ORGULHO DE PERNAMBUCO Magrão passou dificuldades financeiras até chegar ao Sport, onde se tornou um símbolo de fidelidade e profissionalismo O ídolo rubro-negro recebeu o prêmio Orgulho de Pernambuco na categoria Esportes, após votação popular

Por: Yago Mendes - Superesportes

Publicado em: 22/12/2018 10:53 Atualizado em: 22/12/2018 11:20

Antes de chegar ao patamar de ídolo em que se encontra, o atleta passou por situações complicadas no futebol. Foto: Anderson Freire / Sport Club do Recife
Antes de chegar ao patamar de ídolo em que se encontra, o atleta passou por situações complicadas no futebol. Foto: Anderson Freire / Sport Club do Recife

Nascido Alessandro Beti Rosa, no estado de São Paulo, o goleiro Magrão completou em 2018 a 14ª temporada jogando com a camisa do Sport. Neste tempo, além de ter completado a marca de 725 jogos pela equipe - jogador que mais vestiu a camisa do Leão na história -, o arqueiro virou sinônimo de fidelidade, profissionalismo e respeito para os torcedores pernambucanos, excedendo as barreiras da rivalidade. Tanto que recebeu o prêmio Orgulho de Pernambuco na categoria Esportes, após votação popular.

Antes de chegar ao patamar de ídolo em que se encontra, o atleta passou por situações complicadas no futebol. Fã do lendário goleiro corintiano Ronaldo Giovanelli e torcedor do alvinegro paulista durante a juventude, Magrão foi fã de heavy e teve algumas experiências com drogas, quando frequentava torcidas organizadas. Fatos que prefere não esconder para servir de exemplo aos mais jovens. “Tive amizades erradas dentro de torcida. A gente sabe que não é todo torcedor ‘organizado’ que é mau caráter e não presta. É uma minoria. E dentro dessa minoria comecei a ter contato. Através deles e de shows de rock comecei a experimentar algumas drogas e ter algumas experiências. Não foram muitas, mas tive”, contou em entrevista ao Superesportes, em 2015.

Foi o contato com a fé que o fez mudar de rumo e voltar para o foco na carreira.  “A lição é que isso não serve. Alguns amigos tiveram fim trágico e isso não leva a nada, só a um caminho de destruição. Graças a Deus tive contato com pessoas que me levaram para os caminhos certos. E hoje agradeço muito a Deus por não ter entrado de cabeça nesse caminho, pois hoje eu não estaria aqui”, conta o atleta que fez parte das reuniões do grupo Atletas de Cristo, que reunia jogadores evangélicos na capital pernambucana.  

A carreira começou em 1997, no Nacional-SP, clube que atualmente disputa a série A2 do Campeonato Paulista. Durante sua trajetória, passou por diversos clubes como Botafogo-SP, Portuguesa, Ceará, Fortaleza e Rio Branco-SP, até ser pedido pelo técnico Zé Teodoro e chegar ao Sport, clube onde além do reconhecimento esportivo, alcançou a estabilidade financeira. “Já passei muito aperreio, tanto que cheguei a colocar quatro clubes na justiça. O único clube que me deu uma segurança financeira foi o Sport”, contou ao canal Desimpedidos.

Considerado por muitos o maior ídolo da história do clube, Magrão é constantemente homenageado por rubro-negros. São inúmeras as histórias de tatuagens feitas em alusão ao goleiro, além de pedidos para a construção de uma estátua do jogador, como forma de imortalizá-lo na Ilha do Retiro.

Respeitado também pelas torcidas adversárias, o “Buffon do Nordeste”, como Magrão foi apelidado pelo ex-jogador e comentarista Ricardo Rocha, ganhou oito títulos com a camisa do Leão, sendo seis campeonatos estaduais, uma Copa do Nordeste e a Copa do Brasil de 2008, uma das maiores conquistas do clube. 
Em outubro deste ano, Magrão sofreu uma fratura no braço e acabou ficando fora da reta final da Série A e assistindo como torcedor,  o jovem goleiro Mailson, que tem ‘Seu Magrão’ como ídolo, assumir a titularidade da meta rubro-negra para os últimos nove jogos do brasileirão. 

“Ficar como torcedor é complicado.  A situação dentro de campo pode estar complicada, mas quando você está lá, sabe que pode resolver. Fora ficamos limitados apenas a torcer. Quanto ao Mailson, ele é um goleiro jovem e que tem muita tranquilidade e que vai muito bem nos treinos. E quando se vai bem nos treinos, para levar pro jogo é mais fácil”, comentou Magrão.

O Magrão "paizão" que inspirou os dois filhos

Quando não está usando as luvas, Magrão tem cada vez mais se encaixado em uma categoria diferente da sua visão habitual no mundo do futebol. Com 21 anos atuando como profissional, o arqueiro de 41 anos inspirou os filhos a seguir carreira no esporte. O jogador que foi o mais velho a atuar na Série A do Campeonato Brasileiro de 2018, tem acompanhado de perto o início da carreira dos filhos Lucas e Rafael. 

Apesar de saber das dificuldades que a carreira do futebol impõe, Magrão sempre apoiou o desejo dos filhos. O mais velho, Lucas, de 18 anos, é lateral direito e está jogando no Valgatara, clube da quarta divisão italiana, enquanto que Rafael, é goleiro como o pai e está no time sub-17 das divisões de base do São Paulo. 
Sempre que pode, Magrão vai visitar Rafael. Normalmente, quando o Sport está jogando em São Paulo. Após a lesão, o arqueiro foi visitar o filho e aproveitou para ver uma partida de Rafael pelo Tricolor Paulista, que tem como ídolos, Rogério Ceni e o próprio pai. “Meu pai fala que goleiro tem de ser tranquilo, tem de passar confiança aos companheiros, então eu procuro sempre ser assim também, como ele é”, disse Rafael, em entrevista ao Estado de São Paulo. 

O contato com Lucas é mais complicado, já que ele joga na Itália. A forma de matar as saudades é conversando por telefone. Atualmente, com o final da temporada e as férias do goleiro rubro-negro, a família se encontra na Itália para gravações do filme que está sendo gravado sobre a história da sua vida. 
Porém, não só de jogadores de futebol é composta a família Beti Rosa. A filha mais velha de Magrão, Gabriela, é formada em direito e está se preparando para tentar o mestrado na Europa. 

Com o fim da carreira se aproximando, a pretensão de Magrão parece ser acompanhar o crescimento profissional dos filhos. O futuro como treinador não é muito atrativo para o ídolo do Sport. “É uma profissão muito difícil de seguir. Você perde três ou quatro jogos e já está na corda bamba, perto de ir embora. A família sofre com isso, é ruim”, explicou o goleiro.


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