tentativa de feminicídio Militar reformado da PMPE alveja mulher com três tiros Sargento da reserva da Polícia Militar de Pernambuco desrespeitou medida protetiva que afirmava ser "só um papel".

Publicado em: 27/09/2018 17:41 Atualizado em: 28/09/2018 00:08

Mãe da vítima conta que o ex-companheiro era violento e agressivo - Foto: Marina Curcio/Esp.DP
Mãe da vítima conta que o ex-companheiro era violento e agressivo - Foto: Marina Curcio/Esp.DP

Renata Sérgio da Silva, 30 anos, é a mais nova vítima de tentativa de feminicídio de Pernambuco, desde as 15h de ontem, quando foi baleada pelo sargento reformado da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) Erivaldo Gomes dos Santos, 57, com quem manteve relacionamento e têm uma filha de 10 anos. Na tarde desta quinta-feira, se aproveitando da entrada de uma cliente no salão onde a vítima trabalhava, no Parnamirim, Região Noroeste do Recife, desrespeitando uma medida protetiva, o sargento reformado invadiu o local e efetuou disparos.

Alvejada do lado esquerdo do rosto, no abdômen e no tórax, Renata foi socorrida para o Hospital Agamenon Magalhães (HAM), em Casa Amarela, também na Região Noroeste, de onde foi transferida para o Hospital da Restauração (HR), no Derby, Região Centro do Recife, onde está internada. Consciente, confirmou para a mãe e para várias testemunhas que o autor dos disparos foi Erivaldo, antes de ser encaminhada para o bloco cirúrgico, onde permanecia até o fechamento desta edição.  

Segundo a mãe da vítima, Ana Vicência Sérgio de Inojosa, Renata e Erivaldo iniciaram um relacionamento há onze anos e sua filha inicialmente não sabia que o militar reformado era casado. Soube antes de engravidar e queria formalizar o relacionamento, mas Erivaldo se esquivava.

Há cerca de sete anos Renata se desgostou e decidiu encerrar o relacionamento, quando começaram os problemas. Deixou a casa da casa da mãe e mudou várias vezes de endereço. Numa das vezes teve que pular um muro e acabou fraturando o pé esquerdo. "Eu tenho problema de pressão e ela evitava me contar as coisas. Não me dizia onde morava porque eu poderia dizer numa conversa e ele (Erivaldo) descobriria", contou a mãe. Há dois anos o sargento tentara esganar Renata, que decidiu denunciar o caso e pedir proteção, contou. 

Ainda segundo Ana Vicência, por conta das ameaças Renata teve que se afastar da filha, que ficou sob seus cuidados, e rompeu um relacionamento. Há quatro meses o problema se agravou. Nesta quinta-feira, um novo namorado, de nome não informado, recorreu à Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS), registrando que se sentia em risco porque o sargento reformado sabia onde ele trabalhava.

Enquanto esperava informações sobre sua filha, Ana Vicência disse que por varias vezes o sargento reformado afirmara que se o relacionamento terminasse mataria Renata e depois se mataria. Também afirmara que "medida protetiva é só um papel". Na tarde desta quinta-feira Erivaldo tentou cumprir sua promessa, efetuando disparos contra Renata. Imagens da câmera de segurança do salão mostram Erivaldo entrando, saindo e retornando do local onde Renata trabalhava quando foi alvejada, como se tentasse garantir que ela não sobrevivesse, enquanto clientes e funcionárias tentavam se esconder ao perceberam que ele estava armado. Em seguida o militar reformado deixou o local, trajando camisa branca e um boné.

A Polícia iniciou buscas para prender o agressor. Até o final da noite desta quinta-feira inexistia informação sobre a captura. Segundo a delegada Érica Bezerra, da Força Tarefa do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), se Erivaldo não se apresentar poderá ser preso em flagrante. 


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