Dia de Finados Cemitério de Santo Amaro tem movimento intenso Além das homenagens aos que já se foram, fiéis assistiram a uma missa celebrada pelo arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 02/11/2018 11:40 Atualizado em: 02/11/2018 15:19

Saburido conclamou os presentes a pensar em seus entes queridos que partiram e nas lembranças deixadas. Foto: Sávio Gabriel/DP (Foto: Sávio Gabriel/DP)
Saburido conclamou os presentes a pensar em seus entes queridos que partiram e nas lembranças deixadas. Foto: Sávio Gabriel/DP
Como de costume, os pernambucanos aproveitam o dia de Finados para prestar homenagens aos entes que já faleceram. No Cemitério de Santo Amaro, um dos principais da capital pernambucana, o arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido celebrou uma missa fazendo uma homenagem aos que não estão mais presentes. Na ocasião, ele falou sobre celebrar a esperança. “Como cristãos, sabemos que a morte não é o fim. Devemos continuar firmes, acreditando na ressureição. É através da morte, por mais duro que pareça, que alcançamos a vida eterna”.

Ainda na celebração, Dom Fernando Saburido conclamou os presentes a pensar em seus entes queridos que partiram e nas lembranças deixadas. “Morremos como vivemos. Não tem lugar para o desespero. A gente chora, lamenta, mas esse sentimento não deve prevalecer. O que devemos pensar, no dia de hoje, é como estamos amando. Será que estamos vivendo o evangelho como uma comunidade de amor, de Irmaos?”. 

Aproveitando o momento, o representante da igreja Católica lembrou das desavenças familiares nesse periodo de eleicao. “Quantas famílias se desentenderam por política? Isso é lamentável. É passageiro. Precisamos nos unir pelo amor e fraternidade”. 

A aposentada Rosália Barbosa, moradora de Paulista, frequenta o cemitério há mais de 20 anos e sempre assiste a celebração. “Todos os meus parentes se foram. Pai, mãe, filho, tios. A palavra do arcebispo é uma maravilha”.Fortemente emocionada, a costureira Maria das Neves, moradora da Torre, também assitiu a missa e carregava um buquê de flores para homenagear o filho, falecido há um mês. Já o estudante Antônio Carlos conta que todos os anos assiste à cerimônia religiosa. "Sempre venho visitar o túmulo do ex-governador Eduardo Campos, que eu considerava um amigo, e neste ano vim visitar também José Pimentel, com quem eu trabalhava na Paixão de Cristo", conta. O ator faleceu no dia 14 de agosto.

 
No cemitério de Santo Amaro, túmulo da menina sem nome é um dos mais visitados. Foto: Sávio Gabriel/DP (Foto: Sávio Gabriel/DP)
No cemitério de Santo Amaro, túmulo da menina sem nome é um dos mais visitados. Foto: Sávio Gabriel/DP
Além das homenagens aos parentes, uma parte da população realizou homenagens nos túmulos de figuras públicas. No túmulo do ex-governador Eduardo Campos, pessoas passavam para prestar homenagens ao político, falecido em 2014. Uma bandeira de Pernambuco e do PSB, partido do qual fazia parte, estavam no local. A servidora pública Patrícia Barboza, moradora da Encruzilhada, disse que a família Arraes é sinônimo de resistência. “Principalmente nesse momento político que vivemos”, ressaltou. Ela foi ao cemitério homenagear a avó e a tia, que estão enterradas no local. "Vir ao cemitério homenagear os entes queridos é uma tradição que minha mãe tinha e a gente sempre tem que copiar os gestos bons".

Outro túmulo bastante visitado foi o da "menina sem nome", morta em uma praia, em 1970 e que nunca foi identificada. Apesar do anonimado, muitos dizem ter alcançado milagres graças à interveção da "santa". Neste dia de Finados, muitos admiradores deiaram flores, bolos e doces no local. "É a primeira vez que visito. Vim ao cemitério homenagear a minha mãe, falecida em abril. Certamente virei nos próximos anos", explicou a dona de casa Neide Francisca da Silva, que mora em Abreu e Lima, na Região Metropolitana. "Fiz uma promessa e, se Deus quiser, ano que vem volto para agradecer".

Gerente de necrópoloes da Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb), Luciano Nascimento disse a expectativa é de que 30 mil pessoas tenham visitado o cemitério de Santo Amaro ao longo da semana e que 20 mil tenham comparecido aos demais cemitérios da cidade (Casa Amarela, Parque das Floires, Tejipió e Várzea). "Montamos um esquema que já iniciou há duas semanas, com mutirão de limpeza, melhoria na iluminação, capinação, pintura de meio fio". Segundo ele, o número de guardas municipais no entorno do cemitério de Santo Amaro foi ampliado, totalizando 50 agentes durante toda a sexta-feira.


Morada da Paz
Em Paulista, na Região Metropolitana, o movimento no cemitério Morada da Paz era tranquilo. Muitas pessoas fizeram questão de homenagear de seus entes queridos, assim como personalidades que estão enterradas no local. É o caso do cantor Reginaldo Rossi e do escritor Ariano Suassuna, cujas lápides estão posicionadas lado a lado. A expectativa é de que entre 12 e 13 mil pessoas tenham visitado o cemitério entre a quinta e sexta-feira.

O auxiliar de serviços gerais Manoel da Silva saiu de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, para visitar o cantor, de quem é fã. "Sou fã desde pequeno. Todos os anos venho visitar o meu amigo. Enquanto eu tiver vida, permanecerei vindo", disse, emendando trechos de músicas famosas, a exemplo de "Recife Minha Cidade". No local, ele também fez questão de declamar um verso ao cantor, falecido em 2013. "Meu amigo Reginaldo, meu amigo Rossi. Ele é o rei de Pernambuco. E se chama Reginaldo Rossi".

Diretor de operações do Grupo Vila, que administra o Morada da Paz, Lúcio Telles destacou que os preparativos para o Dia de Finados iniciaram há um mês. "É a nossa principal data do ano. Para 2018, o tema é gratidão, que faz relação com os entes queridos que cada um tem aqui, sendo motivo para lembrar e agradecer o tempo que essas pessoas passaram com seus familiares". Ao longo do dia, foram realizadas diversas cerimônias, sendo uma missa e um culto no horário da manhã, uma palestra espírita, e uma missa de encerramento à tarde, comandada pelo Frei Damião e padre Hélio.


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