religião Arcebispo condena violência e aborto Críticas foram feitas no Sim à Vida, onde dom Fernando, em resposta a alerta de possível uso político da caminhada, ressaltou o caráter religioso do evento

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 22/10/2018 08:17 Atualizado em:

Multidão celebrou a Semana da Família e o Dia do Nascituro. Foto: AOR/Divulgação
Multidão celebrou a Semana da Família e o Dia do Nascituro. Foto: AOR/Divulgação
Deu resultado o apelo do arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido. Ontem, a Caminhada Sim à Vida, promovida pela Igreja Católica, na Avenida Boa Viagem, aconteceu sem qualquer tipo de manifestação com fins partidários, como chegou a ser alertado por um grupo de movimentos religiosos e sociais à Arquidiocese de Olinda e Recife. Na caminhada, o arcebispo condenou todas as iniciativas que levam à morte, desde o aborto à violência responsável pelo assassinato de milhares de jovens no estado.

Ao abrir a caminhada, dom Fernando Saburido afirmou que ela era pacífica e sem bandeira política partidária. “O momento é para dizer sim à vida e não de fazer campanha em favor desse ou daquele candidato”, disse o líder religioso, que repudiou o desmatamento, a fome e os assassinatos. “Nós repudiamos os assassinatos, sobretudo em nosso estado. A maioria das mortes são de jovens”, frisou. Quanto ao aborto, sobre um dos cinco trios elétricos mobilizados para o movimento, o arcebispo afirmou que não a igreja não aceita o esforço para legalizar o aborto. “A gente não aceita. Também alertamos sobre a mortandade de jovens, a situação de tortura nos presídios e mais atenção para a população idosa”, destacou o religioso.

Nas vésperas do evento, na sexta-feira, o arcebispo, após receber uma carta dos movimentos sociais e religiosos, que alertava para a possibilidade do uso político da caminhada, gravou um vídeo direcionado para todas as paróquias. Ele pedia que o espaço não virasse palanque para qualquer um dos dois candidatos à presidência, Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL). E solicitou que as pessoas não usassem camisas com propaganda política ou fizessem panfletagem. O ato faz parte da Semana da Família e do Dia do Nascituro, datas instituídas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). 

Seis movimentos religiosos e sociais ligados à arquidiocese apelaram ao arcebispo para adiar a caminhada. Havia informações de que um grupo ligado à Pastoral da Família pretendia cantar o hino nacional, o que seria um mote para gritos em favor do candidato do PSL. O pedido foi protocolado na Cúria Metropolitana, mas o religioso optou por manter a caminhada. Assinaram o pedido Tenda da Fé, Centro de Estudos Bíblicos, Fórum de Articulação de Leigos e Leigas, Movimento de Trabalhadores Cristãos e o Movimento de Mulheres contra o Desemprego. 

Um grupo de jovens da Paróquia São Pedro, em Jaboatão dos Guararapes, foi à caminhada pela primeira vez. “A gente recebeu muitas bênçãos. Somos sim à vida, contra o aborto”, disse uma das jovens. Maria Cecília Freire, 16 anos, e a amiga Inalda Vereda, 16, da Paróquia Santa Luzia, na Estância, acreditam que o evento é uma forma de mostrar que a juventude católica resiste. “Para nós, é um fortalecimento da fé”, destacou Inalda.


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