Operação Clandestinus Dono de academia preso por furto de energia é liberado após pagar fiança de R$ 5 mil Segundo a Celpe, o prejuízo causado pelo furto chegou a R$ 1 milhão, o que daria para abastecer o bairro da Torre por um período de um ano

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 23/08/2018 10:55 Atualizado em: 23/08/2018 11:07

Equipes da Polícia e técnicos da Celpe fizeram fiscalização nos estabelecimento nesta quarta-feira. Foto: PCPE/Divulgação
Equipes da Polícia e técnicos da Celpe fizeram fiscalização nos estabelecimento nesta quarta-feira. Foto: PCPE/Divulgação

O empresário de 36 anos, dono de uma academia de ginástica, preso nesta quarta-feira (22) na Operação Clandestinus, que investiga o furto de energia elétrica na Região Metropolitana do Recife, conseguiu liberdade provisória com pagamento de fiança de R$ 5 mil. Submetido a audiência de custódia no final da tarde de quarta-feira, o comerciante não teve tempo hábil para fazer o pagamento e por isso passou a noite no Centro de Observação e Triagem Professor Everaldo Luna (Cotel), em Abreu e Lima. Ele deve deixar a unidade ainda nesta quinta (23).

A audiência  teve início às 16h25 e terminou após as 17h e foi presidida pelo juiz José Anchieta Félix da Silva, da Vara Central das Audiências de Custódia. O magistrado ainda determinou que o acusado além de pagar fiança, terá que cumprir medidas cautelares, previstas no artigo 319, do Código Penal brasileiro.

O empresário precisa comparer bimestralmente no Juízo processante para justificar suas atividades; está poibido de frequentar bares e assemelhados; precisa se recolher ao domicílio até as 20h; e também não pode se ausentar da comarca em que reside.

Segundo a Celpe, o furto de energia causou um prejuízo de R$ 1 milhão, em um mês. Do total, R$ 300 mil só em evasão fiscal. A operação teve como alvo três frigoríficos nos bairros de Parnamirim, Água Fria e Centro do Recife; dois supermercados nos bairros de San Martin e Mustardinha e uma academia de ginástica, no bairro do Ibura. A perícia constatou crime de furto, estelionato ou irregularidades nas medições em cinco dos seis estabelecimentos alvos da operação.

Onze pessoas foram conduzidas para prestar esclarecimentos no Grupo de Operações Especiais (GOE), onde foram realizados os depoimentos. Os donos de três estabelecimentos (dois frigoríficos e um supermercado) não foram localizados, não sendo possível a realização do flagrante delito. Os inquéritos foram instaurados e eles responderão a processo criminal. Todos os estabelecimentos tiveram os sistemas de abastecimento e medição de energia elétrica regularizados e poderão funcionar normalmente. Somente no frigorífico, localizado no bairro de Água Fria, não foram constatadas irregularidades. A operação contou com 18 equipes, incluindo seis homens da Polícia Civil, seis do Instituto de Criminalística e seis técnicos da Celpe. 

PREJUÍZO - De acordo com o chefe de Polícia Civil, delegado Josellito Kehrle do Amaral, a quantia de energia desviada em um mês daria para abastecer o bairro da Torre, no Recife, pelo mesmo período. “Desde a Operação Sucata, que teve como objetivo combater o furto de cabos de transmissão de dados, feitos por concessionárias, há um mês vínhamos investigando esse caso”, revelou o delegado. 

O diretor da Polícia Civil lembrou ainda que o crime atinge toda a população no repasse das concessionárias, no aumento da energia. As inspeções foram realizadas pela Celpe. “A operação vai continuar porque o objetivo maior é coibir essa prática criminosa, reduzir o custo da energia repassada ao consumidor”, explicou Joselito Kehrle. 

Segundo o gerente de transmissão da Celpe, Fábio Barros, os empresários autuados já eram reincidentes na mesma prática criminosa. “Monitorávamos essas empresas há seis meses. Já havíamos notificado os estabelecimentos e eles tinham pago o equivalente ao total roubado de energia, mas fizeram novamente. Desta vez, oferecemos a denúncia à Secretaria de Defesa Social, que determinou a operação”, contou o gerente de transmissão da Celpe, Fábio Barros. Ainda de acordo com o funcionário da Companhia, o prejuízo representa o consumo de oito mil unidades consumidoras residenciais.


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