trânsito No Recife, maior horário de pico é das 19h às 20h Pesquisa Origem/Destino identifica de que formas a cidade se desloca e aponta desafios da mobilidade

Por: Tânia Passos - Diário de Pernambuco

Publicado em: 13/12/2018 09:19 Atualizado em:

Intensificação do trânsito à noite na RMR evidencia necessidade de novas estratégias para desafogar a cidade. Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press
Intensificação do trânsito à noite na RMR evidencia necessidade de novas estratégias para desafogar a cidade. Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press
O diagnóstico da pesquisa Origem/Destino (OD) de 2018 apresentado ontem pelo Instituto da Cidade Pelópidas da Silveira (ICPS), órgão vinculado à Secretaria de Planejamento do Recife, revela o cenário dos deslocamentos de trabalhadores e estudantes no Recife e Região Metropolitana. Foram pesquisadas 201.370 pessoas. Para se ter ideia sobre a amplitude do levantamento, a última OD, que foi feita em 1997, realizou 55 mil entrevistas. 

Os dados coletados foram compartilhados com a Secretaria das Cidades para ajudar na elaboração de políticas públicas de mobilidade. A pesquisa revelou que o horário de pico vem mudando ao longo dos anos. Pela manhã, o tráfego mais intenso fica entre 7h e 8h. No fim da tarde, entre 16h e 17h, o número de pessoas se deslocando na volta para casa corresponde a 5,28%. Uma hora depois, das 17h às 18h, esse percentual mais que triplica e chega a 17,91%. Mas ainda não é o pior. Quem deixar para sair entre 19h e 20h vai se deparar com um percentual de 37,18% das pessoas se deslocando. “Isso inclui principalmente o trabalhador que ganha até um salário-mínimo e larga do emprego às 19h. Então é preciso intensificar as políticas levando em conta esses números, assim como as pessoas que largam entre as 23h e a meia-noite, que têm dificuldades em ter transporte para voltar”, explicou Sideney Schreiner, diretor executivo de planejamento da mobilidade do ICPS.

A pesquisa também revela um problema antigo e que continua atual: o tempo gasto nos deslocamentos para o trabalho no Recife e Região Metropolitana. Apenas 10,12% das pessoas na RMR gastam menos de 15 minutos para chegar ao trabalho e 18,32% para chegar ao local de estudo. Quando o tempo aumenta de 30 para 45 minutos, sobe para 41,60% o percentual de pessoas. 

“Isso mostra que é necessário criar novas centralidades e colocar as pessoas morando mais próximas dos postos de trabalho”, observou o professor do departamento de Engenharia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Oswaldo Lima Neto.

Via crucis
Para quem mora e trabalha no Recife, os números da pesquisa não são animadores. Cerca de 32,59% gastam de uma hora a uma hora e meia para chegar ao trabalho. Os dados revelam ainda que 66% dos trabalhadores que usam o ônibus gastam mais de uma hora e 15,6% levam o mesmo tempo indo de carro “Essa é mais uma razão para muita gente querer migrar para o carro. Para melhorar o transporte público, é preciso mudar a política de uso e ocupação do solo”, apontou Sideney.

O levantamento identificou também que quase 40% dos estudantes na Região Metropolitana cuja renda familiar é de até um salário-mínimo fazem seus deslocamentos a pé, e menos de 5% têm acesso ao ônibus. A pesquisa revela ainda que as crianças e adolescentes de seis a 15 anos vão para a escola a pé.

“A pesquisa oferece dados para que as políticas públicas possam ser melhor direcionadas. Os municípios podem atentar, por exemplo, para as áreas de acesso às escolas e garantir calçadas mais confortáveis e seguras, como estamos fazendo aqui no Recife”, afirmou o secretário de Planejamento do Recife, Antônio Alexandre. 

As recifenses fazem 7,37% dos deslocamentos a pé, contra 5,99% dos habitantes do sexo masculino. As mulheres também são maioria no transporte por ônibus (61,81%) contra 53,40% dos homens. No caso do transporte por bicicleta e moto, os homens são maioria. Menos de 1% das mulheres usa a bicicleta para ir ao trabalho. Entre os homens, o índice chega a quase 3% na RMR. Cerca de 2% das recifenses se deslocam de moto, frente a 10% entre a parcela masculina da população. 

“Nós estamos acompanhando os dados coletados pelo Instituto da Cidade e os nossos projetos estão alinhados com os diagnósticos que estão sendo feitos, a exemplo da Faixa Azul que nós implantaremos em 2019 na Avenida Agamenon Magalhães”, afirmou Taciana Ferreira, presidente da Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) do Recife.

Configuração atual dos horários de pico
7h-8h: 4,60% dos recifenses
16h-17h: 5,28%
17h-18h: 17,91%
18h-19h: 13,21%
19h-20h: 37,18%
22h-23h: 3,17%

Fonte: Instituto da Cidade Pelópidas da Silveira (ICPS)


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