estrada Reforma da PE-027 deve sair do papel Obras de urbanização da Estrada de Aldeia podem começar a ser executadas em 2019, cinco anos após elaboração da proposta pelos moradores do bairro

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 01/11/2018 07:47 Atualizado em: 01/11/2018 07:53

Falta de calçadas está entre os principais problemas da via de 18 km. Foto: Peu Ricardo/DP
Falta de calçadas está entre os principais problemas da via de 18 km. Foto: Peu Ricardo/DP

O projeto de transformação da hoje degradada, esburacada e perigosa PE-027, conhecida como Estrada de Aldeia, deve sair do papel em 2019. Cinco anos depois de um esboço que mostra como a rodovia ficaria se fosse requalificada ser entregue por moradores do bairro de Camaragibe ao poder público, o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Pernambuco (DER-PE) informa que as obras de restauração estão incluídas no Programa Rodoviário de 2019. Dos 170 mil habitantes do município, cerca de 50 mil moram ao longo da estrada, que tem um trecho em Paudalho.

Enquanto aguardam as melhorias, os moradores sofrem com o estado da rodovia. O Diario percorreu os 18 km e encontrou problemas. Nas proximidades do campus Camaragibe da Universidade de Pernambuco (UPE), a faixa de pedestre que deveria ser usada pelos estudantes não existe mais. A pintura desgastada está praticamente imperceptível. Os motoristas que passam pela estrada não param, e, nos trechos sem semáforo, os pedestres esperam até 20 minutos para atravessar. “Ficamos apreensivos todos os dias, pois o risco de um acidente é muito grande aqui”, afirmou a dona de casa Cristiane do Nascimento, 33 anos. Ela mora em Aldeia desde 1987.

Para quem usa ônibus, as dificuldades também existem. As paradas dos coletivos não têm abrigo. Como a pista não é dotada de acostamento, os ônibus param muito perto dos passageiros. Quando está chovendo, muitos tomam banho de lama. Nos dias de sol, comem poeira, literalmente. “Já não temos espaço e ainda há um matagal crescendo onde a gente fica. Isso tudo piora, porque só passam duas linhas de ônibus, então a espera é grande. A gente fica meia hora por aqui, sujeito a todo tipo de problema”, disse a diarista Lindinalva Bione, 41 anos.

Insegura, faixa de pedestres está apagada e não tem semáforo. Foto: Peu Ricardo/DP
Insegura, faixa de pedestres está apagada e não tem semáforo. Foto: Peu Ricardo/DP


Em 2013, moradores do bairro elaboraram um projeto de requalificação da rodovia. O Fórum Socioambiental de Aldeia, formado de membros da comunidade de Aldeia, criou o esboço de uma estrada-parque, contemplando ordenamento e embelezamento, com ciclovia, jardins, arborização, acostamento, calçadas para pedestres e redutores de velocidade, além da implantação de vias secundarias alternativas para desafogar o trânsito na via principal.

O presidente do Fórum Socioambiental de Aldeia, Herbert Tejo, ressalta que o projeto tem três premissas principais: baixo custo, priorização dos pedestres e ciclistas e embelezamento por meio de paisagismo. “Com o projeto em mãos, começamos a bater nas portas de vários órgãos do poder público. Apresentamos uma ideia exequível, de baixo custo, que não previa desapropriações”, pontuou. Em 2013, os moradores recolheram cerca de 1,5 mil assinaturas pedindo a execução do projeto. “A comunidade de Aldeia se organiza, propõe. Não só reclamamos, mas propomos respostas para os problemas”, ressaltou. As soluções apresentadas pelos moradores, porém, nunca se tornaram realidade pelas mãos do poder público.


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