Urbanismo Mercado de São José será requalificado e transformado em polo de atração cultural As obras, orçadas em R$ 8,8 milhões, estão previstas para começar no segundo semestre do próximo ano

Por: Rosália Vasconcelos

Publicado em: 28/07/2018 12:51 Atualizado em: 28/07/2018 12:51

Em seus 143 anos de história, esta será a segunda grande reforma por que passará o monumento. Foto: Gabriel Melo/Esp.DP.
Em seus 143 anos de história, esta será a segunda grande reforma por que passará o monumento. Foto: Gabriel Melo/Esp.DP.
Após 24 anos, o Mercado São José, localizado no bairro de mesmo nome, no Centro do Recife, vai receber um grande projeto de requalificação, que inclui desde a restauração de sua histórica arquitetura até a reforma completa do atual projeto de engenharia. Em paralelo às intervenções físicas, o funcionamento e a gestão do Mercado São José, que é de responsabilidade da Companhia de Serviços Urbanos (Csurb), órgão da Prefeitura do Recife, também vão ganhar novos ares. A proposta é tornar o equipamento um polo de atração cultural, artística e também gastronômica, a exemplo do Mercado Municipal de São Paulo. As obras, orçadas em R$ 8,8 milhões, estão previstas para começar no segundo semestre do próximo ano, com prazo de conclusão para no mínimo dois anos. Os recursos são do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas.  

O eixo principal do projeto é a requalificação da arquitetura do Mercado São José, com restauro das estruturas desde as suas fundações, incluindo a parte de ferro fundido (original), as esquadrias, os vitrais e todas as áreas onde existem processos de oxidação, aparentes ou internos. Também inclui a reforma das venezianas de vidro (1/3) e de madeira (2/3), aplicação de novos pisos mais adequados para limpeza e acessibilidade, restauro da cobertura e criação de um mezanino para onde serão realocados os restaurantes e lanchonetes que hoje funcionam na área externa do mercado (próximos aos banheiros) e no pavilhão sul.  

O projeto de engenharia contempla a reforma dos sistemas hidráulico, sanitário e elétrico. Foto: Gabriel Melo/Esp.DP.
O projeto de engenharia contempla a reforma dos sistemas hidráulico, sanitário e elétrico. Foto: Gabriel Melo/Esp.DP.
Em seus 143 anos de história, esta será a segunda grande reforma por que passará o monumento que é o primeiro mercado público construído em ferro pré moldado no Brasil e um dos principais símbolos ainda existentes da arquitetura do ferro, típica do século XIX, no Recife. “Essa requalificação pretende trazer o monumento para mais perto do seu projeto original. Por exemplo, apenas os olhares mais treinados conseguem enxergar que entre os pavilhões norte e sul existe uma rua coberta, pelas próprias telhas do mercado, que era usada em seus primórdios para abastecer”, detalha o arquiteto e urbanista Ronaldo L’Amour. Ele e o arquiteto Felipe Campelo fazem parte do Grupo de Arquitetura e Urbanismo (GRAU), empresa responsável pela elaboração dos projetos básicos e executivos de reforma do São José.  

L’Amour explica que essa rua é delimitada por duas muretas em pedras de Lioz, que hoje se escondem entre os boxes que foram acrescentados durante o projeto da primeira grande reforma em 1988. “Esse novo projeto pretende devolver o desenho original do Mercado São José, realocando esses boxes dessa rua interna para os pavilhões norte e sul e também os que ficam em frente ao mercado para o mezanino. Pretendemos liberar os dois grandes eixos de circulação do mercado e restabelecer a leitura e a espacialidade do edifício”, afirma o arquiteto Ronaldo. Aas calçadas do entorno e os banheiros externos também serão requalificados dentro dos preceitos da acessibilidade.  

Os recursos são do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas. Foto: URB/Divulgação.
Os recursos são do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas. Foto: URB/Divulgação.
A Autarquia de Urbanização (URB) da Prefeitura do Recife é o órgão responsável pela elaboração e execução do projeto. Segundo a diretora de Planejamento e Projetos da URB, Rúbia Campelo, o projeto de engenharia contempla a reforma dos sistemas hidráulico, sanitário, elétrico, de combate a incêndio, de drenagem, de exaustão e de prevenção a descargas elétricas.  

“Todos os boxes precisarão ser refeitos, principalmente os do setor de peixaria, onde será implantado um sistema de refrigeração moderno para que os produtos não fiquem expostos. Vamos fazer a individualização da energia elétrica e o embutimento das fiações, introduzindo novos medidores. O projeto contempla também a reestruturação da coleta de lixo, a oferta de mesas e cadeiras no mezanino para atender os bares e restaurantes e a criação de áreas de lazer e descanso. Na rua principal dentro do mercado, vamos ter quiosques para comércio e a criação de um espaço adaptado para contar, com recursos digitais, toda a história do Mercado São José”, conta Rúbia. 49 

Atualmente, a URB está trabalhando no projeto executivo, que está em fase de conclusão, previsto para dezembro deste ano. “Quando for concluído, o projeto executivo segue para os órgãos de análise, que são, além da própria URB, a CSURB (gestora do mercado), a Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural, o Iphan, o Corpo de Bombeiros e a Secretaria de Meio Ambiente. O tempo de análise por essas instâncias duram em média seis meses.  
 
Comerciantes serão ouvidos

A parte mais difícil do grande projeto de requalificação do Mercado São José será conciliar as obras com o dia a dia dos comerciantes, por isso a previsão de execução de um projeto dessa magnitude tem prazo de conclusão de, no mínimo, dois anos. De acordo com Berenice Andrade Lima, presidente da Autarquia de Serviços Urbanos (Csurb), órgão da Prefeitura do Recife que gere os mercados públicos da cidade, toda a parte de execução envolvendo os permissionários será negociado com eles a partir de setembro. Ao todo, 590 permissionários estão registrados na Csurb. O preço do metro quadrado dos boxes do Mercado São José é R$ 15, o mais caro entre todos os mercados públicos da cidade.  

“Para onde eles vão, quando eles vão, tudo será discutido com os comerciantes. Não vamos começar as obras sem essa definição pormenorizada de como vai acontecer. A proposta é que as obras aconteçam em partes justamente para reduzir o tempo em que eles precisarão estar fora do mercado. E é importante destacar que não vai haver redução no número de permissionários e é fundamental a participação deles”, ressalta Berenice. Segundo a gestora, as reuniões vão acontecer por etapas e divididos por grupos de negócio (pessoal da peixaria, pessoal do artesanato, pessoal dos descartáveis) porque cada um tem demandas diferentes. Segundo a URB, a área dos boxes, que somada hoje totaliza 1.868 m², será reduzida para 1.755 m² para atender as demandas.  

“Com a reforma do mercado, algumas questões serão reformuladas. A primeira será renovação do cadastro dos permissionários. E os que hoje utilizam os boxes como depósitos serão obrigados a dar uso ou correrão o risco de perder o direito de comercializar ali. A intervenção na gestão é essencial para de fato atingir a melhoria e ressignificação que queremos dar ao Mercado São José. Isso inclui um importante trabalho do cardápio inteligente, que é nada mais que oferecer comida boa, em condições adequadas de higiene, comida gelada a um preço justo e ao mesmo interessante para o comerciante”, destaca ainda a presidente da Csurb.   

Saiba mais 

1875 foi o ano de inauguração do Mercado São José 
Todo montado em estrutura de ferro fundido, arquitetura típica do século XIX 
É reconhecido e tombado como Patrimônio Histórico 
Louis Vauthier adequou o projeto original ao clima tropical do Recife 
3.541 m² é o tamanho da área coberta do mercado 
1.868 m² é a área dos boxes somada 
O prédio é formado por dois pavilhões (norte e sul), com 
   377 boxes  
   27 pedras de peixe 
   34 barracas internas (que vendem comidas e caldo de cana) 
   70 barracas espalhadas pela calçada do pátio 
590 é o número de permissionários que atuam no Mercado São José 
1,3 toneladas de peixe e 400 kg de crustáceos são vendidos semanalmente no mercado 
Em frente, localiza-se a Praça Dom Vital ou Praça do Mercado 
Em 1941, foram substituídas as venezianas de madeira e vidro por cobogós de cimento 
Em 1973 foi tombado pelo Iphan 
Em 1980 foi criada a Zona de Preservação dos Sítios Históricos Santo Antônio/São José 
Em 1988 foi iniciada a primeira grande reforma do mercado 
Em 1989, um incêndio destruiu parte do mercado, danificando-lhe a estrutura 
Em 1994 foi o ano da conclusão da primeira grande reforma por que passou o mercado  
R$ 15 é o valor do m² dos boxes do Mercado São José, sendo o metro quadrado de mercado mais valorizado do Recife 

Serviço: 
Bairro de São José 
Segunda à sábado: 06h às 18h 
Domingo: 6h às 12h 


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