro Azul, localizada em Palmares. Todas essas são as barragens com maior volume do estado. Apesar dessa classificação, de acordo com a secretária estadual de Infraestrutura e Recursos Hídricos, Fernandha Batista,  não há risco de rompimento em Pernambuco.

Para ela, a classificação desses reservatórios não diz respeito a problemas de ordem estrutural e não se torna indicativo de que há possibilidade de rompimento. "Existe um relatório sendo veiculado sobre os riscos das barragens. Precisamos esclarecer que esse relatório se refere às características das barragens que não são atreladas à estrutura física. Então não existe dentro de cada relatório elaborado, risco de rompimento das barragens no estado de Pernambuco", esclareceu a secretária.

Segundo Fernandha, esse relatório foi coordenado e embasado pela ANA e trata de situações como, por exemplo, a localização das barragens e o porte. "Se é uma barragem de grande porte que tem um nível de acumulação considerável em termos de água, traz um alto risco potencial associado. Isso a gente pode comparar a uma estrada bem projetada, mas que se encontra no nível alto de uma montanha, por exemplo. O risco associado é por estar em uma montanha e não em termos de engenharia. Não há risco de rompimento", ilustra a secretária.

De acordo com a secretária estadual de Infraestrutura e Recursos Hídricos, Fernandha Batista, Pernambuco conta com uma política estadual de recursos hídricos consolidada.
Foto: Léo Malafaia/Esp.DP Foto. (De acordo com a secretária estadual de Infraestrutura e Recursos Hídricos, Fernandha Batista, Pernambuco conta com uma política estadual de recursos hídricos consolidada.
Foto: Léo Malafaia/Esp.DP Foto.)
De acordo com a secretária estadual de Infraestrutura e Recursos Hídricos, Fernandha Batista, Pernambuco conta com uma política estadual de recursos hídricos consolidada. Foto: Léo Malafaia/Esp.DP Foto.

A titular da pasta esclarece ainda que o estado conta com uma "política estadual de recursos hídricos bem consolidada", e que o monitoramento dessas barragens é realizado de maneira permanente. "Existem inspeções que são realizadas rotineiramente com equipe técnica com mais de 20 engenheiros atuando nesse sentido.Os trabalhos estão sendo monitorados, tanto no aspecto de abastecimento, que tem melhorado a cada ano. A situação de Brumadinho traz lições aprendidas por todos os estados e a gente decidiu intensificar as ações nesse sentido", justificou.

Foi ressaltada ainda a diferença entre a barragem que rompeu em Brumadinho (MG), e as barragens localizadas em pernambuco. "Precisamos tranquilizar a população com relação a esse tema. O que aconteceu é muito difícil, doloroso e causa comoção, mas há uma diferença significativa entre as barragens. Pernambuco não tem barragens de rejeitos. Guando a gente trata de uma barragem de acúmulo de água, falamos de um tipo de projeto e obra que são elaborados em um formato diferente do que aconteceu em brumadinho. Todos os relatórios de inspeção e laudos técnicos de engenharia elaborados pela ANA e diversos órgãos não indicam possibilidade de rompimento das barragens de acúmulo de água.

Existem 442 barragens em Pernambucano. Todas elas são destinadas ao abastecimento de água, combate à seca, irrigação ou ainda regularização da vazão. Nenhuma delas é de rejeitos, como a barragem de Brumadinho, que rompeu no último dia 25 deixando, até agora, 99 mortos e mais de 200 desaparecidos. De todos os reservatórios de Pernambuco, 83 são de responsabilidade do estado, 97 são administradas pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (CODEVASF), 44 pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), 75 pela Compesa, 9 por prefeituras e outras 9 por órgãos privados.

De acordo com a Lei de Segurança das Barragens, todos esses reservatórios devem ser acompanhados com regularidade pela Apac. Mais de 70% das barragens do estado tem capacidade abaixo de 3 milhões de m² de água. Com relação à capacidade de acumulação de água, a maior parte (25%) é do governo estadual, enquanto 22% fica com o DNOCS, 19% com a Compesa e 6% com a CODEVASF.

Risco ao Rio São Francisco
Na próxima segunda-feira (4), uma conferência irá discutir sobre os riscos de a lama de rejeitos que se espalhou após o rompimento da barragem da mina chegar ao Rio São Francisco. Na extensão do Rio Paraopeba até a foz do Rio São Francisco, foram instalados 45 pontos de monitoramento. Nesse trecho, há coletas diárias de água e de sedimentos para análises químicas para avaliar se houve contaminação.


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