infecção Médico diz que houve síndrome tóxica em caso de pacientes que perderam a visão após cirurgia de catarata MPPE oficiou clínica responsável por cirurgias de catarata e Secretaria de Saúde do Recife para dar explicações sobre perda de visão sofrida por pacientes

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 20/12/2018 09:23 Atualizado em:

Pelo menos 15 pacientes tiveram problemas após fazer operação em clínica. Foto: Gabriel Melo / Esp. DP
Pelo menos 15 pacientes tiveram problemas após fazer operação em clínica. Foto: Gabriel Melo / Esp. DP
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) oficiou a Secretaria de Saúde do Recife e os responsáveis técnicos pela clínica onde foram realizadas as cirurgias de catarata cujos resultados levaram a denúncias sobre supostas infecções. A partir disso, os órgãos terão dez dias para prestar esclarecimentos sobre o que pode ter levado pacientes a ficarem com a visão escura após o procedimento. Em entrevista ao Diario, o responsável técnico pelo posto Oftalmologistas Associados, o professor e pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Francisco Cordeiro garantiu que não houve infecção nos olhos cirurgiados, mas uma síndrome tóxica do segmento anterior, ou seja, uma inflamação pós-operatória.

De acordo com ele, logo após o ocorrido, foram tomadas as providências para investigação. “Foram feitas todas as condutas possíveis e imagináveis, mas a ciência não mostrou nenhum sinal de infecção. Os pacientes, inclusive, já tinham feito antes a cirurgia no outro olho e tiveram bons resultados. O processo infeccioso não existe ou foi curado no primeiro dia, quando houve a prescrição de antibióticos”, comentou o médico. 

O profissional voltou a ressaltar a qualidade técnica do médico que realizou as cirurgias e ressaltou que tem trabalhado dia e noite, desde as cirurgias, acompanhando os pacientes. “Meu objetivo é o reestabelecimento desses pacientes. Quero ser humilde para que eles tenham o melhor resultado possível dentro de 10 a 15 dias”, disse ele, que prometeu esclarecer pessoalmente com o MPPE o caso.

O presidente do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), Mário Fernando da Silva Lins, explicou que nem sempre casos relacionados a denúncias pós-procedimentos têm correlação com a conduta profissional. Podem também estar vinculados à contaminação de produtos utilizados nos estabelecimentos. 

“Os médicos nem sempre têm como saber previamente disso. Cabe às organizações de vigilância sanitária investigar. Da nossa parte, cabe apurar a responsabilidade do médico”, comentou. Segundo ele, qualquer sindicância aberta pelo Conselho corre sob sigilo. “Temos 180 dias para concluir, podendo prorrogar por mais 180. Depois de analisado é que decidimos se abrimos um processo ético-profissional. Temos que ouvir os dois lados, o do denunciante e o do denunciado.”

Mário Fernando da Silva Lins aproveitou para esclarecer que a população, quando tiver dúvidas ou receios, pode acessar o próprio site do Cremepe para obter informações sobre os profissionais com os quais pretende se consultar. “É possível ver se ele está devidamente registrado no conselho, verificar o número de CRM e a foto. Mesmo aqueles que vêm de outro estado para atuar aqui têm um registro secundário no Cremepe”, disse. Tanto o responsável técnico pela clínica quanto o médico que realizou as cirurgias estão devidamente inscritos no órgão. 

Entenda o caso
A clínica conveniada à rede de saúde do Recife teve os procedimentos suspensos depois que a Prefeitura do Recife recebeu quatro denúncias relacionadas a um mutirão de cirurgias de cataratas realizado no último dia 5 de dezembro. De acordo com as queixas apuradas pelo Diario, ao retirar o tampão do olho operado, pelo menos 15 pessoas estariam com a visão embaçada ou completamente escura, além das pálpebras roxas. Elas teriam voltado ao bloco cirúrgico para fazer uma lavagem no olho no dia seguinte e, desde então, ainda não teriam recuperado por completo a visão. Ontem, a filha de uma paciente afetada informou que a mãe terá que fazer uma cirurgia ao custo de R$ 15,4 mil na rede particular para tentar recobrar a visão plena.
 


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