DP NOS BAIRROS Os verdes quintais do Poço da Panela Bairro, com dois setores considerados de Preservação Rigorosa, é conhecido como um dos lugares mais arborizados da capital pernambucana

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 10/10/2018 07:49 Atualizado em:

Poço é também uma área de preservação ambiental. Foto: Nando Chiappetta/DP
Poço é também uma área de preservação ambiental. Foto: Nando Chiappetta/DP
Naquela casa de muro baixo e muitas folhas decorando o chão de terra, o quintal tem variadas árvores frutíferas. São pés de pitanga, goiaba, acerola, manga, mamão. O espaço privilegiado fica na Rua Joaquim Xavier de Andrade, no Poço da Panela, bairro conhecido pelo potencial verde das residências.

A escritora e terapeuta Patrícia Vasconcelos, 56 anos, escolheu o imóvel onde vive com o marido, o fotógrafo Roberto Arrais, 62, por conta da aparência de originalidade da casa e das árvores. “Não é como um jardim fake. Isso aqui é muito natural. É importante para a gente viver perto da natureza. Há uma imensidade de vidas aqui, como pássaros, abelhas. Além disso, tem a temperatura amena e a proteção acústica”, pontuou Patrícia. As frutas, diz Roberto, são sempre usadas para fazer sucos. “Pegamos direto da fonte, de forma bem natural”, completou.

As árvores frutíferas dos quintais do Poço da Panela são tão conhecidas que viraram tema recorrente na pintura da artista plástica Clarissa Garcia, 55, moradora do bairro desde os 11 anos. Hoje ela mora na Rua Álvaro Macedo, onde plantou duas espécies de árvore na calçada e um pé de acerola no pequeno espaço da frente da casa. “Esse aqui tem a idade de meu filho, ou seja, 28 anos. Plantei quando estava grávida dele, logo que cheguei aqui para morar.”

As telas com temas verdes, diz Clarissa, emocionam e atraem as pessoas porque remetem a um passado onde na infância havia quintais e árvores para escalar. “Isso está se acabando. É um sentimento de nostalgia, de tempo de convívio maior com a natureza”, refletiu.

Ana Rita Sá Carneiro, arquiteta e professora do Departamento de Arquitetura da Universidade Federal de Pernambuco, lembra que o Poço da Panela é considerado Zona Especial de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural. O bairro possui dois Setores de Preservação Rigorosa e dois Setores de Preservação Ambiental, o que ajuda na manutenção do casario e do verde dos quintais.

“Em Casa Forte também vemos esse verde, mesmo com os edifícios, assim como no Espinheiro, em ruas como a 48, a Conselheiro Portela e a Visconde de Suassuna”, listou. Para Ana Rita, o fato dos jardins de Burle Marx serem considerados patrimônio nacional funciona como um impulso para a população cuidar melhor desses monumentos vivos.

O Poço da Panela surgiu por volta do século 18 e pertencia às terras do Engenho Casa Forte. Era um simples povoado em meio às plantações de cana-de-açúcar. O perfil mudou a partir de 1746, quando uma epidemia de cólera foi registrada no Recife. Banhado pelo Rio Capibaribe, o mergulho nas águas doces foi recomendado na época por médicos para combater o mal. Foi quando pessoas ricas da capital ocuparam o lugar com suas casas de veraneio. Somente na década de 1970, dividido em lotes, foi então ocupado pela classe média.
 


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