Cidadania Parada da Diversidade do Recife colore bairro de Dois Unidos O ato contou com apresentações de artistas LGBTs no palco e dois trios elétricos em cortejo pela Av. Hildebrando de Vasconcelos

Por: Samuel Calado - Redes Sociais

Publicado em: 24/09/2018 19:40 Atualizado em: 26/09/2018 02:05

Palco montado no pátio do Terminal de ônibus de Dois Unidos. Foto: Rafael Félix/Divulgação
Palco montado no pátio do Terminal de ônibus de Dois Unidos. Foto: Rafael Félix/Divulgação

A avenida Hildebrando de Vasconcelos, principal via do bairro de Dois Unidos, na Zona Norte do Recife recebeu na tarde do último domingo (23), a 10ª edição da Parada da Diversidade da capital. Performances de artistas LGBTs, Djs e dois trios elétricos deram tons a mais ao arco-íris de militância, que trouxe este ano o tema Seja livre, seja o que você quiser, respeite-me!

Ricardo Santos, idealizador da Parada da Diversidade em Dois Unidos. Foto: Rafael Félix/Divulgação
Ricardo Santos, idealizador da Parada da Diversidade em Dois Unidos. Foto: Rafael Félix/Divulgação

A programação iniciou às 15h com uma série de apresentações no palco montado  em frente ao terminal de ônibus da comunidade. Em seguida, por volta das 17h, dois trios elétricos seguiram em cortejo no sentido Beberibe. O primeiro tocando música eletrônica e o segundo com show da Banda A Favorita. O presidente do Grupo de Cidadania dos Homossexuais de Pernambuco, Ricardo Santos, idealizador da Parada contou que o número de pessoas que foram prestigiar o evento superou o ano anterior. “Ano passado arrastamos 50 mil. Este ano, o quantitativo foi muito maior, chegando a casa dos 60 mil. Isso mostra o efeito positivo da militância”.

Juan Guiã (cantor) e Regina Guimarães (TransViver). Foto: Morgana Narjara/Divulgação
Juan Guiã (cantor) e Regina Guimarães (TransViver). Foto: Morgana Narjara/Divulgação

A coordenadora do coletivo TransViver, Regina Guimarães, ressaltou que o ato no bairro trabalha o empoderamento e pressiona as autoridades a desenvolverem novas políticas públicas de enfrentamento à LGBTfobia. “É importante para as mães e pais aceitarem os seus filhos e não estigmatizá-los. Quando a família apoia faz toda a diferença”. A dona de casa Alzenide de Freitas (42), que participa do evento desde a primeira edição, falou que a festividade é um importante espaço para estimular o respeito às diferenças no bairro. “Eu sempre trago os meus filhos e netos para aprenderem a respeitar ao próximo. Ninguém quer ver um amigo ou parente apanhando na rua só porque é diferente. Precisamos acabar com esse sentimento de ódio. Cada um merece ser feliz da forma como se sentir bem”. 

Sarita Metálica, primeira Drag a conquistar o direito de pensão por morte de companheiro. Foto: Samuel Calado/Esp.DP
Sarita Metálica, primeira Drag a conquistar o direito de pensão por morte de companheiro. Foto: Samuel Calado/Esp.DP

"Quando o movimento pede garantia de direitos não está buscando benefícios, mas sim dignidade em ser tratado como ser humano". É o que conta a Drag Queen Sarita Metálica, que estava presente no evento. Ela experimentou de perto o angústia de ser discriminada pela orientação sexual. A artista perdeu o marido em 2011 e precisou recorrer à justiça para ter direito a pensão por morte do companheiro. Após quatro desesperançosos meses de espera e muitos “nãos na cara”, acionou a mídia e somente após o caso ganhar popularidade ganhou a causa. “Eu escutei diversos servidores públicos dizendo que eu não merecia ganhar. Me chamaram de ‘esse tipo de gente’, mas graças a Deus eu consegui, e enquanto viva eu for irei lutar pelo respeito à diversidade”.  


Juan Guiã no palco da 10ª Parada da Diversidade. Foto: Rafael Félix/Divulgação
Juan Guiã no palco da 10ª Parada da Diversidade. Foto: Rafael Félix/Divulgação

A Parada da Diversidade utiliza a arte como um instrumento político de representação e militância. Uma prova viva disso são os novos artistas que estão emergindo nos últimos anos em diversas regiões do Brasil com o objetivo de questionar as desigualdades, cobrar mais visibilidade e respeito. Aqui em Pernambuco temos o Juan Guiã, que além da defesa pela diversidade, também levanta a bandeira do combate à intolerância religiosa. O artista disse estar bastante emocionado em ser referência para outras pessoas do movimento. “Enquanto jovem era difícil ver um artista nordestino levantar a bandeira de apoio à causa.  Hoje, com muita resistência, percebo que os números estão crescendo. Tenho muito orgulho em fazer parte da militância e ser inspiração para outras pessoas”. 


A partir das 17h, dois trios elétricos seguiram em cortejo pela avenida. Foto: Rafael Félix/Divulgação
A partir das 17h, dois trios elétricos seguiram em cortejo pela avenida. Foto: Rafael Félix/Divulgação

O cortejo encerrou às 19h30, próximo ao Centro de Treinamento do Santa Cruz Futebol Clube. A Polícia Militar de Pernambuco esteve presente, reforçando a segurança no local, com viaturas e delegacia móvel. A Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU), o SAMU e o Corpo de Bombeiros também estiveram de prontidão. 



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