Decisão Cláudio Amaro é condenado a 27 anos pela morte do médico Artur Eugênio Depoimentos de colegas de profissão foram decisivos para a sentença do Júri Popular. Além do cirurgião, Jailson Duarte César também foi condenado por homicídio qualificado

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 13/12/2018 00:57 Atualizado em: 13/12/2018 02:54

Foto: Marina Curcio/Esp. DP
Foto: Marina Curcio/Esp. DP
O cirurgião Cláudio Amaro Gomes, 60 anos, que já chefiou equipes em alguns dos principais hospitais de Pernambuco e cuidou da saúde de autoridades foi condenado, na madrugada de hoje, a 27 anos de prisão por homicídio qualificado (motivo torpe e recurso  que impossibilitou a defesa da vítima). Ele foi o mandante do assassinato do colega Artur Eugênio de Azevedo, 35, em 2014. Cláudio foi considerado culpado pelo conselho de sentença formado por sete jurados após três dias de sessões no Fórum de Jaboatão dos Guararapes. 
O outro réu, Jailson Duarte César, foi condenado a 22 anos de reclusão e dois anos e 280 dias-multa por homicídio qualificado com os mesmos agravantes, além de dano qualificado. Ele contratou os executores. Os dois estavam detidos há quatro anos e meio. 

Artur Eugênio foi encontrado morto a tiros no dia 12 de maio de 2014 às margens da BR-101, em Comporta, em Jaboatão. As investigações apontam que Artur descobriu irregularidades praticadas por Cláudio, como fazer cirurgias em pacientes sem indicação e cobrar suas famílias por uma cola cirúrgica que ele fornecia, mas a gota d’água para a derrota do réu na Justiça foi o depoimento da médica e coordenadora de oncologia do Imip, Jurema Telles de Oliveira Lima. Ela falou, a pedido dos jurados, por meio de vídeo gravado em uma audiência de instrução. Jurema exaltou a “excelência” no trabalho de Artur . Questionada se sentiu-se surpreendida com a informação de que Cláudio Amaro pudesse ser responsável pelo crime,  foi enfática: “Não me surpreendi pelo que já sabia dele”, disse.

Segundo a a médica, os sonhos de Artur eram salvar vidas e dar aulas. Uma semana antes do assassinato, o médico prestou concurso para professor de cirurgia torácica da UFPE. Para isso, ele deveria ter um bom resultado nas avaliações do período probatório. Artur tinha notas em destaque, acima da média de alguns professores. Caso fosse aprovado, poderia ganhar ainda mais destaque como professor.

“Estou emocionada depois de muita dor e sofrimento”, disse a mãe de Artur, Maria Evani de Azevedo. “Do fundo  do coração, quero agradecer. Hoje pudemos virar uma página. Hoje posso dizer que recomeça a minha vida”, destacou a médica Carla Azevedo, viúva de Artur.

A esposa de Cláudio, Solange Queiroga, voltou a dizer que o marido é inocente e culpou o enteado Cláudio Amaro Gomes Júnior. “Estamos revoltados com esse resultado porque condenaram um inocente. O filho dele assumiu e vamos continuar a lutar para provar a inocência dele. Um dia Deus vai cobrar de cada um que o condenou e há de conceder a justiça divina”, lamentou. A defesa de Claúdio vai recorrer. Cláudio Júnior e Lyferson Barbosa da Silva foram condenados a 34 e 26 anos, respectivamente em 2016. Outro envolvido, Flavio Brás morreu em troca de tiros com a polícia em 2015.




Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.