denúncia falsa Adolescentes mentiram sobre estupro coletivo no Sítio da Trindade, afirma Polícia Civil 'Por algum motivo elas acharam que é bonito sair divulgando que foram vítimas de estupro quando, na verdade, nós temos muitas pessoas que são verdadeiramente vítimas de violência sexual e não têm coragem de denunciar pelo trauma que isso causa', afirmou a delegada responsável pelo caso

Por: Bettina Novaes Ferraz

Publicado em: 17/12/2018 17:03 Atualizado em: 17/12/2018 19:37

Vítimas denunciaram falso estupro à policia, que teria acontecido no Sítio da Trindade, Zona Norte do Recife - Foto: Karina Morais/Esp.DP
Vítimas denunciaram falso estupro à policia, que teria acontecido no Sítio da Trindade, Zona Norte do Recife - Foto: Karina Morais/Esp.DP
Após quase três meses de investigações, a Polícia Civil de Pernambuco constatou que não houve crime de estupro coletivo contra duas adolescentes que, em setembro deste ano, denunciaram terem sido vítimas de violência sexual no Sítio da Trindade. As meninas, que têm 15 e 16 anos, afirmaram que foram abordadas por um grupo de homens, que teriam cometido atos libidinosos, sem penetração, com elas no equipamento de lazer, localizado no bairro de Casa Amarela, Zona Norte do Recife. 

Nos depoimentos prestados à polícia, as duas já haviam apresentado informações incongruentes sobre o caso, o que fez os investigadores começarem a desconfiar da veracidade dos fatos. “Elas divergiam da quantidade de pessoas que haviam praticado o ato, do momento em que o ato tinha sido praticado, do local, do momento em que elas tinham ido embora”, explica a delegada Thaís Galba, titular da Delegacia Especializada de Crimes Contra a Criança e Adolescente (DECCA). 

Ainda de acordo com a delegada, uma das jovens afirmou que as duas teriam sido abordadas por nove rapazes do lado de fora do Sítio da Trindade. Já a outra, contou que elas teriam sido coagidas por seis homens dentro do parque. “Não tem condição de isso ser uma coisa que você esquece quando se é vítima de uma violência como essa”, reforça a titular da DECCA. “Tudo bem que você queira, às vezes, até esquecer os fatos, você esquece, mas não cria versões tão diferentes dele”. 

Retratos falados foram divulgados pela Polícia Civil quatro dias após a denúncia do suposto estupro coletivo, a fim de encontrar dois dos envolvidos. Segundo a polícia, a Guarda Municipal do Recife encontrou um rapaz que batia com todas as características do retrato e o encaminhou à delegacia. Quando foram chamadas para fazer o reconhecimento, as jovens entraram em desespero. “Elas choravam compulsivamente e acabaram não reconhecendo”, conta a delegada Thaís Galba, revelando, ainda, que o suspeito tinha um álibi, provando que ele não estaria no Sítio da Trindade naquele momento. 

A confissão teria vindo da adolescente de 16 anos, que já tinha colaborado com a Polícia Civil nas investigações de outro caso de estupro. Ela se apresentou voluntariamente à delegacia para contar a verdadeira versão dos fatos e acabou assumindo, que tudo não passou de uma história criada pelas duas. Ainda de acordo com a polícia, as adolescentes teriam saído da escola para matar aula no Sítio da Trindade, “como de costume”. Lá teriam conhecido um grupo de rapazes, onde, consensualmente, teriam conversado, trocado telefones e praticado os atos libidinosos. 

Segundo a delegada, uma das adolescentes ficou com medo de ter perdido a virgindade durante a prática desses atos libidinosos, o que pode ter sido a causa para a falsa denúncia. A polícia afirma que exames sexológicos foram feitos e não apresentaram indícios de violência sexual. “Fizeram todos nós perdermos tempo”, afirma a delegada Thaís Galba, que desabafou sobre o caso. “Por algum motivo elas acharam que é bonito sair divulgando que foram vítimas de estupro quando, na verdade, nós temos muitas pessoas que são verdadeiramente vítimas de violência sexual e não têm coragem de denunciar pelo trauma que isso causa”. 

No dia da denúncia, amigos das jovens fizeram um ato, em frente ao Sítio da Trindade, contra a violência. Cerca de 100 pessoas participaram do protesto. “As adolescentes acharam que poderiam brincar com uma coisa séria como essa”, disse a delegada. “Agora nós estamos finalizando o inquérito e vamos remeter tudo à Delegacia de Ato Infracional”, finaliza. Ambas serão responsabilizadas por ato infracional equiparado a denunciação caluniosa.
 


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