Infância Conheça a história das três Marias, trigêmeas que precisam de ajuda em Olinda

Por: Patrícia Monteiro

Publicado em: 24/01/2019 07:00 Atualizado em: 24/01/2019 13:04

Meninas são cuidadas pela avó em casa no bairro de Aguazinha. Foto: Peu Ricardo/DP
Meninas são cuidadas pela avó em casa no bairro de Aguazinha. Foto: Peu Ricardo/DP
Um ano e três meses de idade e já órfãs de mãe. No bairro de Aguazinha, em Olinda, as trigêmeas Maria Fernanda, Maria Cecília e Maria Luna ainda chamam por Paula Assis do Desterro, que morreu em novembro de tuberculose, aos 35 anos. O pai, que aparece para visitas eventuais, aguarda o resultado de um exame de DNA que confirme a paternidade. Enquanto isso, a avó materna precisa urgentemente de ajuda para mantê-las.

Os cuidados com as meninas estão sob a responsabilidade de Eliane Fernandes de Assis, 62, mulher que gerou seis filhos, mas só tem ao seu lado, atualmente, um deles. Todos os outros morreram. Fabiano e Flaviano, gêmeos, tiveram broncopneumonia e tuberculose, respectivamente (um aos 23 dias de vida, outros aos 17 anos). Flávio foi assassinado aos 19. Fábia foi a última a falecer antes de Paula, também aos 35 anos, vítima de um aneurisma. Assim, restaram a Eliane sua filha Flávia e 11 netos.

Paula Fernanda morava na Campina do Barreto, no Recife, com as trigêmeas e mais três filhos, de 18, 17 e 12 anos. Em uma casa quente e pequena, eles se dividiam em um quarto para as meninas e outro para os meninos. Eliane vivia com seu companheiro em Aguazinha. Com o falecimento de Paula, a avó alugou uma casa vizinha à sua para cuidar das trigêmeas, já que seu marido não queria os netos da esposa morando com eles. Uma casa simples, a precisar de reparos, mas espaçosa. Uma escada leva ao primeiro andar onde fica o quarto que a avó divide com as netas. Dois dos outros filhos de Paula, os que têm 17 e 18 anos, permaneceram no endereço antigo. O de 12 foi morar com o pai.

Com tanta gente por perto, Eliane até tem quem ajude na rotina com as trigêmeas. Maria Clara, a Clarinha, 12 anos, filha do ex-companheiro de Paula, sempre está por perto, ao mesmo tempo em que corre atrás do conteúdo perdido na escola por excesso de faltas. Ela conta ao Diario a rotina das Marias. “Às 5h, elas acordam. Às 9h, deitam-se novamente. Almoçam, depois lancham às 16h. Às 19h, tomam mingau e vão para a cama”, relata. Até o ano passado, a avó cuidava das meninas durante todo o dia e ia para a própria casa à noite. Era o momento em que Flávia, a única sobrevivente dos seis filhos de Eliane, dormia com as sobrinhas. Agora, a avó diabética e hipertensa cuida das pequenas em tempo integral. Flávia trabalha, tem três filhos e não pôde continuar com a cansativa rotina.

Vivendo com a pensão de um salário mínimo após a morte do ex-marido, Eliane conta com o auxílio da comunidade do entorno. Já recebeu roupas, fraldas e acredita que não precisa de tanto mais. Mas as contas pesam. O aluguel da casa em que as meninas vivem custa R$ 300. A cada dia, um pacote de fraldas é gasto, além de quatro pacotes de leite. Quem detalha os gastos é Thainan Kelly Assis Braga, neta de Eliane. “Por semana, gastamos uns dois pacotes grandes de sabão, já que minha avó busca lavar roupas todos os dias, se possível. Para que as meninas estejam sempre limpas. Elas também precisam de vitamina, frutas. Minha avó faz o que pode e cuida muito bem delas, mas há necessidades”, afirma, complementando que Eliane ainda ajuda no sustento dos outros filhos de Paula.

Iraci Vicente da Silva, amiga da família, procura mobilizar os vizinhos. “Já fiz campanha na igreja e entre os moradores para que as pessoas auxiliem mais”, destaca. Thainan conta que a ajuda médica, por exemplo, já chegou. O PSF 5 de Jardim Brasil disponibiliza agentes de saúde que visitam as meninas a cada dois dias, enquanto médicos a encontram semanalmente. 

 “Atualmente, minhas netas dormem comigo na única cama da casa. Até ganhamos colchões, mas não os móveis”, conta Eliane. Ela diz que receber doações da comunidade e de estranhos é uma alternativa, sim, mas se separar das netas, não. “Encaminhar à adoção estas meninas que são do meu mesmo sangue, não. Isso não faço de jeito nenhum”, conta.

Serviço
Quem quiser pode contribuir com doações em dinheiro diretamente na conta de Eliane:

Eliane Fernandes de Assis
Caixa Econômica Federal
Agência: 0048
Operação: 013
Número da Conta: 00193057-9
CPF: 256.005.084-68

Telefone de Dona Eliane -  (81) 98308.6239


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