Meio Ambiente Fernando de Noronha terá mais energia solar Arquipélago dispõe de duas usinas de captação da luz solar. O sistema permitirá armazenamento de energia fotovoltaica com tempo nublado

Publicado em: 09/10/2018 08:24 Atualizado em: 09/10/2018 08:28

A ilha dispõe de duas usinas solares: Noronha 1 e 2. O novo investimento está orçado em R$ 6 milhões. Imagem: Divulgação
A ilha dispõe de duas usinas solares: Noronha 1 e 2. O novo investimento está orçado em R$ 6 milhões. Imagem: Divulgação

Moradores do arquipélago Fernando de Noronha vão ampliar o uso de energia fotovoltaica (energia solar) em 20% até o final do ano e, com isso, haverá redução no consumo do biodiesel. A utilização de energia fotovoltaica não é uma novidade no arquipélago. O que muda é a perspectiva de armazenamento e ampliação do uso para momentos de ausência de luz solar, especialmente no período noturno. Isso é possível, graças a um sistema de uso inédito no Brasil, que teve o primeiro módulo desembarcado ontem na ilha com instalação prevista até o final do mês.

“É um trabalho inovador em nível nacional e internacional”, garante o superintendente técnico da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), Carlos Eduardo Soares, 39 anos, animado com o novo sistema inteligente de armazenamento de energia. Segundo a Celpe, os investimentos são da ordem de R$ 6 milhões, mas o projeto inteiro terá aporte de R$ 20 milhões, estruturado pelo Programa de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) do Grupo Neoenergia e regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A carga de 10 toneladas em equipamentos irá compor o primeiro módulo de armazenamento inteligente de energia em implantação no arquipélago. O objetivo é  potencializar o sistema de geração fotovoltaica em operação em Fernando de Noronha, com duas usinas solares, Noronha 1 e 2. O sistema é composto por dois módulos com tecnologia de armazenamento em baterias em íons de lítio. Cada módulo tem 280 kW de potência. Nos horários de geração solar, o abastecimento será feito pelas duas usinas fotovoltaicas e a energia não consumida recarregará as baterias para uso após o pôr do sol.

Segundo Carlos Eduardo Soares, o trabalho envolve também especialistas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Lactec, além do Instituto Avançado de Tecnologia e Inovação (Iati), na área de ações ambientais com habitantes e turistas. O sistema já tem precedentes de uso no México, Estados Unidos e Europa. Apesar disso, Fernando de Noronha é um caso inovador, segundo o Grupo Neoenergia, com Sistema de Redes Inteligentes (REI) de perdas muito pequenas e tecnologia smart grid, medidores telecomandados, portal para acompanhamento pela clientela, emprego e teste de novas tecnologias de comunicação e microgeração de energia por residências que direcionam excedentes para o sistema.  

Para a clientela não haverá diferença de custo, antecipa Carlos Eduardo Soares, que chega a considerar a perspectiva de desligar uma das quatro máquinas geradoras de energia à base de biodiesel. Para ele, a redução do custo de geração de energia deverá chegar a 8%, além da redução do impacto ambiental, quando os dois módulos estiverem funcionando, até o final do ano, contribuindo com até 20% da demanda para cerca de mil clientes. A opção pela energia fotovoltaica, explica o superintendente, se dá pela questão da facilidade de transporte e implantação quando comparada à energia eólica.


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.