DP NOS BAIRROS Setúbal, o nascimento de um bairro Câmara do Recife aprovou parecer para criação do bairro e o executivo irá elaborar um projeto de lei para sua regulamentação

Por: Tânia Passos - Diário de Pernambuco

Publicado em: 09/11/2018 09:08 Atualizado em:

Degiglauce, Georgeane e Degivane frequentam Setúbal por qualidade de serviços. Foto: Nando Chiappetta/DP FOTO
Degiglauce, Georgeane e Degivane frequentam Setúbal por qualidade de serviços. Foto: Nando Chiappetta/DP FOTO
Setúbal e Boa Viagem têm nomes distintos, mas são um só bairro, por enquanto. Boa Viagem faz parte da 6ª Região Político Administrativo (RPA); o vizinho que já tem ares de independência, ainda não. Embora exista uma subdivisão informal, não reconhecida na estrutura geopolítica do município, segundo a Lei nº 16.293 de 1997, que instituiu as RPAs, criou-se uma cultura de bairro autônomo. Essa sensação de pertencimento pelos moradores de Setúbal está mais perto de se reverter em uma condição oficial. 

A Comissão de Legislação e Justiça da Câmara de Vereadores do Recife aprovou, neste ano, um parecer para a criação do novo bairro. E até dezembro deste ano a Prefeitura do Recife enviará um Projeto de Lei para estabelecer um regramento geral para a criação da nova área, que poderá beneficiar também Setúbal. O local não é incluído entre os bairros da RPA, composta por Boa Viagem, Brasília Teimosa, Imbiribeira, Ipsep e Pina.

A interiorização do bairro de Boa Viagem, que avançou para além das fronteiras do Canal de Setúbal, que corta as duas áreas na região meridional do bairro, acabou trazendo características distintas em relação à beira-mar, entre elas o fato de ser mais arborizado e oferecer serviços diversos. “Em Setúbal, a rua é um destino com as diversas atividades que são feitas. Em Boa viagem a gente evita a rua”, comparou o sociólogo Daniel Uchôa, do Coletivo Setúbal, que defende a separação dos bairros.

O Canal de Setúbal se encontra na principal avenida do bairro, a Visconde de Jequitinhonha, que faz ligação ao Sul com o município de Jaboatão dos Guararapes. Os pontilhões do canal permitem uma maior fluidez dos pedestres para ambos os lados. Do “lado” Setúbal encontramos uma mãe e duas irmãs, que moram na Avenida Boa Viagem, mas buscam serviços do lado contrário do canal.

“Setúbal é um bairro bem completo. Tem farmácia, padaria, mercadinho, academia, curso de inglês. O que a gente procura tem”, enfatizou Degiglauce Lima, 40 anos, professora de inglês. A irmã dela segue a mesma linha. “Tudo praticamente a gente faz aqui em Setúbal. A igreja da gente é aqui, a academia de ginástica e os eventos de rua daqui no domingo ou sábado à noite, a gente também participa”, contou Georgeane Nascimento, 34 anos. “Nós temos a praia, os quiosques e o Parque Dona Lindu”, resumiu a aposentada Degivane Nascimento Lima, 70 anos, moradora da beira-mar de Boa Viagem.

O caminho inverso também acontece. A aposentada Jeane Costa, 57 anos, mora no “lado” Setúbal, mas costuma caminhar todos os dias até a beira-mar, no lado de lá. “Gosto muito de morar aqui. É muito tranquilo e fica pertinho de Boa Viagem. Eu faço uma caminhada diária na orla e tomo um banho de mar, depois volto andando para casa”.

“Há um consenso de identificação muito forte dos moradores de Setúbal, que não se referem ao local como sendo Boa Viagem. Existe esse sentimento de pertencimento muito forte e há uma grande oferta de serviços que, de certa forma, supre os moradores”, destacou o secretário de Planejamento Urbano do Recife, Antônio Alexandre.

Com a separação das regiões será necessário refazer a divisão político-administrativa, que implica, por exemplo, na mudança de cadastro do IPTU, Correios, Compesa e Celpe. E altera também o atual processo de pesquisa como as realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 


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