Degradação O longo caminho entre dois pontos As passarelas da BR-101, no trecho conhecido como Contorno do Recife, estão em péssimo estado e oferecem risco aos pedestres e até para os motoristas

Por: Rosália Vasconcelos

Publicado em: 04/01/2019 14:49 Atualizado em: 04/01/2019 20:56

Passarelas da BR-101 no Contorno do Recife estão em estado deplorável. (Peu Ricardo/DP/DA Press.)
Passarelas da BR-101 no Contorno do Recife estão em estado deplorável.

O desabamento de pontes e travessias no Brasil quase sempre são tragédias anunciadas. Falta de manutenção, deterioração, abandono e uso de materiais inadequados na construção estão entre os principais relatos quando essas estruturas vêm abaixo. As passarelas da BR-101, no trecho conhecido como Contorno do Recife, estão em péssimo estado. Na travessia de pedestres do km 54, na altura do bairro de Paratibe, em Paulista, há, pelo menos, três anos a estrutura vem sendo sustentada por uma base de apoio de ferro para não desabar. No entanto, uma das ligas de ferro do estaiamento da ponte já caiu e não foi retirada do local, aumentando a possibilidade de alguém se machucar. Pouco restou do gradil de proteção do parapeito e o piso apresenta fissuras. 
Passarelas da BR-101 no Contorno do Recife estão em estado deplorável. (Peu Ricardo/DP/DA Press.)
Passarelas da BR-101 no Contorno do Recife estão em estado deplorável.

Nem é preciso utilizar a passarela para perceber o estado de degradação do acesso. No trecho da BR-101 entre os bairros da Guabiraba, no Recife, e Arthur Lundgren II, em Paulista, a situação das travessias de pedestre incomoda e assusta até para quem passa de carro, contrastando com a recente requalificação da rodovia. As estruturas são de responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit). 
Passarelas da BR-101 no Contorno do Recife estão em estado deplorável. (Peu Ricardo/DP/DA Press.)
Passarelas da BR-101 no Contorno do Recife estão em estado deplorável.

“Quem mora aqui tem dois medos. O de passar por cima da passarela, que virou ponto de droga e prostituição, sobretudo à noite. E o medo dela desabar. Havia dois apoios grandes para sustentar a passarela. Deixaram só um. Mas se ela cair, isso não segura”, informou o mecânico Junior Cavalcanti da Silva, 41 anos, que mora e trabalha em Paratibe. “Eu só atravesso a BR de carro e olhe que eu moro por aqui. Essa passarela só tinha movimento quando a fábrica da Santista funcionava aí”, lamentou o mecânico. 
Passarelas da BR-101 no Contorno do Recife estão em estado deplorável. (Peu Ricardo/DP/DA Press.)
Passarelas da BR-101 no Contorno do Recife estão em estado deplorável.

Quinhentos metros à frente, sentido Abreu e Lima, outra passarela para pedestres em estado crítico, em frente à fábrica Leon Heimer S/A. O mato tomou conta da subida da rampa nos dois lados da rodovia, impedindo completamente a travessia por meio desse acesso. “Hoje em dia não dá mais para subir, só por quem usa drogas, à noite, que se mete entre os matos. Mas quando a gente ainda conseguia usar a passarela, podíamos ver umas fissuras imensas no piso que dava para ver os carros passando por baixo. A sensação é de que a qualquer momento pode desabar”, relata o recepcionista Ícaro Freire, 18 anos, morador de Arthur Lundgren, em Paulista. Cerca de 55 mil veículos passam nesse trecho diariamente.

Inspeções

Passarelas da BR-101 no Contorno do Recife estão em estado deplorável. (Peu Ricardo/DP/DA Press.)
Passarelas da BR-101 no Contorno do Recife estão em estado deplorável.

Segundo a assessoria de comunicação do Dnit, as passarelas passam por inspeções rotineiras e foi feito um levantamento das necessidades de cada uma das estruturas do trecho da rodovia no Contorno Recife. “Após esse levantamento, encontram-se em fase de conclusão os anteprojetos visando a recuperação dos dispositivos de travessia de pedestres localizados no km 69,2 (Engenho do Meio), no km 70,90 (Ceasa) e no km 76,9 (Ibura) da BR-101/PE, trecho Ponte dos Carvalhos e Igarassu, cuja finalização permitirá a contratação, mediante licitação, de projeto e sua posterior execução, motivo pelo qual não é possível, no momento, definir uma data para o início dos serviços”, informou o Dnit. O órgão, contudo, não citou as passarelas do km 54 da BR-101, trecho com o maior número de mortes provocadas por atropelamento.


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