DP NOS BAIRROS Ipsep nasceu para ser vila e foi além Com quase 80 anos, o bairro, na Zona Sul do Recife, abriga uma população de cerca de 25 mil pessoas e oferece serviços, comércio e histórias de vida

Por: Gustavo Carvalho - Diario de Pernambuco

Publicado em: 04/10/2018 08:18 Atualizado em: 04/10/2018 08:23

As moradias foram construídas inicialmente para os servidores do antigo Instituto de Previdência Social. Foto: Leo Malafaia/Esp. DP.
As moradias foram construídas inicialmente para os servidores do antigo Instituto de Previdência Social. Foto: Leo Malafaia/Esp. DP.

O bairro do Ipsep, na Zona Sul do Recife, é celeiro de histórias. A área, que integra a 6ª Região Político-Administrativa do Recife (RPA-6), formada por um total de oito bairros, tem a sua origem um tanto quanto curiosa. O distrito surgiu de um núcleo residencial construído na primeira metade da década de 1940, financiado e construído pelo IPSEP (Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Pernambuco) para residência dos servidores estaduais de Pernambuco, próximo aos bairros da Imbiribeira, Caçote, Ibura e Boa Viagem. Esse conjunto residencial recebeu o nome de Vila do Ipsep, sendo reduzido seu nome, posteriormente, para Ipsep.

Segundo dados da Prefeitura do Recife, o bairro conta com 25.029 habitantes. Ante o que era apenas um reduto domiciliar de servidores públicos, se tornou uma área cuja principal característica é o comércio. Há clínicas, supermercados, farmácias, postos de gasolina, padarias, armazéns entre outros. Entre os pontos comerciais registrados, destaque para os bares e restaurantes bastante conhecidos. 

Denize Machado, 71, reside no bairro há 33 anos e montou seu próprio negócio. Foto: Leo Malafaia/Esp. DP.
Denize Machado, 71, reside no bairro há 33 anos e montou seu próprio negócio. Foto: Leo Malafaia/Esp. DP.


Um deles é o de Denize Machado, 71. Residente no bairro há 33 anos, ela mantém o negócio ativo desde 2003, quando assumiu o ponto que era do falecido marido. O carinho pelo local é tanto que ela não hesita em revelar: “Meu cunhado e outros da minha família queriam que eu vendesse, mas não cedi. Trabalho e me dedico para isso. Essa é minha fonte de renda. 

Antes de se dedicar aos negócios do falecido marido, Denize trabalhava em casa como costureira por conta própria. Segundo ela, a rotina atual nem se compara com a do passado. “Foi aqui que criei várias amizades. Boa parte é como uma família para mim. Quando se trabalha com o que se gosta tudo flui melhor. Quero morrer cuidando disso aqui”, conta, emocionada. 

Osvaldo Rezende, 54, é a irreverência em pessoa. Ele reside e trabalha há 25 anos no Ipsep no ramo de conserto de equipamentos sonoros. Nas noites, quando está ‘de boa’ como ele mesmo diz, costuma cantar em bares e restaurantes. A paixão pela música e pelos negócios é algo intrínseco, e ele faz questão de expressar tal sentimento. “Entrei nesse ramo de serviço por acaso. Trabalhei por muitos anos em uma companhia privada. Foi através disso junto à música que encontrei a minha própria liberdade. É algo inexplicável para mim”, conta, reflexivo. 

Cada lugar possui a sua história, cultura e tradição. Esse mix diz respeito aos diferentes costumes implantados em determinados locais. O aposentado Manoel Moreno, 70, é um dos moradores mais antigos do bairro. Para ele, o Ipsep é muito mais que um distrito. “Tenho várias recordações de quando costumava sair para ir à praça tomar um sorvete e caminhar tranquilamente. Os tempos pareciam melhores naquela época. Queria muito poder reviver aquilo tudo novamente”, relata, nostálgico. 

Como ele mesmo diz, não há lugar totalmente perfeito. Cada um possui seus prós e contra. Mas, ainda assim, o Ipsep enaltece sentimentos. “Gosto daqui. Os problemas são evidentes, é claro, mas  não tiram o brilho que há em cada canto que se olha. Daqui não sairei. Ficarei aqui até o último momento de minha vida”, conclui.



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