DP nos Bairros Moradores das Graças querem instalar placas para conscientizar donos de cães durante passeios Grupo diz que as pessoas precisam recolher as fezes dos animais, que geralmente são deixadas nas ruas

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 28/09/2018 08:20 Atualizado em: 28/09/2018 09:39

Bruno Barbosa costuma passear com os cães e sempre leva junto um saquinho. Foto: Camila Pifano/Esp. DP
Bruno Barbosa costuma passear com os cães e sempre leva junto um saquinho. Foto: Camila Pifano/Esp. DP
Para quem anda pelas ruas se deparar com fezes de animais nas calçadas não é uma experiência agradável, mas é cada vez mais comum.  A cena costuma acontecer e aborrecer com frequência moradores de bairros com muitos edifícios, onde muita gente está habituada a descer para caminhar com os bichos nas ruas e calçadas. É o caso das Graças, na Zona Norte do Recife, onde um grupo de vizinhos tenta incentivar a colocação de placas em prédios para fomentar a educação dos demais e evitar os dejetos nas calçadas.

O administrador Mark Daniel, 25 anos, geralmente sai duas a três vezes por dia com o cachorro Lilo. “Costumo trazer um saquinho à noite, que é quando ele faz os dejetos. Mas percebo que algumas pessoas não costumam fazer isso”, contou ele, que observa que essa é uma prática não restrita ao bairro das Graças. “Lá na frente da faculdade que estudo, na Ilha do Retiro, é cheio de fezes nas calçadas”, conta. 

Em lugares como o Poço da Panela, já existe uma campanha incentivando a cordialidade da vizinhança quanto ao cuidado com as fezes de animais deixadas nas ruas. A campanha Vizinho Legal instalou placas em árvores pedindo, com gentileza, que as pessoas façam o recolhimento daquilo que seus respectivos animais deixam nas ruas. Essa mobilização  está inspirando a vizinhança das Graças. 

“Sempre desço com a minha cadela Juju e levo os saquinhos. Moro na Beira Rio, que tem uma área grande para os animais e percebo como fica sujo. Fiz duas plaquinhas, uma para colocar no meu condomínio e outra no de uma amiga. Vamos ver se criamos uma onda. Se a gente for esperar, os órgãos públicos não vêm. Então a gente precisa se unir”, afirmou a dentista Elizabeth Campos, 43. 

As fezes de animais nas ruas não são apenas desagradáveis, elas podem facilitar a queda de crianças e idosos e propagar doenças. Quando em contato com os seres humanos, as fezes de cães e gatos podem transmitir alguns parasitas e causar toxoplasmose, infecção por adenovírus, bicho geográfico, histoplasmose, toxocaríase e giardíase. A toxoplasmose pode afetar órgãos como o pulmão e o cérebro. 

Em algumas cidades do país, como Natal (Rio Grande do Norte) e Belo Horizonte (Minas Gerais) já há inclusive lei para multar quem deixa dejetos de animais domésticos nas calçadas. Tramita desde julho de 2017, na Câmara de Vereadores do Recife, um projeto para tornar a prática passível de multa também na capital pernambucana. O projeto de lei 187/2017 estabelece a obrigação de usuários de praças, parques e logradouros públicos de realizar a limpeza, a remoção e dar destino adequado às fezes geradas por seus animais. Em caso de descumprimento, a pessoa pode ser verbalmente notificada ou por escrito. E também estaria passível de multa de R$ 150. A ideia é que os recursos arrecadados com a aplicação das multas sejam destinados ao Hospital Veterinário Público do Recife. A última movimentação dele, entretanto, é de agosto de 2017.

O adestrador, tosador e passeador de cães Bruno Barbosa, 29, costuma passear todos os dias com cachorros de clientes pelo bairro das Graças. Ele sempre anda com um saquinho no bolso, já que alguns bichos chegam a fazer as necessidades cinco vezes durante o percurso. “Tem animal que passa o fim de semana preso, por isso, sempre trago vários sacos. Aprendi que essa é a maneira correta, desde que comecei a trabalhar com isso, há 12 anos”, conta. 

O adestrador e passeador de cães Jackson Ferreira, 46 anos, também anda com saquinhos. Na avaliação dele, em outros bairros, como Casa Forte, é mais fácil encontrar fezes de animais nas calçadas. “O problema aqui nas Graças é que faltam lixeiras. Você coloca no saco e fica sem ter onde jogar”.

Em nota, a Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb) informou que os dejetos dos animais de estimação não são considerados resíduos sólidos, assim como os dejetos humanos, e devem ser descartados na descarga das residências. O correto, diz o órgão, é que os donos andem com saquinhos para recolher as fezes de seus animais de estimação e levem para o descarte em casa. A Emlurb disse ainda que o bairro das Graças possui 85 papeleiras espalhadas pelas avenidas e ruas.

 


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