Inspeção Ônibus envolvido em acidente tinha cinco infrações por excesso de velocidade, diz PRF As famílias das três pessoas mortas no acidente na BR-232, no trecho conhecido como Serra das Russas, passaram esta terça-feira acompanhando a liberação dos corpos no IML

Por: Marcionila Teixeira

Publicado em: 11/12/2018 19:53 Atualizado em: 11/12/2018 21:02

Foto: PRF/Divulgação
Foto: PRF/Divulgação
O ônibus envolvido no acidente na BR-232, na Serra das Russas, onde três pessoas morreram e dez ficaram feridas, estava com todas as taxas de licenciamento pagas, mas tinha cinco registros de infração por excesso de velocidade, conforme informou, nesta terça-feira (11), a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Sobreviventes disseram que, desde o início da viagem de ida, sentiram cheiro de queimado no ônibus, o que poderia indicar algum defeito mecânico.

O veículo foi fretado por moradores de Peixinhos, em Olinda, para levá-los ao polo de confecções, no Agreste, e teria sido fabricado em 1989. O fato aconteceu na noite da última segunda-feira e chama a atenção para a falta de obrigatoriedade de inspeção veicular no país.

Em abril deste ano, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) suspendeu por tempo indeterminado a resolução 716/2017, que obrigava a inspeção veicular em todo o Brasil. De acordo com a resolução, os proprietários seriam obrigados a submeter seus veículos à inspeção veicular como parte do processo de renovação do licenciamento e obtenção do Certificado de Registro e Licenciamento Veicular (CRLV).

A resolução passaria a valer em 1º de julho deste ano e determinava que as inspeções teriam validade de dois anos. Prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a inspeção veicular não havia sido regulamentada para o país inteiro. O CTB define a falta de inspeção veicular como infração grave, sujeita à multa de R$ 195,23 e retenção do veículo. A elaboração do cronograma seria um dos obstáculos para implementar a resolução.

A presidente do Conselho Estadual de Trânsito, Simíramis Queiroz, disse que a fiscalização de táxis e coletivos acontece por parte dos municípios e do estado, assim como é feito com o transporte escolar. Os demais veículos, no entanto, seguem sem esse dispositivo. “Vemos muitos carros transitando sem condições. Uma das previsões da resolução era fazer a inspeção após dois anos de fabricação do transporte. Se isso acontecesse, o cidadão poderia pedir o certificado”, explicou.

Luto
As famílias das três pessoas mortas passaram esta terça-feira acompanhando a liberação dos corpos no Instituto de Medicina Legal (IML), em Santo Amaro, no Recife. As vítimas estavam em um ônibus, ocupado por cerca de 50 passageiros, que deixou o subúrbio de Olinda, na noite do último domingo, em direção a Santa Cruz do Capibaribe e Toritama.

Os ocupantes do veículo, a maioria do bairro de Peixinhos, viajaram para comprar roupas mais em conta principalmente para serem usadas nas festas de final de ano. Segundo testemunhas, o ônibus ficou desgovernado e terminou colidindo com um carro pequeno e um caminhão. Cerca de dez pessoas ficaram feridas.

Uma das pessoas mortas é a dona de casa Amara de Santana Azevedo Neta, 25 anos, grávida de seis meses. Ela foi ao interior comprar o enxoval do bebê, previsto para nascer em três meses. Além de Amara, morreram no acidente o motorista do ônibus, Givaldo Barbosa da Silva, 61, e Letícia Araújo da Silva, 20.

Amara viajou com a filha, de 4 anos, a mãe e uma tia. Todas ficaram feridas. “Ainda procurei Amara na maternidade, na esperança que ela estivesse viva com o bebê. Achei que tudo fosse uma mentira”, disse a prima de Amara, Egnalda Santana. A gestante estava casada há um ano com Tássio Albuquerque, 23. “Ela morreu porque viajava na cadeira da frente, atrás do motorista”, disse Tássio.

Givaldo morava em Águas Compridas, em Olinda, e costumava fretar o ônibus dele, um Volvo antigo, para esse tipo de excursão. Segundo um amigo dele, José Rui Cavalcanti, 47, na semana passada ele trocou o freio dianteiro do veículo e costumava cuidar bem do ônibus, que ele calcula ser do ano de 1989. Ainda segundo Rui, os documentos do coletivo estavam em dia. “Há uns vinte dias, uma mola do ônibus quebrou em Natal e eu fui socorrer ele”, lembrou. A mulher do motorista também estava no ônibus, junto com dois filhos menores de idade, e quebrou a perna no acidente.

Letícia, segundo parentes dela, viajava pela primeira vez para os dois municípios do Agreste pernambucano. Também embarcou para comprar roupas mais em conta, assim como os demais passageiros. Um tio da jovem, Aurimenes Rodrigues, 42, disse que ela completaria 21 anos amanhã. Desde a noite de ontem, o bairro de Peixinhos está de luto com as mortes dos moradores.



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