DP NOS BAIRROS Mercado de Casa Amarela: um lugar de valor sentimental Com 100 boxes, incluindo bares e restaurantes populares na área externa, o Mercado de Casa Amarela é um dos mais antigos da capital pernambucana

Por: Gustavo Carvalho - Diario de Pernambuco

Publicado em: 14/09/2018 08:02 Atualizado em: 14/09/2018 08:16

Estrutura metálica é a mesma do antigo Mercado de Caxangá, desmontado em 1928. Foto: Nando Chiappetta/DP/D.A Press
Estrutura metálica é a mesma do antigo Mercado de Caxangá, desmontado em 1928. Foto: Nando Chiappetta/DP/D.A Press

Todo dia é a mesma coisa. Abrir as portas às 6h, fechar às 18h. Essa é a regra estabelecida para todos os 30 mercados públicos no Recife. Alguns possuem portões de ferro vigorosos, assim como as estruturas sólidas das paredes. Porém, cada um possui arquitetura, história e freguesia própria. O Mercado Público de Casa Amarela, localizado na Zona Norte do Recife, é um dos mais antigos e simbólicos da cidade.

Inaugurada oficialmente em novembro de 1930, a construção se mantém firme e movimentada até hoje e abriga 100 boxes. Um deles é o de Elimar Gomes, 61 anos. O estabelecimento está em funcionamento há 72 anos, sendo o mais antigo do estabelecimento. Ele conta que a paixão pelo negócio vem desde muito cedo, quando o seu pai ainda era vivo. “Após falecer, meu pai passou para mim e para meu irmão, e desde então tomamos conta. Costumo dizer que isso aqui é a continuação da nossa família”, completa.

Na inauguração, em 1930, até o governador Carlos de Lima Cavalcanti compareceu. Foto: Arquivo/DP/D.A PRESS
Na inauguração, em 1930, até o governador Carlos de Lima Cavalcanti compareceu. Foto: Arquivo/DP/D.A PRESS


Elimar relata que o espaço possui um valor sentimental imenso, e que com ele o aprendizado é constante. “Nos feriados, chegamos até a sentir falta da presença dos amigos e clientes que fizemos ao longo desse tempo. São tantas situações inusitadas que já passamos, e que fazem aprendermos cada vez mais”, diz. 

Outros boxes também se destacam. A exemplo do de Evanildo Amaral, 73. Já com os cabelos  brancos, o comerciante relembra que frequenta assiduamente o mercado desde os 12 anos e que a paixão pelo local cresceu de uma forma que ele não mede esforços para enaltecer. “Meu pai costumava me trazer para acompanhar ele no comércio. Aqui me criei e criei meus filhos, que hoje trazem os meus netos para cá. Isso aqui é minha vida. Eu amo esse mercado”, conta, orgulhoso. 

Os bares e restaurantes populares, localizados na parte externa do mercado, também são atrações. Alguns deles ficam abertos até de madrugada, e servem comida regional no café da manhã, almoço e jantar. Na parte interna, há pontos tradicionais de vendas de charque e queijo de coalho diretamente do Sertão. 



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