requalificação Recuperadas, bicas têm água potável em Olinda Prefeitura reinaugurou três monumentos, dos quais um ainda passa por ajustes a pedido do Iphan

Por: Patrícia Monteiro

Publicado em: 12/12/2018 10:37 Atualizado em:

Bica dos Quatro Cantos foi uma das fontes reformadas através de recursos do PAC Cidades Históricas. Foto: Peu Ricardo/DP
Bica dos Quatro Cantos foi uma das fontes reformadas através de recursos do PAC Cidades Históricas. Foto: Peu Ricardo/DP
Para boa parte dos moradores do Sítio Histórico de Olinda, ver em pleno funcionamento um dos seus maiores cartões-postais, as bicas coloniais, era algo relacionado apenas às lembranças dos mais antigos. Há mais de 15 anos, esses símbolos do passado olindense eram elementos figurativos da rotina local. Na manhã de ontem, entretanto, o prefeito Professor Lupércio e o secretário de Patrimônio, Cultura e Turismo, João Luiz, reinauguraram as bicas dos Quatro Cantos, do Rosário e de São Pedro. Essa última ainda não voltou a funcionar devido à solicitação de ajustes na calçada por parte do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que devem ser concluídos na sexta-feira. As bicas receberam sistema de tratamento que torna suas águas adequadas para consumo humano. 

A reforma foi realizada com investimento de R$ 227,2 mil provenientes do PAC Cidades Históricas, repassados integralmente à administração municipal pelo Iphan. O projeto incluiu as áreas frontais, pisos, iluminação, instalação de filtros para tratamento e purificação da água, colocação de gradil e recuperação do entorno. O serviço teve início em fevereiro deste ano e tinha previsão inicial de conclusão em quatro meses. 

“Obras em patrimônio histórico possuem acompanhamento de arqueologia, então ocorreram alguns achados que precisaram ser discutidos com o Conselho de Preservação e a Associação dos Moradores (Sodeca). Tudo foi feito com muita responsabilidade, cuidado, critério e estamos muito felizes com este resultado fantástico. Afinal, as bicas possuem uma função não somente histórica, mas social. É um bem que conserva o mesmo uso desde as suas origens no século 16”, relata Renata Borba, superintendente do Iphan Pernambuco.

Os projetos das três obras foram doados pela arquiteta e urbanista Vânia Avelar à administração municipal. Ontem, a profissional também lançou o livro Conservação e restauração das bicas públicas de Olinda, no escritório do Iphan, na Rua do Amparo. “Tudo começou quando fiz um mestrado sobre as bicas e o encaminhei para um concurso público nacional da Agência Nacional de Águas (ANA) na categoria Água e Patrimônio. Fui vencedora e convidada a publicar o livro na Alemanha. Agora estou aqui. É muito emocionante ver este trabalho concluído por pessoas e entidades com grande investimento de dinheiro, esforço e tempo”, afirma.

Abandono
O secretário João Luiz relembrou que, desde os anos 1970, a população usava as bicas para fins de limpeza e cozinha, mas que há muito elas estavam abandonadas. “Com este sistema instalado de tratamento da água com dosador de cloro, as bicas voltam a ter água própria para consumo. Para isso, inclusive, nossa equipe de Vigilância Sanitária faz monitoramento com análise do PH da água e potabilidade. Espero que a população faça bom uso. Afinal, o município possui Guarda Municipal, parceria com polícia e órgãos fiscalizadores, mas não temos como manter esta fiscalização permanente em todas as bicas, então esperamos que a população possa nos ajudar nisto para, juntos, construirmos uma história bacana na cidade”, afirma.

“É muito importante recuperar este patrimônio, que estava tão degradado, e dar mais uma opção para nossos turistas. Estamos entregando estas obras junto com Iphan, governo federal, Secretaria de Cultura e Turismo e Câmara de Vereadores. Tenho uma satisfação sem tamanho, pois sabemos o quanto isto era esperado não só pela gestão, mas também pelos moradores. É um dia festivo”, disse o prefeito Professor Lupércio.


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