CASO ALDEIA Viúva de médico assassinado, Jussara Rodrigues, diz que querem incriminá-la Em depoimento, suspeita de matar o médico Denirson Paes Silva afirmou que não sabe quem cometeu o crime, ocorrido em Aldeia.

Publicado em: 18/07/2018 23:02 Atualizado em: 19/07/2018 08:09

Esposa e filho mais velho do médico Denirson, Jussara e Danilo Paes tiveram prisão temporária determinada pela Justiça. Foto: Marlon Diego/Esp.DP (Esposa e filho mais velho do médico Denirson, Jussara e Danilo Paes tiveram prisão temporária determinada pela Justiça. Foto: Marlon Diego/Esp.DP)
Esposa e filho mais velho do médico Denirson, Jussara e Danilo Paes tiveram prisão temporária determinada pela Justiça. Foto: Marlon Diego/Esp.DP
A farmacêutica Jussara Rodrigues Paes Silva, presa sob suspeita de matar seu marido, o médico Denirson Paes Silva, 54, afirmou, em depoimento prestado no dia 13 de julho, que não sabe quem cometeu o crime e que “colocaram” o corpo da vítima no poço da casa da família, num condomínio de luxo em Aldeia, Camaragibe, para incriminá-la. Ela também afirmou que não pretendia “em momento algum” se separar do médico, mas que discutia com Denirson em relação às feiras para abastecer a casa, porque ele era “seguro” com dinheiro e só em “raríssimos momentos” entregava a ela o cartão de crédito dele. Jussara afirmou, ainda, que se irritava com o médico porque às vezes queria falar com ele, mas Denirson tapava os ouvidos com as mãos.

O conteúdo da ouvida dada à delegada Carmem Lúcia, que investiga o caso, foi divulgado ontem. Danilo Paes, 23, filho mais velho de Jussara e Denirson, também está preso, suspeito de cometer o crime junto com a mãe. O outro filho do casal, Daniel, de 20 anos, que não é suspeito, está na casa dos avós em Campo Alegre de Lourdes, no Sertão da Bahia, de onde são as famílias do médico e de Jussara, que, além de marido e mulher, eram primos. 

Os restos mortais foram encontrados pela polícia, esquartejados e carbonizados, em 4 de julho, cerca de duas semanas após Jussara registrar um boletim de ocorrência dando conta do suposto desaparecimento de Denirson. Em 30 de maio, o médico havia cancelado uma viagem que faria com a mulher para os Estados Unidos. Quando prestou o boletim, Jussara afirmou que ele decidiu viajar só e sumiu. 

A polícia encontrou documentos, malas e outros indicativos de que Denirson não tinha viajado, e as câmeras do condomínio não registraram sua saída, levantando suspeitas sobre a esposa, que foi presa junto com o filho assim que os restos mortais foram achados. A desconfiança foi reforçada pelo depoimento de um funcionário contratado por ela para tapar o poço de 25 metros, que afirmou ter sentido um forte odor vindo do local. A motivação do crime ainda não é conhecida, mas familiares da vítima, seu filho mais novo e os empregados da casa disseram que o médico queria se separar e morar em um apartamento que possuía. 

Durante o depoimento do dia 13, Jussara disse que pediu dinheiro emprestado ao pai de Denirson para pagar as contas “até que o marido voltasse” para casa. Perguntada se mandou lavar o quiosque e a área ao lado da casinha do cachorro, onde foram encontrados vestígios de sangue, ela disse que queria deixar o lugar limpo para a volta de Denirson. 
Perguntada por qual motivo deu folga para o jardineiro e a empregada entre 30 de maio e 3 de junho, período no qual a polícia acredita que Denirson foi morto, ela disse que devia uma folga ao funcionário e  que a doméstica alegou que chegaria muito tarde por causa da falta de transporte ocasionada pela crise do combustível. 

Filho teria “fobia e pânico” - Jussara afirmou que não tinha “domínio, mas sim cuidado” com Danilo, pois ele estava passando por um processo de fobias e síndrome do pânico. Segundo a depoente, o filho passou a tomar calmantes depois do desaparecimento de Denirson. Ela também afirmou que ela, Danilo e Daniel não saíram de casa no dia 31 e que, neste dia, ela informou ao filho mais novo que Denirson foi para o apartamento e de lá viajou. Antes, no dia 29, por volta das 19h, o médico entrou em casa para tomar banho, segundo Jussara. Neste momento, ela abriu sua maleta e encontrou R$ 16 mil em dinheiro. 

Antes de registrar queixa de desaparecimento, a farmacêutica foi ao apartamento do marido com uma amiga e encontrou a maleta com R$ 1.560 e o passaporte de Denirson. Jussara disse que não sabe o que foi feito com o resto do dinheiro. Segundo ela, Denirson disse que iria a pé até o apartamento, que fica a 6 km do condomínio, o que seria normal porque o marido era praticante de caminhadas. 

Segundo o advogado de Jussara, Alexandre Oliveira, a delegada colheu o depoimento sem a presença dele e sem informá-lo de que faria a ouvida, mesmo sabendo que Alexandre era o advogado habilitado no processo. O depoimento foi tomado na presença de uma defensora pública. Dessa forma, Jussara poderia ter se negado a fazê-lo porque o seu advogado não estava presente.

“Carmem Lúcia deveria ter me avisado, porque ela tem meus celulares. No início do processo, a própria delegada me disse que só me daria acesso ao inquérito se eu me habilitasse, e assim o fiz. Ela não poderia ter colhido o depoimento de minha cliente sem me avisar, sem minha presença e na presença de uma defensora. Mais para a frente, eu vou pedir a nulidade relativa desse depoimento”, disse Alexandre Oliveira. 

Ele contou que só teve acesso ao conteúdo da ouvida na terça-feira à tarde, através da própria cliente, que ficou com uma cópia do depoimento e entregou ao seu advogado. 
Alexandre Oliveira também informou que foi negada pela Justiça uma liminar do habeas corpus (soltura antes do pedido ser julgado) mas que o pedido propriamente dito será analisado nos dias 25 de julho ou 1º de agosto. “Os julgamentos da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Pernambuco acontecem sempre às quartas-feiras. Eles só informam a data um ou dois dias antes. Caso o habeas corpus seja negado, vamos lançar mão de algum recurso ou remédio constitucional junto ao Superior Tribunal de Justiça”, informou Alexandre.


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