DP NOS BAIRROS Via Mangue, duas ou três faixas? Acostamento da via vem sendo usado pelos motoristas como terceira faixa de rolamento . O risco de acidente é se o motorista precisar usar o acostamento

Por: Rosália Vasconcelos

Publicado em: 05/10/2018 08:22 Atualizado em: 05/10/2018 08:35

Sinalização em duplicidade das faixas acaba confundindo o motorista. Foto: Peu Ricardo/DP
Sinalização em duplicidade das faixas acaba confundindo o motorista. Foto: Peu Ricardo/DP

A sinalização horizontal e vertical da Via Mangue, Zona Sul do Recife, tem sido um calcanhar de Aquiles para motoristas que trafegam na via, sobretudo à noite. A linha contínua que reserva as faixas da extrema direita para servir de acostamento, nas pistas leste e oeste, nem sempre é bem interpretada pelos condutores, que acabam usando o espaço, destinado à parada ou a estacionamento, como “terceira faixa” de circulação. Um emaranhado de pinturas tracejadas e contínuas no chão, feitas na época de inauguração da Via Mangue, e não apagadas, e a ausência de placas indicativas da função de cada faixa, também confundem motoristas, podendo provocar graves acidentes. A Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU), responsável pelo equipamento, disse que ambas as pistas do corredor viário receberão manutenção até o primeiro trimestre de 2019.  

De acordo com o urbanista especialista em mobilidade urbana, Pedro Guedes, tecnicamente uma via urbana expressa exige acostamento, já que a velocidade máxima permitida geralmente é de até 80km/h. “No caso da Via Mangue, a velocidade máxima permitida é de até 60km/h, porque essa foi a velocidade de desenho no projeto. Acima de 60, é impossível dirigir em segurança por causa das curvas. E é justamente pelo traçado da via que o acostamento se torna imprescindível para garantir a segurança dos usuários”, ressalta Guedes. Segundo ele, a licitação da obra da Via Mangue previa 2,5 metros de acostamento em cada lado. Esse espaço é necessário para que, nos casos em que o motorista se envolver em um acidente ou o veículo sofrer uma pane, ou um pneu furar, ele possa ter um local seguro para encostar o carro até o socorro chegar.

Motorista teve o carro quebrado na via na noite da segunda-feira. Foto: Peu Ricardo/DP
Motorista teve o carro quebrado na via na noite da segunda-feira. Foto: Peu Ricardo/DP


O maior problema da linha contínua que indica a presença do acostamento na Via Mangue é que ela não vem acompanhada de sinalização vertical, com placas alertando a existência do suporte viário. E as pinturas erradas marcadas no asfalto ajudam a confundir os condutores. Não é raro ver motoristas, sobretudo motociclistas, circulando pelo acostamento como uma terceira faixa de rolamento, sobretudo em horários de pico. O condutor que comete esse tipo de infração, ainda que desavisado, pode provocar um grave acidente caso tenha algum carro parado no acostamento. “O Código de Trânsito Brasileiro diz que se uma via não tem calçada e houver necessidade de circulação de um pedestre, incluindo alguém que precise sinalizar um carro quebrado, trocar um pneu, prestar socorro a alguém, pode usar o acostamento. Se há motoristas circulando a 60km/h nesse espaço viário, está colocando a vida dessas pessoas (e a dele) em grande risco”, completa o urbanista.

O gestor de Tecnologia da Informação Alberto Albuquerque, 35 anos, usa diariamente a Via Mangue na ida e na volta ao trabalho e diz que não é incomum ver motoristas utilizando o acostamento como faixa de circulação. “Já é tão habitual utilizar o acostamento como terceira faixa na Via Mangue, sobretudo nos horários de pico, que quando um carro quebra e precisa utilizar o espaço, o trânsito piora ainda mais e muita gente reclama. Nesta semana, vi um carro parado com o pneu furado. O motorista sinalizou com um triângulo. Mas era perceptível que ele estava com dificuldades e com medo de vir um segundo condutor e colidir com ele. Tem gente que faz até ultrapassagem pelo acostamento ou invade esse espaço para forçar passagem para as faixas normais de circulação”, conta Alberto. 

Quem vivenciou essa situação foi o caminhoneiro Márcio Cordeiro da Silva, 37 anos. Na última segunda-feira, ele voltava para casa com a esposa Glória Batista, 35 anos, e os parafusos do pneu folgaram. Apesar de sinalizar com pisca alerta e triângulo após encostarem o carro, eles temiam sofrer um acidente caso um motorista viesse em alta velocidade pelo acostamento e não desse tempo de frear. “Nós paramos o carro em cima da curva e pedimos ajuda para empurrá-lo um pouco mais pra frente justamente pelo medo de sofrer uma batida porque sabemos que ninguém respeita o acostamento. Tem gente que nem sabe que ele existe e não há placa avisando de que isso é um acostamento”, relatou Márcio. 
 


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