Operação Ponto Cego Promotor da Vara de Execuções é investigado por favorecimento a presos Marcellus Ugietti já foi afastado das funções e está sendo investigado também pelo Ministério Público de Pernambuco

Publicado em: 06/08/2018 14:27 Atualizado em: 07/08/2018 10:12

Promotor Marcellus Ugietti
Foto: Teresa Maia / Arquivo DP
Promotor Marcellus Ugietti Foto: Teresa Maia / Arquivo DP
A Polícia Civil de Pernambuco apresentou nesta segunda-feira (6) detalhes sobre a Operação Ponto Cego, deflagrada na última sexta (3) em Pernambuco com o obejtivo de investigar uma organização criminosa responsável por crimes de estelionato, lavagem de dinheiro, corrupção, advocacia administrativa e furto qualificado. Para surpresa de todos, um dos investigados na operação é o promotor de Justiça Marcellus Ugietti, que atuava na Vara de Execuções Penais. Ugietti é suspeito de favorecer detentos com transferências para facilitar contato com outros presos, sob recebimento de "presentes" e "vantagens" financeiras. Por meio de portaria, publicada pelo Diario Oficial, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) determinou o afastamento do promotor e comunicou a abertura de inquérito administrativo e criminal para investigar o caso.

De acordo com o promotor Ricardo Lapenda, coordenador do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e responsável pela invetsigação, a denúncia é de que Marcellus Ugietti teria recebido presentes em troca de "favores" para beneficiar detentos recolhidos no sistema prisional. "Encontramos elementos suficientes de que poderia haver corrupção passiva. De uma certa forma, ele passou a colaborar com os pedidos dos advogados da organização crimimosa, inclusive auxiliando alguns pedidos, como a transferência de uma unidade penal para outra para que os elementos permanecessem juntos", disse. Dois advogados foram presos na sexta (3) pela Polícia Civil, que investiga a atuação do grupo desde janeiro deste ano. 

Quando a Polícia Civil chegou ao nome do promotor, o fato foi comunicado de imediato ao Procurador Geral de Justiça, Francisco Dirceu Barros, que determinou investigação por parte da Corregedoria Geral do MPPE. Segundo o promotor Ricardo Lapenda, já foram realizadas apreensões de pen-drives, celulares e outros documentos que estavam de posse do promotor Ugietti. O material está sendo periciado. "Com o afastamento dele da função, que já foi publicado por portaria, com a investigação, poderemos ter elementos para subsidiar uma possível denúncia criminal contra ele. Na parte administrativa disciplinar também será apurado, mas é um processo de caráter sigiloso", explicou. O promotor ainda será ouvido pelo MPPE. "Ficamos surpresos porque pela primeira vez, que me deparo com uma situação dessa. Ele terá que se explicar por ter praticado alguns atos que fogem da normalidade de como um promotor deve fazer. É uma coisa que até choca toda a sociedade e a nossa instituição", completou.

Segundo a investigação da Polícia Civil, a organização criminosa descoberta atuava nos estados de Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte. Eles atuavam em diversas frentes, cometendo vários crimes, como fraudes em cartões de crédito, clonagem de cheques, estelionato e outros golpes com objetivo de sacar dinheiro das vítimas. "Eles também criaram empresas, atividades em tese lícitas, como mercadinhos, por exemplo, que era para lavar esse dinheiro obtido de forma criminosa", explicou a delegada Viviane Santa Cruz, responsável pela Operação Ponto Cego.

Outras 16 pessoas e dois avogados tiveram prisão decretada por envolvimento com a quadrilha. No total, foram cumpridos 19 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). 

Dois alvos estão em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), uma forma especial de cumprimento da pena no regime fechado, que consiste na permanência do presidiário (provisório ou condenado) em cela individual, com limitações ao direito de visita e do direito de saída da cela. Esta é a 31 ª ação de repressão qualificada de 2018. 

Em nota, encaminhada pelo advogado Emerson Leônidas, o promotor Marcellus Ugietti nega envolvimento com a quadrilha presa na Operação Ponto Cego e com qualquer outro grupo criminoso. Disse que tem o maior apreço pela instituição do Ministério Público, onde atua desde 1987, sempre nos padrões de ética, respeito aos direitos humanos e a legalidade que sempre prermeou a sua vida pública. Na sexta-feira passada (3), ele conta que foi surpreendido em sua residência com um mandado de busca e apreensão, executado pela Polícia Civil. "Foi com a mais absoluta perplexidade que recebi a informação de que estou sendo investigado por suposto envolvimento na transferência de presos e recebimentos de 'presentes'. Estou totalmente a disposição da Corregedoria do MPPE e coloco meu sigilo bancário e fiscal a disposição da justiça", ressalta, informando ainda que acredita estar sendo vítima de uma ação feita por aqueles que querem manchar seu nome, certamente por terem algum interesse contrariado. 

Na nota, Marcellus Ugietti diz ainda que tem certeza de que o MPPE saberá conduzir as investigações com a maior transparência possível. "Não tenho nada a temer, muito pelo contrário. Quero ir até o fim para mostrar que nada tenho a ver com as ilações apresentadas. Estou certo que ao final de tudo serei inocentado dessas graves acusações que, desde agora, repilo de forma veemente pois como promotor público não posso deixar de acreditar na justiça.", diz. O promotor, termina agradecendo as centenas de mensagens e manifestações de carinho que tem recebido por meio de mensagens, telefonemas e depoimento nas redes sociais. "Estou certo que ao final de tudo serei inocentado dessas graves acusações que, desde agora, repilo de forma veemente pois como promotor público não posso deixar de acreditar na justiça", finalizou.



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