Investigação Depoimento de jardineiro complica mulher de médico assassinado Funcionário desconfiou de Jussara depois que ela mandou limpar a área perto da piscina, onde o corpo de Denirson foi encontrado

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 14/08/2018 08:09 Atualizado em: 14/08/2018 12:48

O médico morava com a esposa e os dois filhos. Ela já foi ouvida na delegacia. Foto: Marlon Diego/Esp DP
O médico morava com a esposa e os dois filhos. Ela já foi ouvida na delegacia. Foto: Marlon Diego/Esp DP

A cada novo depoimento, segundo as investigações policiais, surgem mais suspeitas de participação da farmacêutica Jussara Paes na morte do marido, o médico Denirson Paes. Em relato à polícia, o jardineiro do condomínio onde o casal morava, em Aldeia, revelou detalhes de conversas que teve com Jussara dias depois da data em que supostamente teria ocorrido o assassinato. O jardineiro Emanoel Bezerra, 20 anos, contou que teria forjado uma limpeza no quiosque por trás do canil da residência, solicitada pela farmacêutica, pois já desconfiava das ações dela diante do sumiço do marido. 

Em depoimento prestado no início de julho, Emanoel detalhou como foram os diálogos dele com Jussara. Ele disse que trabalha no Condomínio Torquato de Castro há três anos e foi apresentado à família pelo tio, uma pessoa identificada como Aguinaldo, que também é funcionário do condomínio. Emanoel cuidava do jardim da casa de Denirson duas vezes por semana, segundas e quintas-feiras. Na semana do dia 28 de maio, entretanto, ele não encontrou o médico, como de costume, no imóvel. 

Ao longo do dia, um paisagista teria chegado lá para fazer um jardim. Nos dias seguintes, de forma inesperada, ele recebeu uma mensagem de Jussara dando folga no dia 31, fato inédito nos três anos de trabalho para a família. Quando retornou ao trabalho, Emanoel sentiu falta de uma casinha de tijolos, onde Denirson costumava guardar objetos. Jussara teria dito ao jardineiro, mesmo sem ele perguntar, que tinha derrubado a casinha a pedido da vítima. Com a informação de que um gato preto teria morrido depois de comer veneno de rato na região do canil e do quiosque da casa, Jussara pediu a limpeza desses locais. 

Ao realizar o serviço, Emanoel encontrou um produto químico corrosivo. Como já havia boatos de uma investigação policial em curso, ele disse que decidiu forjar a limpeza para enganar Jussara. Ele também deu detalhes da relação do casal, dizendo que a farmacêutica costumava reclamar com frequência do marido. Emanoel confirmou ainda que havia deixado um carrinho de mão e não o encontrou mais na residência. Em outro depoimento, o porteiro Egnaldo Daniel Bezerra, funcionário do condomínio há 19 anos, contou que Jussara o chamou para tampar uma cacimba próxima à piscina. 

O porteiro afirmou que sentiu um cheiro muito forte e viu muitas moscas “varejeiras” no entorno do buraco. Jussara também teria justificado com a morte de um gato. Ele chamou um primo para fazer o serviço de fechar a cacimba. Jussara ainda teria dito aos dois para levar objetos de Denirson. Pelo serviço, ela pagou R$ 150 para o porteiro e R$ 50 para o primo dele. Dezesseis dias depois do sumiço do médico, Jussara ainda teria sido vista em uma festa do condomínio Torquato Castro. 

O médico cardiologista Denirson vivia em Aldeia com a esposa Jussara e os dois filhos. Ele havia sido visto pela última vez no dia 31 de maio. No dia 20 de junho, Jussara registrou boletim de ocorrência sobre o desaparecimento do marido, afirmando que ele teria viajado para fora do país. A polícia iniciou investigação e encontrou os restos mortais de Denirson, esquartejados e carbonizados, dentro de uma cacimba do imóvel da família. Jussara e o filho mais velho do casal, Danilo Paes, 23 anos, foram detidos por ocultação de cadáver.


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