Justiça Acusados de matar médico devem ser ouvidos somente no dia 14 Jussara Rodrigues e o filho Danilo Paes são acusados de matar e esquartejar o médico Denirson Paes. Eles estão presos desde 5 de julho

Por: Mariana Fabrício - Diario de Pernambuco

Publicado em: 07/12/2018 13:55 Atualizado em:

Começou na manhã dessa sexta-feira a primeira audiência de instrução e julgamento da farmacêutica Jussara Rodrigues, de 54 anos e do engenheiro Danilo Paes, 23, acusados de matar o cardiologista Denirson Paes da Silva, 54. A audiência foi dividida em dois dias por causa da quantidade de testemunhas arroladas. Ao todo foram convocadas 17 pessoas da parte de acusação e outras 12 para defesa, sendo seis de cada um dos suspeitos. A próxima ouvida acontece no dia 14, no Fórum Desembargador Agenor Ferreira de Lima, localizado em Camaragibe, município onde ocorreu o crime. Somente após o final dessas duas audiência é que será determinado se os réus irão a Júri Popular e para quando será marcado o julgamento. 

A sessão começou por volta das 10h, logo após a chegada de Jussara e Danilo, que chegaram escoltados. Desde o dia %u202A5 de junho%u202C os suspeitos estão cumprindo prisão preventiva. Danilo está detido no Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everaldo Luna (Cotel), em Abreu e Lima. Jussara está presa na Colônia Penal Feminina Bom Pastor, no bairro da Ipatinga. A audiência foi comandada pela juíza Marília Falcone, da 1ª Vara Criminal de Camaragibe. 

A defesa continua defendendo a tese de que a farmacêutica agiu em legítima defesa, após anos sofrendo violência doméstica por parte do marido. Em junho de 2015 foi expedida uma medida protetiva contra Denirson pela Vara de Violência Doméstica e familiar contra a mulher na Comarca do município de Camaragibe. Cinco dias depois, a queixa foi retirada pela própria Jussara.

“Jussara agiu em legítima defesa. Mulher nenhuma é obrigada a ser violentada, humilhada e maltratada. O erro que ela cometeu foi ocultação de cadáver”, comentou o advogado dos dois réus, Rafael Nunes. 

A respeito da suposta participação de Danilo, filho mais velho do casal, ele acredita que a inocência será provada. “O quem para Danilo, tem para Daniel, filho mais novo. Os dois estavam em casa, foi encontrado sangue nos dois quartos. O princípio de presunção de inocência não está sendo observado. A defesa está muito tranquila e vai provar que Danilo é inocente e não tem nada a ver com as acusações”, afirmou Nunes. 

Os réus estão sendo julgados pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. A parte de acusação convocou empregados do condomínio que tiveram acesso ao local do crime. O advogado de acusação, Carlos André Dantas, afirmou que a tese da defesa não se sustenta. “A vítima sofreu morte por asfixia, teve afundamento de crânio, o corpo foi esquartejado, jogado em um poço de 14 metros de profundidade. Tinha tudo para ser um crime perfeito. A tese de legítima defesa é insustentável”, comentou. 

A família de Denirson acompanhou a audiência e preferiu não ter contato com os réus durante os depoimentos à juíza.
O filho mais novo do casal está morando atualmente no apartamento que o pai havia comprado para ir morar só, após a separação e abrigou os avós, que vieram do estado da Bahia, onde moram, para acompanhar o início do julgamento. “Eles ainda estão abalados, sensíveis e não sabem nem mesmo o que dizer diante de tanta barbaridade”, disse Dantas. 

No dia 4 do último mês de julho foram encontrados os primeiros restos mortais de Denirson em um poço de um condomínio de luxo em Aldeia. No dia 20 de junho que Jussara havia registrado Boletim de Ocorrência informando que o marido havia viajado para o exterior e não havia voltado. A partir daquela data, a Polícia Civil começou a investigar o caso através de um mandado de busca e apreensão na residência da vítima e logo depois foram cumpridos os mandados de prisão temporária. Em agosto, um laudo do Instituto Médico Legal (IML) constatou que o médico foi morto por asfixia após uma esganadura e as investigações apontaram como motivação para o crime uma relação extraconjugal mantida por Denirson.


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