crime Professor norte-americano pode ser abusador serial e ter envolvimento com rede de prostituição infantil O homem foi preso por fazer programa com menina de 11 anos, agenciada por outra, de 13 anos

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 22/12/2018 10:31 Atualizado em:

Perron confirma o crime, mas garante que não sabia a idade da garota. Foto: Polícia Civil/Divulgação
Perron confirma o crime, mas garante que não sabia a idade da garota. Foto: Polícia Civil/Divulgação

O professor norte-americano Paul Steven Perron, 55 anos, foi preso em flagrante na manhã de sexta-feira, no flat onde reside em Boa Viagem, sob suspeita de estupro de uma garota de 11 anos. Ele teve a prisão preventiva decretada no fim da tarde, durante audiência de custódia realizada no Fórum Rodolfo Aureliano, na Ilha Joana Bezerra, e foi encaminhado ao Cotel. A Polícia Civil o descreveu como um “serial do sexo” e investiga sua participação em uma rede de prostituição infantil.

Pela manhã, ao ser conduzido à Delegacia Seccional do bairro pela titular, Beatriz Leite, o professor de inglês confirmou, durante o interrogatório com a presença de um representante do Consulado Americano, ter feito um programa com a menina na quinta-feira pela manhã na casa dele. O estrangeiro disse que pagou R$ 350 à criança e que não sabia que ela era menor de idade. Perron acrescentou que ofereceu bebida alcoólica à menina e que a relação foi consensual. O professor afirmou ainda já ter feito programas com outras garotas.   

A delegada solicitou ao Tribunal de Justiça de Pernambuco a prisão preventiva do professor por 30 dias, para poder robustecer o inquérito, assim como a apreensão do seu passaporte. Beatriz Leite afirmou que o norte-americano, que é viúvo, estava com passagem marcada para a sexta-feira, com destino aos Estados Unidos, onde passaria as festas de fim de ano com familiares. 

A delegada comentou também que após o interrogatório ele e a criança foram levados para o Instituto de Medicina Legal (IML) onde se submeteram a exames sexológicos e que ao fim da coleta do material orgânico a menor seguiu com os pais para sua casa na comunidade do Bode, no Pina, enquanto o acusado ficou detido aguardando a audiência de custódia. O crime está sendo qualificado como estupro de vulnerável, embora tenha havido o consentimento da vítima. No momento da prisão, Perron estava na cama em companhia  de uma jovem que informou aos policiais ser maior de idade. 

De acordo com Beatriz Leite, a denúncia do estupro chegou ao conhecimento da Polícia Civil através dos pais da menina. “Eles nos procuraram aflitos e bastante preocupados. Disseram que tudo começou com uma foto dela publicada no Instagram exibindo um copo com cerveja nas dependências de um flat. Emocionados, garantiram não acreditar no que estavam vendo. Quando ela chegou em casa de imediato a interrogaram e   ficaram mais surpresos quando souberam do dinheiro que ela havia recebido para participar do que chamou de programa sexual, intermediado por uma colega dela de 13 anos. Além de nos procurar, foram também ao Conselho Tutelar”, contou Beatriz. 

A delegada disse ainda que a menor confessou tudo aos pais e repetiu à polícia o relato do que havia acontecido. “Ela garantiu ter sido a primeira vez que se submetera àquela situação e que só aceitou o convite da amiga, que mora no mesmo bairro, porque estava querendo comprar uma roupa nova para vestir no Natal. Contou que ao chegar à residência do professor tentou desistir, por achá-lo feio e velho. Mesmo assim a vizinha a fez mudar de ideia. Ela relutou, mas acabou aceitando a proposta”. 

Segundo vítima, a colega de 13 anos já fez programas com o professor e ficou com R$ 450. Soubemos que por cada jovem que a garota leva para o senhor Paul  Perron, recebe R$ 100. Embora com 13 anos, essa menina pode ser uma agenciadora. Apesar de procurarmos, ainda não conseguimos encontrá-la. Mas é questão de horas, pois vamos continuar investigando o caso.” 

A Polícia Civil também ouviu a gerente do residencial onde Perron ocupa um dos oito apartamentos alugados pela Escola Americana do Recife – onde ele dá aulas - desde julho do ano passado. “De acordo com a funcionária, o professor tinha o hábito de receber jovens, meninas, pessoas amigas e que, como convidadas, não precisavam se identificar. Ela falou que ele pagava as corridas, tanto de táxi quanto de Uber. Na verdade ele tem um perfil de pedófilo. Nas suas redes sociais, por exemplo, a maioria dos amigos são mulheres, aparentemente jovens e adolescentes”, afirmou a delegada.
 
Viagens constantes a destinos de turismo sexual
 
Segundo Beatriz Leite, o que mais chamou a atenção da Polícia foi a quantidade de carimbos no passaporte do norte-americano, comprovando grande quantidade de viagens feitas para a Malásia, Filipinas e países da África conhecidos por serem rota de turismo sexual. Na opinião do delegado Joselito Kehrle, chefe da Polícia Civil, o professor Paul Steven Perron tem um perfil de serial do sexo. Em momento algum, o suspeito negou as acusações. “Com isso esperamos obter mais informações durante as investigações que apenas começaram. Apelamos para outras garotas, adolescentes, jovens que foram abusadas ou mantiveram alguma relação com ele, para denunciá-los.” 

Em nota encaminhada à imprensa no fim da tarde, a Escola Americana do Recife informa que “está consternada com a notícia das investigações policiais envolvendo o senhor Paul Perron e que está à disposição para colaborar com as investigações.” A escola informou também que de imediato, Perron foi afastado de qualquer função relacionada à instituição.” 

“Nossa comunidade escolar é fundada sobre a comunicação aberta e o respeito mútuo. É nossa responsabilidade fazer contribuições positivas para a sociedade. Reiteramos o comprometimento da instituição com a contratação dos seus profissionais através de um processo seletivo rigoroso”, completa o comunicado. 
O Consulado Geral dos Estados Unidos, também através de nota, afirmou ter tomado conhecimento da prisão do cidadão norte-americano mas que não estava autorizado a dar detalhes específicos sobre o caso para a imprensa. 


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