dp nos municípios Ilha da Amizade: Um espaço na beira mar de Olinda A ilha é resultado de um banco de areia formado depois de abertura feita em um dos diques de pedra erguidos na orla, e teve coqueiros plantados no local

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 21/12/2018 09:24 Atualizado em:

O banco de areia virou um atrativo para visitantes que chegam ao local de barco. Foto:Nando Chiappetta/DP
O banco de areia virou um atrativo para visitantes que chegam ao local de barco. Foto:Nando Chiappetta/DP
Os irmãos Rosane Rizzo, 40 anos, e Ademar Barbosa Júnior, 39 anos, atracaram no Porto do Recife depois de cinco dias viajando da Europa para o Brasil em um cruzeiro. Ao chegar em terras pernambucanas, eles decidiram visitar nas poucas horas no estado as praias de Olinda. O destino pouco usual veio acompanhado de uma surpresa. Eles encontraram um lugar paradisíaco, uma faixa de areia só para eles na imensidão da orla metropolitana. É uma espécie de ilha escondida nos nove quilômetros de costa olindense que deverá, em breve, passar por uma reestruturação para ser vitrine do turismo de praia da Região Metropolitana. 

Olinda recebe, em média, 20 mil visitantes por mês na baixa temporada e cerca de 100 mil na alta. No carnaval, quando atinge o ápice da visitação, chegam a passar pela cidade 3,2 milhões de visitantes, de 74 países diferentes. Porém, poucos deles escolhem as praias da cidade como um atrativo turístico. “Em Olinda, há a riqueza cultural, o patrimônio belíssimo, mas não se costuma ter o sol e o mar, algo que quem vem para o Nordeste também busca”, reconheceu o secretário de Patrimônio, Cultura, Turismo e Desenvolvimento Econômico da cidade, João Luiz da Silva Júnior.

Essa também é considerada uma preocupação dos empresários e da rede hoteleira do município. “Nós que fazemos o turismo daqui sabemos da carência de uso das praias para quem vem de fora, como o Sul e o Sudeste. Tanto Olinda como Recife têm dificuldades nesse sentido. A questão do tubarão não é bem explicada e fragiliza o turismo de praia”, explicou o empresário e diretor da Associação de Empreendedores do Sítio Histórico de Olinda (Aesho), Kleber Dantas. Essa inquietude levou a prefeitura e os empresários a iniciarem a prospecção de um projeto de resgate do desejo dos turistas de conhecer as praias urbanas do estado, cuja imagem vem sendo desgastada ao longo dos anos por fatores como desorganização, violência e até mesmo os ataques de tubarão. 

Para isso, eles atracaram no mesmo paraíso perdido onde chegaram os irmãos Rosane e Ademar, a Ilha da Amizade. O espaço, que na verdade é um banco de areia formado depois de abertura feita em um dos diques de pedra erguidos na orla, hoje tem apenas dois bancos de concreto e um de madeira, além de um espaço sombreado composto por coqueiros instalados pelo velejador José Santiago, 69, conhecido como Beré. “Geralmente, ofereço ao pessoal a travessia para a ilha. Em fins de semana, costumo levar cerca de 80 pessoas para lá”, disse. Foi assim que chegaram Rosane e Ademar. “O mar daqui não tem comparação, é muito bom. E ainda encontramos esse lugar, como se fosse uma ilha paradisíaca. Só nosso durante o tempo que estivemos aqui”, disse Rosane. “Daqui, a gente conseguiu ter outro olhar sobre a cidade”, disse Ademar. 

A Ilha da Amizade será utilizada como experimento de ordenamento da praia a partir de um projeto de cocriação entre o poder público e o privado. A ideia é criar um sistema de autogestão do espaço, que possa promover o turismo e, ao mesmo tempo, garantir a preservação da natureza. “Percebemos que o ambiente é frágil, que não comportaria mais de 200 pessoas por vez. Então, decidimos estruturar um projeto para uso do espaço”, acrescentou Kleber Dantas.

A proposta é oferecer uma faixa de areia com infraestrutura de guarda-sol e cadeiras e utilizar um catamarã de suporte para colocação e retirada dos objetos. A embarcação também será responsável pelo serviço de bar e de banheiros. Haverá controle de lotação máxima de pessoas com o objetivo de reduzir os impactos ambientais. Toda a manutenção e a limpeza ficará a cargo da iniciativa privada. E o município está pleiteando junto à secretaria de patrimônio da União a gestão da praia.

Orla terá reordenamento

Um dos problemas mais reclamados pelos frequentadores das praias de Olinda é a falta de organização, o que contribuiu para a disposição irregular do comércio e a sujeira frequente. Uma das ideias em planejamento no município é mudar essa realidade, através de um projeto de reordenamento da orla. Ainda em fase de estudos e sem data para ser aplicada, a proposta visa padronizar os equipamentos, fazer uma divisão de uso e ocupação da faixa de areia e garantir  mais conforto.

Beré, que mantém um projeto social e ambiental na orla há 43 anos, recorda bem o resultado de seis meses coletando tampinhas de garrafa na areia da praia. “Juntei dois barris com 80 mil tampas. Falta muita limpeza e consciência de quem trabalha com comércio por aqui”, comentou. A ideia da prefeitura é estancar o problema por meio do reordenamento. “Proposta é a padronização do material dos barraqueiros, com cadeiras e guarda-sóis que possam ser retirados e colocados todos os dias”, disse o secretário de Patrimônio João Luiz.


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