Santo Daime Pesquisador paraibano, acusado de tráfico e preso na Rússia, já está no Recife Eduardo Chianca cumpriu no exterior a pena de dois anos dos três que foi condenado pela Justiça Russa. Agora, aguarda decisão da Justiça Federal em Pernambuco

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 07/12/2018 07:46 Atualizado em: 07/12/2018 08:32

Imagem: Nando Chiapetta/DP
Imagem: Nando Chiapetta/DP

O pesquisador paraibano Eduardo Chianca, 68 anos, que estava preso na Rússia, desde agosto de 2016, chegou nessa madrugada ao Recife. Chianca, que também é professor, encontra-se detido na sede da Polícia Federal, no Cais do Apolo. Ele aguarda a audiência na Justiça Federal, que deve acontecer ainda nesta sexta-feira (7), que decidirá se o pesquisador cumprirá o resto da pena em liberdade. 

Chianca, que é formado em engenharia eletrônica, e é ex-executivo da IBM e pesquisador de saúde quântica foi preso na Rússia, acusado de tráfico internacional de drogas por carregar em sua bagagem quatro garrafas da Ayahuasca (Santo Daime). Ele foi detido no dia 31 de agosto de 2016. Sua condenação, a princípio, era de seis anos e meio de prisão. Depois, a sentença foi reduzida a três anos. Chegou a cumprir dois anos da pena, na Rússia.

A transferência de Eduardo Chianca para o Brasil fez parte de uma acordo bilateral entre os dois países. Ele veio acompanhado de policiais federais de Pernambuco para Brasília, depois para o Recife.  A vinda dele para o Brasil foi autorizada em setembro passado pelas autoridades russas. O pedido para cumprir o resto da pena no Brasil foi feito pelo próprio professor, por seus familiares e pelo Ministério de Relações Exteriores.

De forma tradicional, a bebida conhecida como Santo Daime é utilizada em rituais indígenas. Ainda que tenha uso autorizado no Brasil, em cerimônias religiosas, o Ayahuasca é proibido na Rússia, isso por ter substâncias alucinógenas como a dimetiltriptamina (DMT), considerada ilegal pelas leis Russas. O pesquisador utilizava a bebida em cursos de uma terapia chamada 'Frequência de Luz', ministrados por ele. No tribunal, Chianca alegou não saber da proibição do chá, na Rússia.

AUDIÊNCIA - A  audiência admonitória está marcada para ocorrer na manhã desta sexta-feira (7), na sede da Justiça Federal de Pernambuco. A Defensoria Pública da União (DPU) no Recife vai atuar na defesa do pesquisador. A sessão está marcada para às 10h, na 36° Vara Federal, que fica no edifício sede da Justiça Federal em Pernambuco, bairro do Jiquiá. Ele será acompanhado pela defensora pública federal Marília Silva Ribeiro de Lima. Nessa audiência, a juíza adaptará a legislação nacional ao caso concreto e fixará as regras de cumprimento do tempo remanescente de 8 meses da pena, estabelecida na Rússia.

Chianca abandonou sua carreira na área de engenharia para se dedicar a terapias holísticas. O paraibano mora em Aldeia, Região Metropolitana do Recife, onde desenvolveu uma técnica chamada Frequências de Luz, que realiza diagnósticos pelo desequilíbrio energético do paciente. Esse trabalho rendeu ao terapeuta reconhecimento internacional.

Convidado para ministrar palestras em cinco países da Europa em 2016, Chianca foi detido no aeroporto Domodedovo em Moscou, Rússia, e acusado de tráfico de entorpecentes. A prisão se deu devido à presença da substância dimetiltriptamina (DMT) na bebida, considerada ilegal em alguns países. No Brasil, a ayahuasca foi liberada para fins religiosos pelo Conselho Nacional de Política sobre Drogas (Conad).

Pelas leis da Rússia, o crime de tráfico de drogas pode gerar uma pena de 15 a 20 anos de prisão ou mesmo a prisão perpétua. A família do terapeuta precisou contratar um advogado na Rússia para acompanhar diretamente o processo. Em maio de 2017, ele foi condenado a seis anos e meio de prisão, pena que foi reduzida em setembro do mesmo ano para três anos em regime fechado.

Como não existia um acordo firmado entre Brasil e Rússia que beneficiasse a transferência de Eduardo Chianca, o esforço para transferi-lo acabou envolvendo diferentes órgãos federais como o Ministério da Justiça, o Ministério das Relações Exteriores, a Embaixada do Brasil na Rússia e da Rússia no Brasil, bem como a Defensoria Pública da União, que foi procurada pela esposa dele, Patrícia Junqueira, em março de 2017. O caso chegou a ser tema de uma conversa entre o presidente Michel Temer e o presidente russo, Vladimir Putin, durante a abertura da cúpula do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em Goa, na Índia, em outubro de 2016.

O objetivo era fazer com que ele cumprisse o tempo remanescente da pena russa em solo brasileiro. A transferência só foi autorizada em setembro de 2018, mas os trâmites estenderam a volta por mais dois meses. A Polícia Federal, por sua vez, foi acionada para organizar a transferência do preso para o Brasil.


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