Advogados Presidente da OAB Pernambuco faz balanço da gestão Ao término da administração, o então presidente lançou um relatório de 128 páginas ressaltando a inovação tecnológica e eficiência da gestão como as principais marcas do período

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 18/12/2018 21:38 Atualizado em: 19/12/2018 19:53

Foto: Rafael Martins/Arquivo/ DP
Foto: Rafael Martins/Arquivo/ DP
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Pernambuco, Ronnie Duarte, promoveu nesta terça-feira (18) um almoço na Zona Sul do Recife para divulgar o balanço de seu mandato (2016-2018). Ele deixa o cargo no início do próximo ano e quem assume é Bruno Baptista, eleito em chapa única para o triênio 2019-2021. Mesmo com a crise econômica e polarização política que atravessa o país, Ronnie obteve aprovação de 85% de seus pares em uma pesquisa que envolveu mil advogados (entre os 38 mil profissionais ativos) que responderam espontaneamente a um questionário. Ao término da administração, o então presidente lançou um relatório de 128 páginas ressaltando a inovação tecnológica e eficiência da gestão como as principais marcas do período.

De fato, o mandato foi movimentado e cheio de novidades, a começar pela mudança para o prédio atual (Rua do Imperador II, 346, Santo Antônio), em dezembro de 2017. Pela primeira vez, os funcionários passaram a ter plano de carreira e Pernambuco foi teve a única seccional da OAB que colocou no seu regimento “a responsabilidade civil, penal e administrativa referente a qualquer gestor que fuja das políticas aplicáveis nas grandes corporações”, como explica Ronnie em entrevista. “Nossas contas estão equilibradas e, por isso, tivemos uma aprovação de quase 90%. Isto é um reconhecimento nestes tempos de conflagração e polarização ideológica”. Neste ano, a instituição criou a vaga de CEO para aumentar esta eficiência da gestão, algo que só será colocado em prática no mandado de Baptista.

Outro destaque foi a criação do Programa Anuidade Zero, programa de fidelização que surgiu como uma possível solução para lidar com a atual taxa de inadimplentes, que chega a 50%. O esquema funciona da seguinte maneira: ao adquirir produtos e serviços em empresas conveniadas, os advogados acumulam pontos equivalentes a cerca de aproximadamente 7% da quantia paga. No final do ano, os pontos abatem no valor da anuidade de R$ 834. “Temos parceria com 140 pontos de Pernambuco, restaurantes, academia, vestuário, barbearia. Focamos em segmentos de consumo reiterado e valor agregado alto”, explica Duarte. Embora ainda esteja se popularizando entre os pernambucanos, o programa foi tão bem visto que já começou a ser adotados em outras seccionais pelo país.

Mais um feito relevante foi o Canal da Integridade, uma espécie de portal da transparência que irá entrar no ar em breve. O canal é administrado pela multinacional Deloitte e funciona da seguinte forma: caso um associado queria denunciar algo de irregular dentro da OAB, pode entrar em contato com o Canal de Integridade (número de telefone ou e-mail) e fazer queixa com garantia de sigilo. “A denúncia é documentada pela Deloitte, comunicada para um comitê na OAB, que irá apurar o caso. Caso haja bases mínimas para isto, será instaurado procedimento formal”, diz Ronnie.

Entre outras inovações está utilização da inteligência artificial no TED, uma nova sede para coofice e um Projeto Piloto de Aprimoramento Jurisdicional para Varas da Justiça Estadual, que visa sistematizar e disseminar atividades rotineiras. A proposta traça o diagnóstico da situação de uma unidade da 3ª Vara Cível de Olinda: “Temos 300 unidades judiciárias no estado, então temos de ter padronizações optimizadas. Pegamos como exemplo a de Olinda porque ela saiu da posição de segunda vara com maior congestionamento de casos para habitar o terço das que estão entre as mais eficientes do ano”.

Ao analisar o que “deixou a dever”, o então presidente acredita que deixou um débito em relação à uma ação social significativa que influencie diretamente a vida das pessoas. “A OAB já teria hoje a estrutura, capilaridade e credibilidade para criar um projeto de inclusão. Gostaria, principalmente, de fazer isto na área da educação, sobretudo para menores que se encontram em zonas mais expostas à violência”, conta. “Cheguei a cogitar um projeto social referente à anuidade zero, de maneira que a gente pudesse criar uma rede de empresas de modo que o consumidor pudesse, ao invés de ter para si o benefício, direcioná-lo a uma instituição de caridade como o Pró-Criança, Fundação Terra ou Orquestra Criança Cidadã, por exemplo”.

Agora, o advogado analisa a possibilidade de assumir a direção da Escola Nacional de Advocacia, situado em Brasília. Nega qualquer envolvimento com futuros cargos públicos. “Hoje, o gestor público tem uma série de dificuldades que o privado não encontra e isso é uma condicionante muito significativa para a eficiência da gestão. O timming é muito diferente e não me sinto à altura de um desafio destes porque não conheço bem os detalhes e minúcias da gestão pública. Em relação a mandatos eletivos, tenho uma resistência à forma pela qual ainda se faz política em nosso país”.

Ele também acredita que o próximo presidente, Bruno Baptista, é capacitado por já ter passado por diversos cargos e conhecer a realidade da OAB. “Ele está absolutamente comprometido com os novos parâmetros de gestão e governança implementados na OAB de Pernambuco. A Bruno, já na certeza de que os votos serão absolutamente exitosos, desejo muito sucesso neste desafio que se lança numa quadra verdadeiramente desafiadora na história do nosso país”. Ronnie finaliza o mandato admitindo que foram “três anos de “sacrifício pessoal e profissional gigantescos, mas também muito gratificante”. “Saio da presidência da OAB uma pessoa melhor, mais paciente, compreensiva, dada ao diálogo, mais capaz de compreender e aceitar as diferenças”.


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