Ronda Polícia intensifica rondas no Sítio da Trindade Sensação de insegurança no parque já era percebida antes do estupro de duas adolescentes no dia 20

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 27/09/2018 08:14 Atualizado em: 27/09/2018 08:21

Declividade do terreno e a vegetação aumentam a sensação de insegurança devido à pouca visibilidade no local. Foto: 	Marina Curcio/ Esp. DP
Declividade do terreno e a vegetação aumentam a sensação de insegurança devido à pouca visibilidade no local. Foto: Marina Curcio/ Esp. DP

Muito antes do estupro de duas adolescentes no Sítio da Trindade, na última quinta-feira, a sensação de insegurança já era sentida pela população que frequenta o equipamento localizado na Estrada do Arraial, Casa Amarela, Zona Norte do Recife. A reportagem ouviu relatos de casos de ameaças, assaltos, assédios e furtos. Alguns locais dentro do Sítio da Trindade são temidos por serem “áreas estratégicas”, supostamente utilizadas por delinquentes. Quem circula na área interna do parque e nos arredores diz que o  efetivo da Guarda Municipal do Recife (GMR), responsável pela segurança, e da Polícia Militar não é suficiente para o tamanho e a geografia do Sítio da Trindade, cujo terreno se estende até a Estrada do Encanamento, no bairro do Parnamirim, e tem bastante declives. 

Quando a reportagem esteve ontem no local, os dois policiais militares que estavam fazendo rondas na área interna do parque disseram que, após o caso de estupro, a Polícia Militar, que só atuava no entorno do equipamento, passou a reforçar a segurança dentro do local. Eles confirmaram que há relatos da população alertando a presença de homens armados com facões circulando pelo parque, como de usuários de drogas que se escondem entre os declives e árvores de grande porte. O Sítio da Trindade funciona das 5h às 22h de segunda a sexta-feira e nos sábados e domingos das 5h às 19h.

A Polícia Militar, que só atuava no entorno do equipamento, reforçou a segurança. Foto: Marina Curcio/ Esp. DP
A Polícia Militar, que só atuava no entorno do equipamento, reforçou a segurança. Foto: Marina Curcio/ Esp. DP


A pensionista Marluce Maria, 41 anos, disse que não se sente segura no Sítio da Trindade nem nos arredores. Ela frequenta diariamente a Academia da Cidade que funciona no parque pelo período da tarde. “Até antes de acontecer esse estupro, havia um homem atucalhando( de tocaia)  as mulheres fazendo ginástica. Ele fica parado, escondido, só observando. Ele aparecia principalmente quando chovia, porque a atividade física acontecia dentro do circo e ele conseguia ficar mais escondido”, contou Marluce. Um professor de educação física que trabalha na Academia da Cidade, e preferiu não se identificar, confirmou a presença constante do homem, mas disse que a equipe da academia já havia informado à Guarda Municipal sobre a presença dele e até então não havia tido problemas. 

A manicure Tacila Aires, 33 anos, também pratica atividades físicas no Sítio da Trindade. Ela relatou que prefere não levar celular, documentos ou qualquer objeto que possa chamar atenção de delinquentes. “Eu não me sinto segura aqui e acho o equipamento muito vulnerável, sobretudo na área onde fica o anfiteatro, próximo à entrada da Estrada do Encanamento. Os guardas municipais praticamente não vão ali. Se a Academia da Cidade fosse naquela área, com certeza eu não faria, pois tenho medo de passar por lá”, confessou Tacila. A geografia do Sítio da Trindade contribui com a sensação de insegurança. Com a entrada principal na Estrada do Arraial, ao adentrar o parque, a geografia do terreno vai se elevando e a área é repleta de pequenos morros, possibilitando “pequenos esconderijos”. Além dos declives, a área é repleta de árvores de grandes portes, escurecendo diversos pontos do equipamento. Há locais dentro do parque que ficam completamente escondidos e alheios à segurança, facilitando o uso de drogas e a prática de crimes. 

De acordo com a Secretaria municipal de Segurança Urbana, durante o dia cinco guardas municipais ficam responsáveis pela segurança do equipamento e à noite esse número reduz para quatro. Além disso, a vigilância é reforçada pelas “patrulhas móveis operacionais Ronda Ostensiva de Apoio ao Cidadão (Rondac) e o Grupo Tático Operacional (GTO), que apoia o efetivo fixo do local. Como o equipamento está dentro da área do 11ª Batalhão da Polícia Militar, ainda existem rondas da PM no local também”, informou a Prefeitura do Recife. O município afirmou também, através de nota, que o número das ocorrências e/ou ameaças no local é inexpressivo. “Todavia será intensificado o apoio das rondas operacionais por parte da Rondac e do GTO da Guarda Civil Municipal”, diz a nota.

Já a SDS, também por meio de nota, afirmou que “em Casa Amarela e nessa área onde se localiza o Sítio da Trindade, a PM atua preventivamente, realizando rondas a pé, com apoio de viaturas e motocicletas. O trabalho da Polícia Militar é interligado à Guarda Municipal, presente no parque”. O mesmo informativo diz que a criminalidade tem recuado em diversos lugares do Recife, especialmente em Casa Amarela e nos 22 bairros da Zona Norte cobertos pela Área Integrada de Segurança. “A redução nessa região é de 37% nos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI’s), nos primeiros 8 meses de 2018, em comparação com o mesmo período do ano passado. Bairros como Alto do Mandu, Alto Santa Terezinha, Casa Forte, Dois Irmãos, Morro da Conceição, Pau Ferro, Ponto de Parada, Rosarinho e Santana não tiveram nenhum homicídio em todo o ano de 2018. Com relação aos roubos e assaltos, a queda chega a 22% no mesmo comparativo”, afirma a nota. 


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