Obras Pontes do Recife serão recuperadas em 2019 Programa de requalificação terá investimento de R$ 20,7 milhões, nas pontes do Derby e Motocolombó

Publicado em: 08/12/2018 13:42 Atualizado em: 08/12/2018 14:07

Apesar da situação visual da estrutura da Ponto do Derby, a Emlurb garante que não há motivo para pânico. Foto: Reprodução do WhatsApp. (Reprodução Internet)
Apesar da situação visual da estrutura da Ponto do Derby, a Emlurb garante que não há motivo para pânico. Foto: Reprodução do WhatsApp.
Erguidas há mais de 50 anos, dentro de um outro contexto urbanístico de habitação e mobilidade, as pontes do Recife somam décadas de desgastes e apresentam patologias. Estruturas de ferro oxidadas, guarda-corpo quebrado e descascamento do concreto são alguns dos problemas visíveis e que, na última semana, causaram temor na população depois que uma sequência de fotos denunciando o estado dos equipamentos que conectam as ilhas da cidade circulou nas redes sociais. Na sexta-feira, a Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb) garantiu que não há nenhuma situação iminente de risco para quem transita pelos equipamentos. Na ocasião anunciou um projeto de requalificação para as pontes, com início em 2019.

A sequência de fotos que circulou na internet e nas redes sociais mostra o estado das pontes Estácio Coimbra (do Derby) e da Torre. Nas imagens da primeira, tiradas da parte de baixo da ponte, é possível ver que a ferrugem toma conta das vigas de ferro tanto na fundação quanto na parte de baixo do tabuleiro (estrutura de trânsito de pessoas e carros). Em mais de 10 imagens, o concreto também aparece desgastado e até mesmo inexistente, com vários buracos. O secretário de Infraestrutura e Habitação e presidente da Emlurb, Roberto Gusmão, garantiu que não há motivo para pânico. “É uma situação que a gente sabe que precisa intervir, mas estávamos terminando estudos e diagnósticos das patologias das pontes. Diante do alarmismo, precisamos dar tranquilidade”, disse.

De acordo com ele, as pontes da cidade passam por vistoria a cada cinco anos e isso vem sendo realizado, apesar da ausência de verba para recuperação das estruturas. “Hoje, conseguimos liberação de recursos por meio do Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa), da Caixa Econômica Federal, para investimento em vários equipamentos da cidade. Dentre os quais, as pontes”, detalhou Gusmão. Serão investidos inicialmente R$ 20,7 milhões na recuperação das duas pontes que, nos estudos realizados por engenheiros e técnicos da Emlurb, estão em pior situação, a do Derby e a Motocolombó, em Afogados.

“Recife é uma cidade que se situa em uma zona agressiva, de praia, e entrecortada por rios sem saneamento, o que contribui para a degradação das estruturas. A Ponte do Derby apresenta patologias como a oxidação das armaduras e destacamento do concreto concentrados na parte de fundação. Já a Motocolombó tem patologias semelhantes, mas mais frequentes no tabuleiro”, afirmou o professor da Universidade de Pernambuco e engenheiro de Emlurb Armando Carneiro. Serão realizados trabalhos de eliminação da oxidação, reposição das armaduras e do concreto. Na próxima semana, será lançada licitação para as obras, que devem ter início dentro de 60 a 90 dias.

Nesse intervalo de tempo, a equipe técnica da Emlurb realizará o monitoramento das estruturas a pé e com o auxílio de barcos para, em caso de emergência, como abertura de fissuras, fazer antecipação das obras. “A ideia é colocar equipamentos e fazer ensaios para saber se a situação está estabilizada. Se continuar no cenário que está, iremos manter os prazos legais”, afirmou a diretora de Manutenção Urbana da Emlurb, Fernandha Batista.

A previsão é de que as obras durem cerca de um ano e meio a dois anos. No primeiro trimestre do próximo ano, será lançada uma nova licitação para início das obras de outras duas pontes. Uma delas será a da Torre, a outra ainda em definição, poderá ser a Giratória ou a da Joana Bezerra. Estão em estudo técnico para recuperação estrutural até o fim do próximo ano também as pontes Princesa Isabel e Joaquim Cardozo, nos Coelhos.

"Todas as pontes estão sob controle", diz secretário

Ao longo dos últimos 50 anos, apenas três pontes passaram por recuperação absoluta no Recife. A maioria delas está sem manutenção completa há décadas. As últimas intervenções realizadas nesses equipamentos na cidade foram na do Rio Tejipió, recuperada em 2015, e a reconstrução da ponte que cruza o Rio Morno, na Rua José C. Cosme, em Dois Unidos. Antes delas, as últimas recuperações ocorreram há mais de 10 anos e foram realizadas nas pontes Duarte Coelho e 6 de Março (Velha), na Boa Vista, e na Paulo Guerra, no Pina. A dificuldade de obter verbas para investimentos na requalificação de equipamentos públicos municipais é colocada pela gestão como um entrave nesse processo.

Pontes como a do Derby e a da Torre têm, respectivamente, 68 e 40 anos. Desde 2013, a prefeitura tentou três financiamentos junto ao governo federal e Banco Mundial, mas questões políticas teriam travado o processo. “Para o Finisa, estávamos desde o começo do ano em diálogo com a Caixa Econômica e agora, depois das eleições, conseguimos essa liberação”, afirmou Roberto Gusmão. O presidente da Emlurb reconheceu a situação de precariedade das pontes, mas contestou que a situação visual se replique em risco ou possa levar a casos como os recentes desabamento de viadutos na Marginal Pinheiros, em São Paulo, e em Gênova, na Itália. “Do ponto de vista técnico, não é assim que funciona.

Quem passa com a maré baixa no Derby ou Torre, tem a impressão de emergência. Mas há situações em que a exposição visual não significa maior ou menor risco. Fizemos um levantamento e todas elas estão sob controle”, garantiu Gusmão. De acordo com Fernandha Batista, o foco da Emlurb é realizar as recuperações necessárias no mínimo prazo possível. “Queremos ampliar não só a segurança das estruturas, mas também a durabilidade”, disse. Os recursos garantidos ontem serão liberados em três parcelas de R$ 66 milhões. 



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