Tradição Missa do Vaqueiro é celebrada em Serrita neste domingo Vaqueiros de todo Nordeste participam da festividade, que completa 48 anos este ano

Publicado em: 22/07/2018 07:07 Atualizado em: 22/07/2018 13:44

Imagem:Divulgação
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Vaqueiros de várias regiões do Nordeste se reunem neste domingo (22) na maior festa do Sertão pernambucano, a Missa do Vaqueiro, na cidade de Serrita, a 535 quilômetros do Recife. Em sua 48° edição, a festa traz o sagrado e o profano, preservando assim as tradições, a cultura e a fé do povo sertanejo. A missa em homenagem ao vaqueiro Raimundo Jacó foi celebrada nesta manhã, no Parque Estadual João Câncio, no Sítio Lajes. A partir das 15h, a começa a festa com apresentações de cantores da terra. Estão sendo esperadas mais de 50 mil pessoas. 
 
Cerca de mil vaqueiros marcaram presença na celebração. De acordo com a tradição, a missa começou com uma procissão deles a cavalo, levando, em honras a Raimundo Jacó, oferendas como chapéu de couro, chicotes e berrantes ao altar de pedra rústica em formato de ferradura. Na hora da comunhão, no lugar da hóstia, os vaqueiros receberam farinha de mandioca, rapadura e queijo. Participaram do momento representantes religiosos e artistas, como Josildo Sá, Coral Aboios, Flávio Leandro, Mariana Aydar, os aboiadores Ronaldo, Fernando e Inácio e o repentista Pedro Bandeira. 
 
Imagem: divulgação
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A partir das 15h, a prefeitura da cidade faz festa às margens da PE-507, próximo ao Ginásio de Esportes Antônio Domingos. No palco, irão passar artistas da terra, Rodrigo Xonado e Renan Domingues, além da cantora Érika Diniz e do forrozeiro Kinho Callou. 
 

Este ano, o escritor Nelson Barbalho, um dos principais nomes da literatura e da história de Caruaru, é o homenageado (in memorian). A escolha, segundo Helena Câncio, que comanda a organização do evento, foi uma forma de celebrar o centenário do escritor que é o autor da música “A Morte do Vaqueiro” (tengo lengo tengo lengo tengo), eternizada na voz de Luiz Gonzaga e feita em homenagem à morte do vaqueiro Raimundo Jacó, primo de Gonzagão. 


A Missa do Vaqueiro de Serrita é uma realização da Associação Rebanho Cultural, conta com patrocínio da Empetur e do Governo do Estado de Pernambuco. Entre os apoiadores, a Prefeitura de Serrita, a Fundação Padre João Câncio, Apega (Associação dos Vaqueiros de Pega de Boi), Santa Clara, Frisco e Associação Lula Gonzaga dos Forrozeiros do Brasil.

A celebração teve origem a partir do assassinato do vaqueiro Raimundo Jacó, ocorrida nas caatingas do Sítio das Lages, distrito de Serrita, no Sertão do Araripe. A missa é realizada desde 1970, sempre no quarto domingo do mês de julho, e foi idealizada por Luiz Gonzaga, primo de Jacó e autor de uma música em homenagem ao vaqueiro.

A história de coragem se transformou num mito do Sertão e três anos após o trágico fim, sua vida foi imortalizada pelo canto de Luiz Gonzaga. O Rei do Baião, que era primo de Jacó, transformou “A Morte do Vaqueiro” numa das mais conhecidas e emocionantes canções brasileiras. Mas Gonzaga queria mais. Dessa forma, ele se juntou a João Câncio dos Santos – padre que ao ver a pobreza e as injustiças cometidas contra os sertanejos passou a pregar a palavra de Deus vestido de gibão – para fazer do caso de Jacó o mote para o ofício do vaqueiro e para a celebração da coragem.

Assim, em 1970, o Sítio Lajes, em Serrita, onde o corpo de Jacó foi encontrado, recebe a primeira Missa do Vaqueiro. De acordo com a tradição, o início da celebração é dado com uma procissão de mil vaqueiros a cavalo, que levam, em honras a Raimundo Jacó, oferendas – como chapéu de couro, chicotes e berrantes – ao altar de pedra rústica em formato de ferradura.


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