Mobilidade Pesquisa de Origem Destino aponta o futuro do transporte público na Região Metropolitana Levantamento ouviu mais de 200 mil pessoas, mas não há previsão de projetos a médio e longo prazos para destravar o trânsito na RMR

Por: Rosália Vasconcelos

Publicado em: 10/01/2019 08:19 Atualizado em: 10/01/2019 08:24

Os dados da Pesquisa OD podem trazer algumas melhorias, a partir das informações e dos instrumentos legais disponíveis e da realidade das vias existentes.
Foto: Paulo Paiva/DP. (Os dados da Pesquisa OD podem trazer algumas melhorias, a partir das informações e dos instrumentos legais disponíveis e da realidade das vias existentes.
Foto: Paulo Paiva/DP.)
Os dados da Pesquisa OD podem trazer algumas melhorias, a partir das informações e dos instrumentos legais disponíveis e da realidade das vias existentes. Foto: Paulo Paiva/DP.

As informações produzidas pela Pesquisa de Origem Destino da Região Metropolitana do Recife podem não ser aproveitadas, a curto e médios prazos, para dar mais eficiência ao Sistema de Transporte Público de Passageiros (STPP) da RMR. 

Além de ser uma das principais ferramentas para a construção dos planos de mobilidade de cada uma das 15 cidades que formam a metrópole, a pesquisa OD é fundamental também para a elaboração do Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU), que estabelece as políticas públicas estruturadoras do sistema.

No entanto, segundo a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano (antiga Secretaria Estadual de Cidades) e o Grande Recife Consórcio, responsáveis pelo planejamento do sistema de transporte público da RMR, não há recursos, anteprojeto e prazos para a elaboração do PDTU. 

Na prática, significa dizer que os dados da Pesquisa OD da RMR podem trazer algumas melhorias, a partir das informações e dos instrumentos legais disponíveis e da realidade das vias existentes. Mas a população não pode esperar grandes mudanças estruturadoras que possam trazer uma reforma do sistema, como implantação e/ou supressão de linhas e itinerários, surgimento de novas rotas e a hibridez do Sistema Estrutural Integrado (SEI), com uma nova roupagem dos terminais integrados e a integração temporal (e não física, como acontece hoje) nos ônibus da RMR.

Essas reformas beneficiariam os 80% da população que utilizam o transporte público como principal forma de deslocamento para realizar suas atividades diárias, segundo a OD da RMR, cujos dados foram divulgados no último mês de dezembro. 

“Se o sistema viário é inflexível e não há recursos a médio prazo para investimentos em infraestrutura que beneficiem a mobilidade urbana, como construção de teleféricos, ampliação da rede de metrô, construção da 3ª Perimetral, entre outros, é preciso utilizar o que já está de disponível, como as Faixas Azuis, fazer uso da tecnologia para otimizar as rotas, etc. Foram mais de 20 anos sem as informações de como a população da Região Metropolitana do Recife se desloca e agora é possível fazer as melhorias possíveis”, defende o professor de engenharia civil na área de transportes da UFPE, Maurício Andrade. 

Para Thiago Mendonça, advogado do Centro Popular de Direitos Humanos, uma das entidades mais atuantes na luta por um transporte público de qualidade, muitas ações poderiam ser feitas no sistema para melhorar a experiência da maioria da população que anda de ônibus. “A eficiência do Sistema de Transporte Público da Região Metropolitana passa pela integração temporal. Hoje, as integrações só acontecem dentro dos terminais integrados, fazendo com que o passageiro tenha que fazer uma rota ainda maior, pegando mais congestionamento e sobrecarregando o próprio sistema.

O transporte é um direito social e a superlotação desumaniza o sistema na medida em que obriga os passageiros a disputar espaços minúsculos. E se desdobra em outros problemas como aumento do assédio sexual, furtos e coloca em risco a usabilidade por quem tem algum tipo de deficiência ou limitação. Andar de ônibus na RMR é um ato animalesco. Informações sobre itinerários e horários dos ônibus são fundamentais para a experiência dos usuários e tudo isso não precisa de grandes recursos para serem implementados”, destaca Thiago.


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