Projeto Fogo Cruzado Recife tem maior número de disparos de arma de fogo O levantamento foi feito de abril a setembro pelo projeto Fogo Cruzado, do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Política de Segurança (NESP) da UFPE

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 17/10/2018 07:59 Atualizado em: 17/10/2018 08:07

Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press
Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press

Recife é a cidade com maior número de disparos de arma de fogo da Região Metropolitana, com uma média de 265 registros de tiros ou tiroteios de abril a setembro deste ano. O número foi revelado pelo Fogo Cruzado, coordenado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Políticas de Segurança Pública (NEPS) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O projeto funciona como um laboratório de dados alimentado pela população e já funciona no estado do Rio de Janeiro com a mesma finalidade: compreender os padrões de violência das cidades.

Qualquer pessoa pode baixar o aplicativo Fogo Cruzado, que funciona de forma sigilosa, sem identificar a identidade do usuário que registra a notificação. Na Região Metropolitana foram contabilizados por dia 561 mortes e 273 feridos. A ferramenta informa índices de violência fatais, feridos e indica se houve presença policial, se vitimizou agentes e ainda gera um percentual de homicídios praticados com armas de fogo. 

O bairro com maior número de registros foi o Ibura, localizado na Zona Sul do Recife, com 26 tiroteios ou disparos, 22 mortos e 12 feridos. O segundo bairro mais violento foi Cohab, na Zona Oeste do Recife, com 25 registros de disparos com arma de fogo, 17 mortos e 7 feridos. Piedade, Jaboatão Centro e Cruz de Rebouças, em Igarassu, também estão entre as cinco localidades com maior número de tiros.

Ibura foi o bairro com maior número de disparos, com 26 tiroteios e 22 mortos, em seis meses. O aplicativo Fogo Cruzado é alimentado com informações repassadas pela população. Qualquer pessoa pode baixar o app. Foto: Peu Ricardo/DP
Ibura foi o bairro com maior número de disparos, com 26 tiroteios e 22 mortos, em seis meses. O aplicativo Fogo Cruzado é alimentado com informações repassadas pela população. Qualquer pessoa pode baixar o app. Foto: Peu Ricardo/DP


O coordenador do projeto e professor de sociologia da UFPE, José Luiz Ratton, observa que certos territórios têm maiores demandas sociais e déficits dos direitos sociais e há uma ocorrência de insegurança. “Parte dessas notificações dentro de residências coincide com ocorrência de homicídio duplo ou triplo por disparo de arma de fogo. Isso demonstra que existem padrões de violência organizada ocorrendo nesses espaços, que indica a possibilidade de a gente aventar algumas causas, como: disputa de grupos armados e presença de grupos de extermínio. Isso exige do estado estratégias mais complexas de prevenção e de proteção dessas comunidades que são destituídas dos seus direitos sociais”, explica Ratton.

Um dos padrões observados no relatório do Fogo Cruzado é que a maior parte das pessoas envolvidas em atividades violentas com arma de fogo é do sexo masculino. O levantamento contabilizou 528 homens mortos por disparo de arma de fogo, correspondendo a 94,12% do total. 


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