Serra das Russas Familiares de mortos em acidente aguardam liberação de corpos no IML Uma das vítimas estava grávida de seis meses e viajou para comprar o enxoval do bebê

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 11/12/2018 12:03 Atualizado em: 11/12/2018 12:24

Foto: PRF/Divulgação (Foto: PRF/Divulgação)
Foto: PRF/Divulgação
As famílias das três pessoas mortas em um acidente, na noite de ontem, na BR-232, na Serra das Russas, estão desde cedo no Instituto de Medicina Legal (IML), em Santo Amaro, no Recife, para liberar os corpos das vítimas para o sepultamento, o que deve acontecer ainda esta tarde. Elas estavam em um ônibus fretado por cerca de 50 pessoas que deixou o subúrbio de Olinda, na noite do último domingo, em direção a Santa Cruz do Capibaribe e Toritama. Os ocupantes do veículo, a maioria do bairro de Peixinhos, viajaram para comprar roupas mais em conta para serem usadas nas festas de final de ano. Segundo testemunhas, o ônibus ficou desgovernado e terminou colidindo com um carro pequeno e um caminhão. Cerca de 20 pessoas ficaram feridas.

Uma das pessoas mortas é a dona de casa Amara de Santana Azevedo Neta, 25 anos, grávida de seis meses. Ela foi ao interior comprar o enxoval do bebê, previsto para nascer em três meses. Além de Amara, morreram no acidente o motorista do ônibus, Givaldo Barbosa da Silva, 61, e Letícia Araújo da Silva, 20.

Amara de Santana Azevedo, 25 anos, estava grávida de seis meses.  Foto: Cortesia (Foto: Cortesia)
Amara de Santana Azevedo, 25 anos, estava grávida de seis meses. Foto: Cortesia


Amara viajou com a filha, de 4 anos, a mãe e uma tia. Todas ficaram feridas. “Ainda procurei Amara na maternidade, na esperança que ela estivesse viva com o bebê. Achei que tudo fosse uma mentira”, disse a prima de Amara, Egnalda Santana. A gestante estava casada há um ano com Tássio Albuquerque, 23. “Ela morreu porque viajava na cadeira da frente, atrás do motorista”, disse Tássio. Sobreviventes disseram que desde o início da viagem de ida sentiram cheiro de queimado no ônibus, o que poderia indicar algum defeito mecânico no veículo.

Givaldo morava em Águas Compridas, em Olinda, e costumava fretar o ônibus dele, um Volvo antigo, para esse tipo de excursão. Segundo um amigo dele, José Rui Cavalcanti, 47, na semana passada ele trocou o freio dianteiro do veículo e costumava cuidar bem do ônibus, que ele calcula ser do ano de 1989. Ainda segundo Rui, os documentos do coletivo estavam em dia. “Há uns vinte dias, uma mola do ônibus quebrou em Natal e eu fui socorrer ele”, lembrou. A mulher do motorista também estava no ônibus, junto com dois filhos menores de idade, e quebrou a perna no acidente.

Letícia, 20 anos, faria aniversário nesta quinta-feira. Segundo parentes, ela viajava pela primeira vez para os dois municípios do Agreste pernambucano. Também embarcou para comprar roupas mais em conta, assim como os demais passageiros. Desde a noite de ontem, o bairro de Peixinhos está de luto com as mortes de tantos moradores.



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