Dia de Finados Projeto ajuda abordar tema de luto entre as crianças Piscóloga aconselha a família falar com os pequenos sobre o assunto, sem saber dos detalhes do motivo da morte

Publicado em: 31/10/2018 14:30 Atualizado em:

Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação
Falar sobre a morte ainda é um grande tabu entre as pessoas. E quando setrata de conversar a respeito do tema com as crianças, a dificuldade se agiganta, pois muitos familiares ainda acreditam que os pequenos devem ser mantidos o mais distante possível dessa realidade. Porém, segundo a psicóloga do luto do Morada da Paz, Mariana Simonetti, falar com os pequenos sobre a perda não é apenas importante, mas necessário para prepará-los melhor para os diversos momentos de perda que eles vão enfrentar na vida.

“Quando ocorre uma morte de um ente próximo à criança, é importante que ela esteja inteirada do assunto e não seja enganada, para que passe a ver a morte como algo natural, que faz parte do ciclo da vida”, afirma Mariana. A profissional explica que, ao esconder o assunto das crianças, os pais podem criar nelas a impressão de algo proibido e que deve ser temido. Podem ainda deixá-las sem espaço para expressar seus sentimentos a respeito do assunto. “Os pais não precisam entrar em detalhes, principalmente, se foi uma morte violenta ou causada por doença. Mas é importante que a criança saiba o que está acontecendo”, completa a psicóloga.

No caso das crianças mais novas, existe o fato de elas não entenderem ainda que a morte é irreversível. “Ela vai sentir saudade do animal de estimação ou do ente querido como se ele tivesse se ausentado apenas naquele momento. E, com o tempo, vai perceber que a pessoa ou o bichinho não vai voltar. Por isso, é importante que o adulto vá colocando isso aos poucos”, explica Mariana. Quanto à participação da criança no velório ou sepultamento, Mariana afirma que é importante os pais explicarem a situação que as crianças vão encontrar – um ambiente triste, no qual as pessoas vão estar chorando – e perguntarem se elas vão querer ir. No caso das menores, ou que ainda não têm maturidade para entender a situação, os pais devem explicar para onde vão e dizer que preferem que elas fiquem em casa.

Turma do Vilinha – Além de psicóloga do luto do Morada da Paz, Mariana Simonetti é responsável pelo conteúdo do projeto Turma do Vilinha. A iniciativa, promovida pelo Grupo Vila, tem como objetivo oferecer informações aos adultos e desmitificar o debate a respeito do luto infantil. O projeto tem como protagonista o garoto Vilinha, menino de 7 anos que tem a lagarta Lalá como animal de estimação. Lalá se transforma em uma borboleta e, confundindo metamorfose com a morte, o garoto começa a se interessar pela temática.

Vilinha carrega consigo a “sacola de sacudir”, que traz jogos e outras atividades lúdicas destinadas a ajudar os amigos quando eles precisam de informações. Completam a Turma os personagens: Dudu, que perdeu a mãe há dois anos e ainda lida com a repercussão dessa perda; Nina, que acaba de perder a avó; Bia, que perdeu o pai há cerca de 1 ano e meio; Tina, transferida recentemente para a escola do Vilinha e que, ao tentar fazer novos amigos, lembra muito a amiga que faleceu recentemente; Huguinho, que nasceu com deficiência auditiva e ainda sente a perda do cachorrinho de estimação; e a Professora, personagem adulta que dá suporte às crianças e também aos pais delas.

O projeto já contém dois livros, que contam a história do Vilinha e de seu amigo Dudu. A iniciativa prevê ainda o lançamento de jogos educativos, vídeos e cartilhas que vão se aprofundar nas estórias dos demais personagens. Todo o material pode ser acessado gratuitamente no site http://www.turmadovilinha.com.br> www.turmadovilinha.com.br

Dia da Lembrança – Além do hotsite, a Turma do Vilinha poderá ser melhor conhecida nesta sexta-feira (2/11, Dia de Finados), data em que o Morada da Paz celebra o Dia da Lembrança. No dia, o cemitério vai reservar um espaço destinado à divulgação e vivência de algumas atividades que fazem parte do projeto. No dia, o público confere ainda uma programação especial preparada pelo Morada para celebrar a data.

O Dia da Lembrança tem início às 9h, com missa com o presidente das Pastorais Sociais da Arquidiocese de Olinda e Recife, o padre Hélio Nascimento. Quem não tiver oportunidade de participar da missa pela manhã poderá acompanhar a celebração de encerramento que o padre Hélio realizará às 16h, com participação musical do Frei Damião Silva.

Além da missa, a programação do Dia da Lembrança vai contar com culto evangélico às 11h e palestra espírita às 13h, com a diretora de Integração Federativa da Federação Espírita Pernambucana (FEP), Ednar Santos. Todas as cerimônias são abertas ao público e vão ser realizadas em área coberta e com assentos para os presentes. A expectativa é que o Morada da Paz receba um público estimado em 50 mil pessoas.


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.