Nesta quarta Entidades de defesa animal protestam contra minizoológico no Parque 13 de Maio Defensores alegam que os bichos ficam estressados devido o lugar ficar no centro do Recife

Publicado em: 18/07/2018 14:09 Atualizado em: 18/07/2018 14:34

Imagem: Marlon Diego/Esp DP
Imagem: Marlon Diego/Esp DP

Após matéria publicada no Diario de Pernambuco no último dia 12 sobre a legalização dos animais que vivem no minizoológico do Parque 13 de Maio, por parte da Prefeitura do Recife, instituições de proteção animal protestaram nesta quarta-feira (18) contra a permanência dos bichos silvestres no local. A justificativa dos defensores é que o ambiente provoca estresse, já que a área verde fica localizada no bairro da Boa Vista, no centro da cidade, sujeitando os animais à poluição sonora e visual.

"Estamos falando de especieis silvestres que precisam de silêncio e pouca iluminação, o que não encontram no Parque. Eles estão aqui há mais de 70 anos. Antigamente a cidade era outra e não tinha esse movimento com barulho de trânsito e interferência humana. Se trata de consciência ambiental", comentou a presidente do Movimento de Defesa Animal de Pernambuco, Goretti Queiroz.

Também presentes na manifestação, membros do movimento Vozes em Luto realizaram uma encenação simulando a morte e prisão de bichos. "A partir de agora vamos pedir apoio da população para conscientizar sobre a exposição e escravidão desses animais. Sou totalmente contra a legalização porque eles não podem ser tratados como objeto de entretenimento. Isso é crueldade", lamentou a coordenadora do movimento, Fernanda Alcântara.

De acordo com o diretor-executivo de Praças, Parques e Áreas Verdes da Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb), José Carlos Vidal, a determinação do Ministério Público, dada em novembro do ano passado recomendando a transferência para o Centro de Triagem de Animais Silvestres, motivou o órgão a iniciar obras de readequação para continuar abrigando o minizoológico. 

"Respeitamos o ato por ser legítimo da sociedade quando quer fazer valer seus direitos. No entanto, estamos buscando, por uma determinação do prefeito Geraldo Júlio, autorização por parte dos órgãos competentes para que esse espaço permaneça em função da sua importância para o Parque e para a população que busca lazer e contemplação", argumentou Vidal.

A manutenção do minizoo também foi questionada pelo vereador Wanderson Florêncio (PSC), autor da lei 18.145/2015, que proíbe a exposição de animais presos ou soltos nos parques e nas praças do Recife de modo inadequado. "Existe uma legislação sancionada pelo próprio prefeito Geraldo Júlio e que já está em vigor desde 2015 proibindo justamente o que acontece no 13 de maio. É preciso respeitar os hábitos dos animais. Sugiro que esse espaço sirva como centro de educação ambiental ou ainda receba o parcão para que os visitantes tragam seus animais de estimação", disse.

Segundo a Emlurb, desde o ano passado as áreas que recebem os animais vem passado por readequação, como aumento das gaiolas, instalação de grades para distanciar o público e adaptação do solário. "Visamos a melhoria da adaptação desses animais nesse espaço. Temos a médica veterinária que dá assistência diária, tratadores específicos, alimentação adequada para cada espécie e vigilância para que os animais não sejam importunados", afirmou o diretor-executivo.

A partir da solicitação de licenciamento da prefeitura, a Agência estadual de Meio Ambiente (CPRH) e o Ibama decidirão o futuro do equipamento em conjunto "em breve". "De antemão, os dois órgãos entendem que a alternativa de continuidade de funcionamento do minizoológico na área, se for o caso, só poderá ocorrer a partir de uma reformulação, com melhorias no entorno, de forma a possibilitar um maior controle, especialmente no que se refere ao acesso das pessoas aos animais", comentou a CPRH através de nota.


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