Funcionalidade Estruturas são pouco usadas, mesmo em bom estado Atual desenho das passarelas para pedestres provocam desconforto nos usuários e oferecem risco de assalto

Por: Rosália Vasconcelos

Publicado em: 04/01/2019 14:55 Atualizado em: 04/01/2019 16:39

 (Peu Ricardo/DP/DA Press.)
O abandono dos acessos para pedestres na BR-101 levanta a discussão, entre especialistas, sobre funcionalidade prática dessas estruturas no dia-a-dia da população. Muitos defendem que, mesmo quando os equipamentos estão em perfeito estado de conservação, não são devidamente utilizados pelas pessoas. Uma das razões é o risco sempre iminente de assalto e estupros em cima das passarelas. Mas o atual desenho geométrico das estruturas, com escadarias e rampas, também gera desconforto entre os usuários. 

No entanto, ainda não se chegou à conclusão de qual estrutura é mais conveniente para pedestres em rodovias largas como o trecho urbano da BR-101. “As escadas não são acessíveis a todos. E as rampas precisam de um longo comprimento para atingir uma inclinação adequada para subida, já que a distância de um lado a outro da rodovia é de 28 metros de pista. Chegamos a ter uma experiência interessante com a passarela da BR-101 localizada em frente ao Hospital das Clínicas, com a implantação dos elevadores, Funcionou muito bem mas foi extinto por problemas logísticos de administração do equipamento. E como a estrutura dessa passarela em frente ao HC era metálica e provisória e não estava em bom estado, foi retirada”, lembra o professor de engenharia civil da UFPE especialista em rodovias, Maurício Pina. 
 (Peu Ricardo/DP/DA Press.)


Segundo ele, em frente ao Hospital das Clínicas é a área do Contorno Recife com maior número de atropelamentos. São 62 mil veículos que trafegam ali diariamente e é impossível ao pedestre fazer uma travessia segura. “Fizemos uma pesquisa em que verificamos que um adulto sem restrições físicas consegue fazer a travessia em seis segundos em cada uma das quatro pistas, medindo a distância entre um carro e outro. Mas como o fluxo é intenso, não existe esse intervalo entre veículos”, afirma Pina. De acordo com o professor, muitos defendem que em locais de grande fluxo de veículos e pedestres, é melhor deixar quem está a pé no chão e construir elevados para a passagem de automóveis. “Cada caso é um caso. Em frente ao HC, se colocássemos um semáforo, por exemplo, longos congestionamentos seriam formados. Mas em outro trecho pode ser que funcione”, completa. 

O Dnit informou que, para a área em frente ao Hospital das Clínicas, está prevista a construção de nova passarela durante a obra de requalificação da BR-101 trecho Contorno Recife, executada pelo DER/PE mediante convênio firmado com o governo federal. Os serviços de recapeamento já foram concluídos em frente ao HC e atualmente a obra está na altura do km 80, em Jaboatão dos Guararapes.



Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.